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África | Golpe de Estado em Burkina Faso: o presidente e vários ministros são presos

Após um motim militar que ocorreu nesta última noite, parte do Exército prendeu o presidente de Burkina Faso e vários ministros nesta segunda (24).

segunda-feira 24 de janeiro | Edição do dia

Em meio a ataques descontrolados de grupos islâmicos e intervenção militar e colonial francesa, Burkina Faso vem vivendo meses de protestos contra a incapacidade do governo de acabar com os ataques e descontentamento com as tropas francesas.

Os protestos já haviam causado a queda, em 8 dezembro, do governo chefiado pelo primeiro-ministro Christophe Joseph-Marie Dabiré. Neste domingo, diante do descontentamento popular e da situação social e econômica que o país atravessa, um grupo das Forças Armadas decidiu antecipar uma mobilização que sairia do controle e deu um golpe para afastar o presidente Roch Marc Christian Kaboré de seu posto.

Foi assim que soldados amotinados prenderam o presidente na segunda-feira, em um quartel na capital do país, Uagadugú, após terem se rebelado ontem em vários destacamentos militares pelo país.

Ontem, no início da rebelião, o Governo descartou a ideia de que havia um golpe de estado em curso, mas em seguida ocorreram estas prisões.

“O presidente Kaboré, o chefe do parlamento [Alassane Bala Sakandé] e os ministros estão efetivamente nas mãos dos soldados”, foi informado pelo regimento Sangoule Lamizana em Uagadugú, afirmou uma fonte segura segundo a agência de notícias AFP.

Segundo a AFP, esta manhã, uma dezena de soldados encapuzados e armados vigiavam a frente da sede da Rádio e Televisão de Burkina Faso (RTB), que transmite programas de entretenimento.

Ontem, o motim militar começou em vários destacamentos em Burkina Faso para exigir a renúncia dos chefes do exército, bem como “meios adequados” para combater os jihadistas, que operam no país desde 2015.

De imediato, o governo de Burkina Fso descartou os rumores de um golpe militar.

“O governo, embora reconhece que houve efetivamente disparos contra determinados quartéis, desmente esa informação (golpe) e apela à calma da população”, afirmou o porta-voz presidencial, Alkassoum Maiga.

Mais tarde, as autoridades declararam um toque de recolher “até novo aviso” e fecharam as escolas por dois dias.

Ontem os manifestantes apoiaram os soldados amotinados e instalaram barricadas em várias avenidas da capital, até serem dispersos pela polícia.

A situação do país se deteriorou drasticamente a partir de 2015, com o surgimento de movimentos jihadistas afiliados à Al-Qaeda e ao grupo Estado Islâmico em todo o Sahel.

Os ataques jihadistas já mataram mais de 2 mil pessoas em quase 7 anos e forçaram mais de 1,5 milhão de pessoas a fugirem de suas casas no norte do país.

Além disso, soma-se a intervenção francesa em 2013, com a desculpa de garantir a segurança em suas ex-colônias. Uma intervenção militar que se estende de Mali ao Níger. No entanto, as organizações islâmicas só se multiplicaram e expandiram sua influência em diferentes regiões do país e em outros estados do continente. Em outras palavras, desde o início da operação francesa, a situação militar e de segurança se deteriorou.

Esta situação é agravada pela crise econômica e social que passa o país. Privado de recursos naturais e indústria, é um dos países mais pobres do mundo. Com quase 40% da população vivendo com uma renda abaixo da linha de pobreza de 2 dólares por dia. Além disso, a agricultura representa um terço do PIB e emprega 80% da população.

Ao fracasso desta “guerra ao terrorismo” serviu para justificar a intervenção militar francesa na África, somaram-se os muitos abusos sofridos pela população , tanto pelo exército francês como pelas forças armadas locais aliadas. Este terreno fértil deu origem às manifestações que ressurgem repetidamente há meses, e que esta segunda-feira teve um novo capítulo com um golpe de estado preventivo para tentar canalizar a raiva social tanto contra o governo quanto a intervenção francesa.




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