Educação

FIES

Governo promete novo FIES em 2015 com juros mais caro e cobrança mais rígida

André Bof

São Paulo

terça-feira 16 de junho de 2015| Edição do dia

Em meio a degradada situação econômica do país, nesta semana o que arrancou o sorrido dos especuladores na bolsa de valores foi o salto no valor das ações das grandes universidades privadas brasileiras.

Com alta entre 10 e 13%, as ações dos grandes “tubarões” como KROTON/Anhanguera, Estácio, Ser- educacional e Anima, “puxaram” o resultado da bolsa para cima, graças as declarações do ministro da educação, Renato Janine, de que no segundo semestre de 2015 o FIES será reaberto.

Diante da crise econômica aberta, foram anunciadas novas regras para o FIES, com Janine, que está há dois meses a frente do ministério da educação (MEC) tentando segurar o lema da “pátria educadora”, na qual, ironicamente, se aplicam os cortes orçamentários mais profundos na educação.

Neste cenário e com o gasto desenfreado no FIES, que só no período de 2010 a 2014 destinou 30 bilhões para o bolso dos grandes grupos privados, o governo se viu diante de um “beco sem saída” e impôs novas regras que restringem o acesso ao programa.

Além da restrição pelas novas regras, o corte de 9 bilhões na educação, impôs que, no fim deste semestre, Janine anunciasse o corte de metade das verbas do FIES e seu “fechamento” para 2015, atendendo a apenas a metade dos 500 mil “pedidos” de financiamento.

Segundo o MEC a demanda não atendida é de 178 mil estudantes, no entanto, os pedidos reais podem chegar a mais de 250 mil.
Igualmente, o MEC acena que, com o retorno do FIES em 2015, seria possível oferecer apenas cerca de 100 mil novos financiamentos, o que totalizaria 352 mil contratos em 2015, número muito abaixo dos 700 mil contratos firmados em 2014.

Graças a esta situação, casos de estudantes com dívidas milionárias que perderam o financiamento e manifestações espontâneas em universidades privadas tem ocorrido em diversos estados, diante deste ataque a toda uma geração de milhões de jovens que, apesar do enorme endividamento, tinham no FIES a única alternativa de estudar em uma Universidade.

Agora, segundo afirma Janine, será reaberta uma segunda edição do programa que terá, no entanto, novas regras: além da obrigatoriedade de 450 pontos no ENEM, esta nova edição pode ter um período de carência (prazo em que se deve o financiamento) menor e juros mais caros para o estudante, podendo ir dos atuais 3,4%, para o valor da inflação “técnica” que é de 6,5%.
Ou seja: um financiamento mais caro, pago num prazo mais apertado e uma dívida mais “azeda” para os que optarem pelo FIES.

A crise é deles, mas a conta é nossa...

Com a explosão de gastos com o FIES o governo federal, que por muito tempo utilizou esta “expansão” do ensino para fins eleitorais e “rankings” foi obrigado a conter um pouco o apetite dos monstros que criou e, com isto, impor cortes no programa e restringir o acesso a Universidade.

Se por um lado vimos bilhões destinados diretamente ao bolso de quatro ou cinco monopólios privados como a KROTON e Estácio, por outro, no mesmo período, apenas cortes e precarização foram vistos nas universidades públicas do país, atualmente mergulhadas em uma crise de falta de verbas, estrutura e privatização.

Isto deixou apenas um caminho para os milhões que, seguindo as promessas do governo PT, acreditaram na ideia de uma nova “ascensão social”: endividar-se.

A inadimplência e insegurança já afeta a milhares de jovens que, diante do corte, buscam alternativas em financiamentos privados e de bancos, o que, tem sido fonte de exploração e lucro para bancos e grupos privados.

Somente a KROTON- o maior monopólio da educação do mundo-, graças a financiamentos privados e as vagas que possui do FIES, mesmo com os cortes, apenas no período de janeiro a março deste ano, contou com 515 milhões de reais de lucro!!!

A ferida aberta do FIES tem aprofundado a certeza de milhões de jovens trabalhadores de que, na “Pátria Educadora”, a única educação que lhes é oferecida é a de calcular quanto de seus direitos e salários serão arrancados.

Junto das MP’s 664 e 665, do corte do seguro desemprego, dos enormes cortes orçamentários em diversas áreas, com destaque para educação e saúde, da tentativa de reduzir a maioridade penal, o que se desenvolve no Brasil é uma série de ataques implementados por PT e PMDB e saudados pela oposição de direita (PSDB, DEM, PDT), que irão criar uma verdadeira “geração sem futuro” no país.

Para a juventude (que no país já soma 7 milhões sem chance de trabalhar ou estudar) restará o trabalho terceirizado e precário, a cadeia e o endividamento, enquanto os salários dos políticos capitalistas são reajustados acima da inflação, os bancos mantém seus lucros bilionários e as grandes universidades privadas tem lucros de meio bilhão de reais em três meses!

Faz falta uma articulação desta juventude que, diante dos ataques e da miséria que preparam a seu futuro, imponha com sua organização mobilizações, cortes e ações como a juventude chilena que, criando uma profunda aliança com os trabalhadores, há mais de 5 anos toma as ruas as centenas de milhares lutando por uma educação gratuita e de qualidade para todos.

Hoje, mais do que nunca, faz sentido erguer um grande movimento pela redução das mensalidades nas universidades privadas e anistia de todas as dívidas estudantis, interligado com uma grande mobilização pela estatização das vagas do FIES (já devidamente pagas pelo governo federal) para garantir a educação como um direito universal com o fim do vestibular, como é a realidade de diversos países latino-americanos, como a Argentina.




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