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RÉVOLUTION PERMANENTE | França: Anasse Kazib fala sobre exclusão do NPA, Révolution Permanente e presidenciais de 2022

Vídeo com Anasse Kazib, ferroviário militante do Révolution Permanente, seção francesa da mesma organização internacional do Movimento Revolucionário de Trabalhadores.

quarta-feira 23 de junho | Edição do dia

Entrevista de Anasse Kazib, ferroviário militante do Révolution Permanente, seção francesa da Fração Trotskista, e pré-candidato às presidenciais francesas de 2022, fala sobre a exclusão burocrática de quase 300 militantes da Corrente Comunista Revolucionária-Révolution Permanente e apoiadores por parte do NPA (Novo Partido Anticapitalista), a luta de classes na França, as eleições presidenciais e o desafio de construir uma organização revolucionária na França.

Após a expulsão dos militantes da esquerda do NPA, Révolution Permanente vai manter a pré-candidatura de Anasse, que para se concretizar será necessária a mobilização de inúmeras pessoas para conseguir as assinaturas de 500 prefeitos, exigência antidemocrática do Estado Francês para impedir candidaturas vindas da classe trabalhadora.

Essa caminhada se insere na perspectiva de construção de um partido revolucionário de trabalhadores na França, distante de ilusões eleitorais, e sim para dotar os trabalhadores com uma ferramenta indispensável para derrubar o sistema capitalista.

VEJA O VÍDEO:

Transcrição do vídeo para o português:

“Uma parte do NPA (Nouveau Parti Anticapitaliste) quis simular que nossa exclusão estava ligada à proposição de minha pré-candidatura para as eleições presidenciais de 2022”

(Anasse Kazib fazia parte da direção nacional do NPA desde 2018)
(Militante do Révolution Permanente, ele denuncia a exclusão do partido que mascara esse fato)

“A realidade é que essa situação remonta a vários meses atrás, quase um ano agora, no verão passado, quando apresentaram-se intuitos divisionistas. Talvez as pessoas se lembrem daquele artigo que saiu no Le Monde [no jornal: NPA ameaçado de implosão] no qual a ex-majoritária do NPA, a majoritária ‘histórica’ do NPA, como é chamada, ela chegou a falar até mesmo de cisão aberta no NPA, de tentar fazê-lo implodir."

"Esses intuitos divisionistas ocorrem devido a diversas razões, em particular a principal delas é que esta direção, ex-majoritária, queria tentar ser maioria, porque ela via que tendências internas como a nossa, o Révolution Permanente, tiveram um avanço bastante importante no último período de luta de classes."

"É preciso ter em conta que o último congresso do NPA foi em 2018, e entre 2018 e hoje ocorreu uma enormidade de coisas, especialmente a reforma ferroviária, a mobilização do movimento dos Coletes Amarelos na qual intervimos sobretudo a partir daquilo que ficou conhecido como Polo Saint Lazare que reuniu ferroviários e militantes antiracistas de bairros populares representados pelo Comitê Adama, e depois tiveram as grandes mobilizações ao redor da Reforma da Previdência e especialmente a conformação da Coordenação RATP-SNCF (trabalhadores do transporte de Paris) que desempenhou um papel importante."

"E esta ex-majoritária do NPA não queria que esses avanços pudessem ser contabilizados em um Congresso, então foram usadas formas para maquiar, para adiar burocraticamente o congresso do NPA que deveria ter acontecido há mais de um ano já, que até hoje não aconteceu. E na época, há um ano, quando teve essas intenções divisionistas, essa ex-majoritária falou de uma mudança na contagem do número de cotizações, que passaria a ser necessário ter quase um ano de cotização no partido, ou seja, isso significava que camaradas como meu amigo Adrien Cornet não poderiam participar do Congresso do NPA.Ou outros camaradas como Christian Porta, Yassine Jioua, e outros que entraram no NPA e no Révolution Permanente nesta última sequência de luta de classes claramente não iriam poder participar da democracia operária dentro de um partido que se diz anticapitalista e revolucionário."

