Política

REFORMA DA PREVIDÊNCIA

Governadores do sudeste e sul formam frente para ajudar Bolsonaro a destruir aposentadoria

Em apoio à odiada Reforma da Previdência de Jair Bolsonaro, os 7 governadores do sudeste e sul do país se juntam em defesa do projeto que quer destruir o direito à aposentadoria do povo trabalhador para seguir pagando os privilégios dos políticos e os lucros de grandes empresários, banqueiros e especuladores.

terça-feira 19 de março| Edição do dia

Foto: divulgação.

No sábado (16), os governadores Romeu Zema (Novo - MG), Wilson Witzel (PSC - RJ), João Dória (PSDB - SP), Renato Casagrande (PSB - ES), Eduardo Leite (PSDB - RS), Carlos Moisés (PSL - SC) e Ratinho Júnior (PSD - PR) vão apoiar “incondicionalmente”, segundo eles próprios, a Reforma da Previdência do presidente de extrema direita Jair Bolsonaro (PSL) para que trabalhadores e jovens, e especialmente os pobres, trabalhem até morrer.

Essa frente é parte dos planos dos governadores – todos de direita ou extrema direita – de favorecerem os grandes empresários e banqueiros estrangeiros e nacionais e tentarem melhores condições para negociação das dívidas dos estados com a união.

Os governadores se reuniram em MG pelo Cosud (Consórcio de Integração Sul e Sudeste) para abrir diálogo com Bolsonaro em apoio à Reforma da Previdência. O governador do Paraná, que também faz parte do Cosud, não pode comparecer por impossibilidade de agenda.

A reunião aconteceu na Cidade Administrativa e Zema, como porta-voz da frente, disse: "Apoiamos incondicionalmente o presidente Bolsonaro na missão de realizar a reforma da Previdência. Porque se não tivermos posição de certo sacrifício, estaremos condenando o Brasil". Casagrande, governador do Espírito Santo fez algumas ressalvas, demagogicamente, mas segue apoiando a Reforma, assim como seu partidário do PSB, Jonas Donizette, prefeito da cidade de Campinas (SP) e presidente da Federação Nacional de Prefeitos (FNP), que está articulando os municípios brasileiros pelo fim da aposentadoria.

Essa “abertura de diálogo” com Bolsonaro proposta pelo Cosud parte do governador do estado de São Paulo, João Doria (PSDB), que em seu mandato na prefeitura da capital atacou os servidores e professores municipais com a Reforma da Previdência municipal, o Sampaprev.

A ideia dos governadores é fazer lobby com deputados e senadores, atuando também no convencimento dos indecisos, para aprovar o projeto do ataque na íntegra. João Doria declarou: "Vamos falar com os partidos, conversar com os parlamentares, sensibilizar o tema para acertamos a aprovação de uma reforma mais do que necessária para o país. Não podemos esperar mais".

A Reforma da Previdência serve para "economizar" negando o direito de aposentadoria de milhões de trabalhadores enquanto segue pagando a infinita dívida pública a um punhado de banqueiros e especuladores entrangeiros e nacioais. Enquanto isso as grandes empresas devem mais de 450 bilhões à previdência, e recebem mais de 350 bilhões de isenções em impostos todos os anos.

Assim, justificar a necessidade da Reforma da Previdência porque "o Estado vai quebrar" não passa de uma mentira para descarregar os custos da crise sobre as costas dos trabalhadores e do povo pobre, garantindo ainda os privilégios de políticos, juízes e militares do país.

Frente a isso, as centrais sindicais dirigidas pelo PT e pelo PCdoB, CUT e CTB, fazem coro com a passividade e possibilidade de negociação do ataque, não organizando os trabalhadores em cada local de trabalho e fazendo Dia Nacional de Luta contra a Reforma da Previdência, dia 22 de março, mais um dia inofensivo.

A frente de 9 governadores do Nordeste, dirigida pelo PT, que se reuniu no Maranhão para discutir uma "Reforma da Previdência alternativa", faz parte de um compromisso com o ajuste fiscal e não pode oferecer nenhuma saída nem contraposição verdadeira aos planos de Bolsonaro e dos governadores do sul e sudeste. Ao não organizarem oposição na luta de classes com greves e mobilizações, são parte da estratégia de "resistência" meramente parlamentar e institucional, que não pode fazer frente ao governo Bolsonaro, mas que, ao contrário, quer somente desgastar o governo para fortalecer a oposição rumo às eleições de 2022. Gleisi Hoffmann, presidente do PT, por exemplo, flerta com uma “reforma da previdência contra os privilégios”, sem rechaçar e colocar a classe trabalahdora na luta contra qualquer tipo de Reforma da Previdência.

A tarefa imediata para os trabalhadores é batalhar em cada local de trabalho e dentro dos sindicatos e entidades estudantis pela construção efetiva de uma luta massiva contra a Reforma da Previdência. É preciso, junto às bases das categorias, convocar um plano de lutas que coloque fim à trégua das centrais sindicais com o governo federal e sua articulação com os algozes dos governos estaduais.




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