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Governo de MG atrasa salário dos servidores e pode haver parcelamento nos próximos meses

Em coletiva de imprensa, o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), disse na última quarta-feira (6) que não há garantia de pagamento do salário dos servidores até o 5º dia útil, de janeiro a abril deste ano. O pagamento dos salários de dezembro será efetuado no dia 13 deste mês e não há previsão para os pagamentos no 1º trimestre. Além disso, o secretário de Planejamento e Gestão, Helvécio Magalhães, não descartou a possibilidade de que, a partir de março, os pagamentos dos salários sejam parcelados em função das dificuldades financeiras enfrentadas pelo governo do Estado. Segundo o governador, na próxima semana, será apresentado às associações e sindicatos dos servidores um cronograma de pagamento dos salários de janeiro, fevereiro e março, mas Pimentel não adiantou informações sobre este planejamento.

Pammella Teixeira

Belo Horizonte

sexta-feira 8 de janeiro de 2016| Edição do dia

Foto: Via Comercial

Essa medida de Pimentel se dá mesmo após ações para aumentar a arrecadação feitas no ano passado, como a transferência da maior parte dos depósitos judiciais do Estado de Minas Gerais – de aproximadamente R$5 bilhões – para os cofres do governo, além do aumento do ICMS, que foi aprovado na Assembleia legislativa, e que passa a valer em 2016.

Outros estados do país, como Rio Grande do Sul, Paraná, Sergipe, e mais recentemente Rio de Janeiro, também têm sofrido com falta de verbas, cortes nos serviços públicos e atraso nos pagamentos de servidores. Isso mostra como estes governadores – sejam do PSDB como Beto Richa no Paraná, do PMDB, como Sartori no Rio Grande do Sul, ou do PT, como Pimentel em Minas Gerais – estão alinhados com a política levada à frente nacionalmente pelo governo petista de Dilma Roussef e pelos empresários do país, que vêm mantendo os lucros enquanto cortam bilhões da educação e serviços públicos, arrocham salários, demitem milhares e, como anunciado agora em MG, atrasam salários dos servidores.

O Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE), dirigido pela CUT-MG, se manifestou por meio de nota alegando insatisfação quanto ao descaso do governo do Estado que “informou” aos servidores sobre o atraso no pagamento dos salários através da Agência Minas, sem propor nenhum diálogo com a categoria. Após a CUT e sua principal dirigente, Beatriz Cerqueira, terem feito campanha para Pimentel em 2014 e terem chamado a confiar neste governo na greve de 2015 para conquistar o pagamento segundo o piso nacional dos professores, fica claro como não podemos confiar nos governos petistas que se diziam muito diferentes de Aécio Neves e Anastasia do PSDB e nem nas direções sindicais que se atrelam ao governo dos ajustes.

Somente a força dos trabalhadores organizados e unificados entre todas categorias do Estado, retomando seus instrumentos de luta, poderá barrar o atraso e o parcelamento dos salários, bem como lutar contra o arrocho salarial, as demissões fruto do voto pela inconstitucionalidade da Lei 100 e todas as mazelas que vêm sofrendo os trabalhadores e todo povo mineiro, como a tragédia de Mariana, onde ninguém foi punido mais de 2 meses após o ocorrido. Esse movimento terá que necessariamente se ligar à luta nacional contra os ajustes, para que a crise seja paga pelos capitalistas que a criaram.




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