"E o que é preciso entender é que essa exclusão, exclusão de quase 300 camaradas, são 300 militantes do movimento operário, mas não somente, também militantes da juventude, alguns que são reprimidos em seus locais de trabalho, como minha camarada Rozenn Kevel, como outro camarada, Éric Bezou, que pagou com sua demissão por ter se engajado sindical e politicamente na SNCF depois de quase 30 anos de serviço. São militantes como estes no Révolution Permanente que hoje foram excluídos, são parte destes 300 excluídos, além de todos os camaradas ferroviários, motoristas de ônibus, petroleiros, professores, e também trabalhadores precários, desempregados, que são militantes do Révolution Permanente e que tem a intervenção na luta de classes como prioridade e que querem transformar profundamente a sociedade, acabar com a exploração e a opressão do conjunto da humanidade, não somente na França, mas à escala internacional."

(Quais foram os principais desacordos do Révolution Permanente dentro do NPA?)

"Toda essa sequência se acentuou especialmente ao redor da constituição de chapas para eleições regionais, especialmente em Nouvelle Aquitaine com a chapa chamada “Estamos aqui!” representada por Clémence Guetté do [partido] La France Insoumise e por uma figura importante do NPA que é Philippe Poutou, e também uma outra chapa parecida chamada Occitanie Popular, com uma coalizão entre La France Insoumise e o NPA. Nós temos um profundo desacordo com essas chapas por múltiplos aspectos. A primeira coisa é que nós consideramos que a intervenção dos revolucionários nos processos eleitorais não é para esperar disputar os cargos ou esperar que iremos de fato gerir as questões públicas de uma instituição como um conselho regional. O papel e a intervenção dos revolucionários é de fazer existir a voz de trabalhadoras e trabalhadores, de explorados e oprimidos, de fazer ser escutada essa voz em um processo eleitoral."

"Para nossa tendência, Révolution Permanente, não é possível apoiar um NPA que se liga à esquerda institucional reformista, que está nas eleições para presidir regiões, que espera ter ministros do interior etc, que espera disputar o cargo de presidente, como é o caso de Jean Luc-Mélenchon [LFI]. Isso não quer dizer que nos opomos à unidade com o La France Insoumise e com alguns partidos na luta de classes. A gente lutou no último período, durante a reforma da previdência, e tinha alguns deputados que vinham apoiar essas batalhas, que vinham nos ver nas assembleias gerais, às vezes escreviam tribunas pela greve, às vezes contribuíram com os fundos de greve. A gente acha que faltam mais como estes, faltam momentos nos quais a gente pode se encontrar ao redor da mesa para discutir e pensar um plano de batalha. Mas não um plano de batalha eleitoralista, e sim um plano de batalha na luta de classes."

(O que esperar agora que o Révolution Permanente não está mais no NPA?)

"O que esperamos pro futuro é exatamente a mesma coisa que fizemos até agora, ou seja, lutar, intervir, estar ao lado daquelas e daqueles que lutam diariamente frente a essa burguesia que nos explora, que nos oprime. Não iremos parar, pelo contrário. Nós estivemos em um primeiro momento falando de pré-candidatura porque nos debruçamos no debate democrático, mesmo que nos tenham interditado esse debate democrático. A gente queria apresentá-la dentro do NPA, mas iremos manter essa pré-candidatura hoje, vamos impulsioná-la até o final, porque não é a candidatura de Anasse Kazib, não é minha candidatura, a gente quer que seja a candidatura de todas essas e esses que se reconhecem nesse projeto revolucionário, progressista e emancipatório, no qual a gente quer tentar levar ao máximo a voz dos explorados e oprimidos, e também a voz de mulheres que são vítimas de violência sexual, de violência econômica feita às mulheres, que são assediadas nas empresas que trabalham, e também todos esses jovens dos bairros populares que são perseguidos pela polícia, de todas as famílias e coletivos de famílias que não conseguem ter justiça e verdade em toda sua luta. Queremos ser a voz de todas essas pessoas."

