Sociedade

AUXÍLIO EMERGENCIAL

Governo e mídia defendem R$5 por dia para viver, na prática justificam a fome

A nova rodada de auxílio emergencial que começa a ser paga na próxima terça, dia 06, tem valor mínimo de R$150,00, o que significa que milhões de pessoas terão R$5,00 por dia para sobreviver. Como se não bastasse o cinismo do governo que oferece isso como auxílio à população, ainda temos que ouvir os “conselhos” da mídia sobre como se alimentar com esse valor miserável.

sábado 3 de abril| Edição do dia

Quatro meses depois do fim do auxílio emergencial de 2020, o governo Bolsonaro junto com o Congresso Nacional, com o aval do STF, todo o judiciário e forte apoio da grande mídia, volta a pagar parcelas do novo auxílio que vão de R$150,00 para quem mora sozinho à R$375,00 para as famílias chefiadas por mães. Bolsonaro, que torrou R$2,4 milhões de dinheiro público em 18 dias de férias, pretende que um adulto sobreviva com R$5 por dia, faltam palavras para descrever o absurdo.

Congressistas, militares e juízes que também esbanjam privilégios, auxílios de todo tipo, bonificações, além de altíssimos salários, muitas vezes acima do teto estabelecido no serviço público, defendem com a cara mais lavada do mundo que é preciso "apertar os cintos”, que estamos todos no mesmo barco, que para haver “responsabilidade fiscal” é preciso economizar. Responsabilidade fiscal para manter o pagamento da dívida pública, verdadeiro saque à população para aumentar os lucros dos banqueiros e acionistas internacionais, enquanto a realidade na mesa do brasileiro se aproxima cada vez mais da fome.

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Segundo parâmetro estabelecido pelo Banco Mundial, órgão imperialista que não tem nenhum real interesse na qualidade de vida da população trabalhadora, a linha de pobreza no Brasil estaria na faixa de renda de US$5,50 por pessoa, por dia. Isso significaria hoje um valor de R$31,40 por dia, mas para Bolsonaro, o Congresso Nacional e a mídia, é possível viver com R$5,00.

Em reportagem da Band, com direito à nutróloga para fundamentar “cientificamente” tamanho absurdo, a emissora defendeu que basta fazer bem as contas, ter criatividade e fazer boas escolhas na xepa das feiras para ter uma alimentação saudável com R$5,00 por dia. Além de falsificar valores dos alimentos, que qualquer dona de casa sabe que não se encontram como mostrados na reportagem e tentar convencer que uma dieta cuja única proteína é o ovo é saudável, a escolha da edição é de esquecer que além de comer, seres humanos adultos têm outras necessidades.

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Se considerarmos o conjunto das necessidades de uma família, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) estimou que o salário mínimo necessário para suprir as despesas de um trabalhador e da família dele com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência, seria de R$ 5.495,52, o que corresponde a 5 vezes o valor do salário mínimo já reajustado, de R$1.100, 00 e 36 vezes o valor do auxílio emergencial de 150,00, um escândalo!

Auxílio de um salário mínimo é o básico para sobreviver! São os trabalhadores organizados, exigindo de suas direções sindicais que saiam do imobilismo em que se encontram para organizar a luta, os únicos com a força capaz de arrancar essa demanda mínima e levantar um plano de emergência para responder ao conjunto da crise sanitária e econômica, com liberação remunerada, e salários integrais, dos trabalhadores de serviços não essenciais, leitos para toda a demanda, vacinas para todos com a quebra de suas patentes, fim do Teto de Gastos para investimento nos serviços públicos. Basta de aceitar humilhação do governo Bolsonaro, Mourão, dos militares e todo o regime do golpe institucional que inclui a participação ativa dos “formadores de opinião” da grande mídia golpista. R$5,00 por dia significa miséria!

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