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G20 fecha pacote de 5 trilhões de dólares para aos capitalistas

Os governos das maiores economias capitalistas do mundo se reuniram virtualmente ontem, quinta (26), e disseram em documento da reunião que haverá uma injeção de US$ 5 trilhões (cerca de R$ 25 trilhões) na economia global.

sexta-feira 27 de março| Edição do dia

A reunião da cúpula incluiu líderes da Organização Mundial da Saúde (OMS), Nações Unidas, Banco Mundial, Fundo Monetário Internacional (FMI), Organização Internacional do Trabalho (OIT) também.

Destilaram demagogia dizendo que compartilharão dados epidemiológicos e de saúde, reforçarão os sistemas públicos de saúde e aumentarão a capacidade de produção de materiais médicos. Disseram que suas prioridades são proteger vidas, garantir empregos e rendas, mas como bem apontam, querem mesmo é preservar a estabilidade financeira e reavivar o crescimento econômico dos capitalistas. Apontaram que querem minimizar as interrupções no comércio internacional.

Só que diante da crise sanitária em todo o mundo devido à pandemia e escancara a miséria capitalista que descarregou a crise econômica na vida dos bilhões de vidas humanas, de trabalhadores e do povo pobre, para isso também transformam seus dizeres de "assistência a países pobres" em palavras de salvação da humanidade.

Como vemos aqui, órgãos multilateirais como o FMI e o Banco Mundial proliferam demagogia dizendo aos detentores das dívidas dos países pobres suspendê-las, escandalosamente insuficiente, como se fosse possível para os trabalhadores seguirem pagando uma dívida que nem é deles depois dos capitalistas diluirem no tempo os impactos da pandemia.

Mas na verdade, segundo a própria Organização Internacional do Trabalho (OIT), quase 40% da população mundial não tem nem seguro de saúde ou acesso a serviços nacionais de saúde, e 4 bilhões de pessoas não se têm nenhuma forma de proteção social.

Essa é a situação global que coexiste com reuniões de cúpula que decidem injetar bilhões na economia para salvar os capitalistas. É essa a prioridade do cinismo multilateral, que enganam até a si próprios, já que essa injeção de liquidez não poderá evitar a recessão, que esses órgãos multilaterais já reconhecem que será pior que a de 2008. Com as taxas de juros reais das principais potências próximas de zero ou até negativas, a Europa e o Japão a beira da recessão desde antes da pandemia, os EUA crescendo com dificuldade 2%, e um envididamento global equivalente a 322% do PIB, esse pacote de estímulos não passa de uma "fuga para frente", agravando as contradições em vez de resolvê-las.

E, inclusive, longe de defender os chefes de Estado dos países pobres, periféricos, como o Brasil; Bolsonaro por um lado demonstra negacionismo e obscurantismo, por outro, estar totalmente a serviço do imperialismo, alinhado com as medidas de Trump. Ambos os lados, obviamente, favorecendo os capitalistas.

Portanto, não, não é verdade que a prioridade do G20 com a injeção de 5 trilhões de dólares é proteger vidas. Só se for a dos empresários. Porque o que necessitamos hoje são de medidas imediatas para que paremos de morrer e essas medidas são desde o básico de testes massivos para todos que tiverem sintomas e todos que tiverem contato com eles. Multiplicação dos leitos e novas contratações na saúde. E para isso, também temos que ter uma economia voltada para essa guerra, ligada a responder necessidades como expropriação de hotéis para convertê-los em centros de tratamentos para contaminados que não precisem de internação hospitalar, centralização do sistema de saúde público e privado sob controle dos trabalhadores da saúde, readequar toda a produção industrial de insumos necessários para combater o vírus.

Para isso, a suspensão do pagamento da dívida pública é insuficiente, já que essa não é simplesmente uma questão fiscal, e sim o principal mecanismo de subordinação dos países dependentes aos ditames do capital financeiro internacional. No Brasil, os capitalistas e seus representantes políticos não escondem que, apesar de o estado de calamidade permitir o descumprimento da meta fiscal anual, o orçamento terá de ser readequado conforme o teto dos gastos e a Lei de Responsabilidade Fiscal, o que implicará ataques duríssimos contra os trabalhadores.

Empréstimos internacionais como esses são sempre condicionados a esse tipo de ataque, e a necessidade de expansão dos gastos em saúde irá aumentar ainda mais a espoliação desses países pela via da dívida pública. Para que o combate à pandemia não seja feito às custas de nós, trabalhadores, é preciso anular todas as dívidas dos países dependentes e semicoloniais e financiar todas as medidas de combate ao coronavírus através de impostos progressivos sobre as fortunas dos empresários e banqueiros, que continuam lucrando em meio a esta crise.




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