GOVERNO BOLSONARO E SAÚDE

Governo Bolsonaro quer reduzir em R$ 393 mi gastos com vacinas em meio à surtos de doenças

O valor que será destinado é 7% menor do que o previsto para esse ano. O avanço de epidemias como sarampo e febre amarela denunciam a miséria que o governo Bolsonaro querem impor aos trabalhadores e ao povo pobre: sem saúde e educação, pagando a crise com nossas vidas.

terça-feira 17 de setembro| Edição do dia

Em meio a um surto de sarampo e com a previsão de alta nos casos de febre amarela no próximo verão, o Ministério da Saúde deverá reduzir em R$ 393,7 milhões as despesas com compra e distribuição de vacinas em 2020.

As previsões de surtos de febre amarela, sobretudo em Minas Gerais, fruto dos crimes cometidos pela Vale nas cidades de Mariana, e mais recentemente de Brumadinho, foram apontadas por diversos centros de pesquisas, juntamente com possíveis surtos de dengue e outras doenças infecciosas transmitidas por mosquitos.

O desmonte de instituições públicas produtoras de vacina, como o Instituto Butantam e a Fiocruz, são parte de um plano privatista na saúde, que busca abrir ainda mais espaço para a entrada de empresas privadas. Associado ao sucateamento da saúde, a perspectiva é que trabalhadores e populações pobres tornem-se ainda mais vulneráveis.

De acordo com o projeto, o governo pretende gastar cerca de R$ 4,9 bilhões no ano que vem com "aquisição e distribuição de imunobiológicos para prevenção e controle de doenças". O valor é 7% menor do que o previsto para esse ano (R$ 5,3 bilhões). Do montante estimado para 2020.

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Nos últimos anos, o Brasil registra uma queda nas taxas de cobertura vacinal, o que levou à ocorrência de um surto de sarampo com mais de 3 mil casos confirmados e levantou o alerta para o possível retorno de outras doenças controladas, como caxumba, difteria e coqueluche

O surto de sarampo, que afeta sobretudo os municípios paulistas, já tem feito com que algumas prefeituras registrem falta do imunizante.

É importante ressaltar que, o desmonte da saúde não se dá somente no campo e sim se mostra, ainda mais grave, em outros aspectos negligenciados na saúde. A falta de saneamento básico e de políticas públicas preventivas, principalmente no que diz respeito às doenças transmistidas por mosquitos, como dengue, febre amarela e zika, evidenciam não somente o brutal sucateamento do SUS, mas também a lógica mercadológica que impera na saúde.

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Associado à isso, os ataques às universidades tem avançado à passos largos contra hospitais escolas, como na UFRJ onde o Hospital Universitário da instituição pode ser fechado por falta de verbas.

O avanço do Governo Bolsonaro contra a saúde e educação, associada à política privatista de Paulo Guedes, que já afirmou que quer fazer um verdadeiro "saldão" das estatais, junto à Henrique Mandetta, que se posicionou contrário ao SUS, estão a serviço de garantir que a crise capitalista seja descarregada nas costas dos trabalhadores e do povo pobre, ainda que isso custe suas vidas.

É preciso defender o SUS, consquistado sob muita luta por parte dos trabalhadores da saúde e movimentos sociais, e vincular à isso uma discussão profunda sobre o tipo de "medicina" que nos é imposto, dominada pela indústria farmacêutica que transforma tudo em mercadoria.




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