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Governo Zema dificulta matrículas da rede estadual: atraso nas aulas, filas e revolta

O governo Zema submete a população a um processo desorganizado de matrículas online, gerando confusão nas escolas, apreensão para as famílias e estudantes, e desemprego para os trabalhadores da educação. O “governo eficiente” – como diz o slogan de Zema – mostra que sua eficiência é só para os ricos e grandes empresários.

Zuca Falcão

Professora da rede pública de MG

quarta-feira 12 de fevereiro| Edição do dia

Fotos da fotomontagem: Fred Magno/O Tempo e Reprodução/EPTV.

O processo de matrícula na rede estadual de educação está ocorrendo de forma caótica neste ano, contando com o silêncio da grande mídia, que encobre os ataques que Zema tem feito contra a educação. Desde o fim de 2019, o governo Zema decidiu realizar uma modificação no processo, que passou de presencial nas escolas para on-line, através de um site disponibilizado pelo governo.

Porém, desde o início essa mudança se mostrou inadequada, pois os pais e responsáveis, acostumados a realizarem a matrícula nas escolas de uma forma muito simples, se depararam com um site confuso, pouco divulgado e com a própria dificuldade de acesso a internet, além de um curto prazo para realizar a matrícula. O resultado foi um número de matrículas muito inferior aos registrados todo final de ano, sendo as famílias pobres e negras as mais afetadas por essa desorganização e atraso no início das aulas. Há casos de mães que dormiram nas filas para garantir matrícula aos filhos na escola desejada e filas que se formaram desde domingo (9).

Os poucos pais e responsáveis que conseguiram cadastrar seus filhos no site se depararam com outro problema quando o resultado da matrícula saiu no começo de janeiro: muitos alunos receberam a confirmação da matrícula para escolas muito distantes de suas casas, e opções que não constavam nas escolhidas ao fazer a matrícula.

Com a dificuldade em fazer inscrição para a matrícula on-line ou terminando em escolas onde seria impossível efetivar a matrícula pela grande distância, os pais aguardaram o início das aulas nas escolas para tentar resolver pessoalmente, como sempre foi.

O resultado foram filas gigantescas, de centenas de pessoas nas escolas, no dia que era pra ter sido já o primeiro dia de aula. Enquanto isso, as turmas em geral estavam vazias e muitos trabalhadores da educação ainda desempregados.

A confusão das matrículas na rede estadual não é fruto da inexperiência do governo do Novo, mas sim de um projeto de precarização das escolas e fechamento de turmas que busca culminar na privatização da rede estadual, conforme defendido pelo governador durante sua campanha nas eleições estaduais. Zema chegou a mencionar que o ideal seria que os pais recebessem “vouchers” do estado para matricular seus filhos em escolas particulares, visando claramente o lucro de empresários do setor da educação.

O caos no processo da matrícula atrasa a abertura de turmas, o que impacta na admissão de professores que trabalham por contrato temporário, os designados, deixando parte da categoria desempregada ou em empregos com carga horária inferior à necessária, pela baixa oferta de aulas, apesar da grande demanda de alunos, como demonstram as enormes filas para matrícula neste período de início das aulas.

A interpretação de muitos trabalhadores da educação de MG é que ao dificultar a matrícula na rede estadual, Zema espera a desistência dos pais e responsáveis em matricular seus filhos e tentar efetuar a matrícula em redes municipais, como uma forma de esvaziar as turmas e facilitar o fechamento e demissão de professores, objetivo que vem seguindo desde o começo do seu governo.

Os ataques de Zema à educação prejudicam toda a população; os alunos que ao não conseguirem a matrícula permanecem sem estudar após o início do ano letivo, os pais que não têm tranquilidade de saber que seus filhos terão acesso a uma escola próxima de casa, e os trabalhadores que têm seus empregos ameaçados pela redução de turmas sem possibilidade de se integrar em outra atividade.

É necessária a união de toda a comunidade escolar, com pais e alunos junto dos trabalhadores da educação para combater o governo Zema e seus ataques à educação. A greve dos professores estaduais que se iniciou ontem (11) deve ser um ponto de apoio para essa luta.




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