"E essa batalha não pode ser feita somente com nossos pequenos braços e mãos. Precisaremos de todas aquelas e aqueles que querem juntar-se a nós e participar desse projeto emancipatório por uma nova sociedade. Estamos completamente convencidos que nosso futuro não está pre-determinado, que nosso futuro não é ter Emmanuel Macron ou Marine le Pen, ou seja, de ir a cada 5 anos colocar um envelope em uma urna. Nosso futuro é feito de luta de classes, é feito através e à luz do que foi o movimento dos Coletes Amarelos, o movimento contra a reforma trabalhista, do que foi a luta contra a reforma da previdência. É isso que esperamos pro futuro."

(Se apresentar para as presidenciais é algo realista?)

"A realidade é que essas 500 assinaturas serão difíceis de serem obtidas porque o processo presidencial e essa instituição impedem que possam ter candidatos porque é preciso sair à procura de 500 assinaturas [de prefeitos], para isso precisa-se de financiamento etc, mas não é impossível, camaradas, eu penso especialmente numa frase que me vem na cabeça de um camarada da Infrapole Sud Nord que, em luta há agora 5 meses, disse: ’viemos dar esperança àqueles que perderam a esperança’. E eu penso que essa candidatura não é a candidatura de Anasse Kazib, esqueçam Anasse Kazib, é a candidatura daquelas e daqueles que estão fartos de viver nessa sociedade de Macron, de Le Pen e companhia que nos dizem que o problema vem da imigração ou do fato de que a gente não trabalha suficientemente."

"A gente não acha que a candidatura é do Anasse Kazib, que vai dividir a esquerda ou qualquer coisa assim, a esquerda já está dividida há dezenas de anos, e a gente pensa justamente que aquelas e aqueles que ecoaram fortemente essa pré-candidatura são camaradas, eu recebi mensagens de gente falando que ’há 20 anos não voto, mas estou disposto a votar em você’, não na ilusão de que Anasse Kazib poderia ser presidente, não é nossa vontade, não temos ilusões, mas no fato de se dizer que votar para um candidato operário e que milita e que representa especialmente essa camada vinda dos bairros populares e da imigração, que é algo de subversivo, e eu acho que tem muitas pessoas que podem se sentir reconhecidas nessa candidatura."

"Mas sim será necessário batalhar para tê-la e estamos prontos para essa batalha, vamos sair à procura dessas assinaturas, e para nós, mesmo que essas 500 assinaturas sejam um grande obstáculo, não é intransponível, e nossa vontade é de poder afrontá-los nos palcos de suas TVs, no terreno deles, e colocá-los no chão ao mostrar aos burgueses que a gente pode não ter feito grandes estudos, mas a gente tem a experiência da rua, a gente vem daí e isso a gente conhece, e nós somos capazes de afrontá-los mesmo em seus próprios projetos, suas próprias leis, e somos capazes de lhes culpabilizar na frente de todo mundo e é isso que é importante."

"Isso ocorreu fortemente durante os debates na reforma da previdência. Foi central termos podido mostrar que trabalhadores, não só eu, éramos muitos, de diferentes sindicatos, nós batalhamos contra a reforma da previdência e isso desempenhou um papel central para as e os trabalhadores que viram que trabalhadores, proletários, eram capazes de explicar melhor a reforma da previdência do que os antigos estudantes da escola nacional de administração. E é isso que a gente quer mostrar nessa eleição presidencial, que um militante ligado aos processos de luta de classes, vindo dos bairros populares, ele pode enfrentar os burgueses e fazer eles se sentirem mal e é isso que a gente quer fazer. "

(Contacte-nos para apoiar a candidatura de Anasse Kazib à presidencial francesa de 2022 e para se unir ao Révolution Permanente em sua batalha por um partido revolucionário de trabalhadores)




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