Mundo Operário

CONTRA A PRIVATIZAÇÃO DE DILMA E AMEAÇAS DE SERRA

Forte paralisação de petroleiros em todo o país

sexta-feira 24 de julho de 2015| Edição do dia

Desde ontem (23), às 23hs, quando começavam as trocas de turno em refinarias e terminais, os petroleiros em todo o país cruzaram os braços contra os chamados “desinvestimentos”, o eufemismo petista para uma imensa privatização da empresa e as ameaças de Serra e outros, de abrir, ainda mais, a exploração do Pré-sal às empresas imperialistas (as gigantes estrangeiras do petróleo como a Shell, Total, Chevron, Exxon, entre outras).

Os terceirizados, que estão sofrendo milhares de demissões, também aderiram fortemente em todo o país. Segundo informações extraoficiais os terceirizados sofreriam um corte de 150 mil postos de trabalho nos próximos meses.

A data da paralisação coincide com a reunião do Conselho de Administração da empresa onde será votado, entre outras pautas, o plano da venda de US$ 57 bilhões de ativos, aproximadamente 30% de todo sistema Petrobrás.

De norte a sul do país, a empresa dirigida pelo banqueiro Bendine, nomeado pela presidente Dilma Rousseff, tomou medidas autoritárias para buscar impedir ou dissuadir os petroleiros de se manifestarem. Desde o dia 21, a Petrobrás emitiu um comunicado institucional interno afirmando que esta privatização era boa para a empresa, tentando exortar os petroleiros a não aderirem. Desde ontem (23), uma equipe de contingência maior que o normal ocupava refinarias e terminais, trabalhadores terceirizados, de áreas que não tem turno, eram coagidos a realizarem "dobras" para ficar nas unidades em apoio aos supervisores e chefes da contingência.

O cúmulo do autoritarismo foi verificado no Centro Nacional de Controle Operacional da Transpetro, na Avenida Presidente Vargas, no Rio, onde são operados quase todos oleodutos e gasodutos do país. Ali, havia uma equipe de seguranças a postos na entrada do setor com ordens para trancar os operadores dentro daquele bunker e impedir “qualquer contágio” com os grevistas.

Este tipo de medida ilustra como a alta administração da Petrobrás e suas subsidiárias não só implementam os planos privatistas de Dilma, como não poupam esforços para fazê-lo.

O petroleiros, no entanto, não se deixaram intimidar e do alto-mar às unidade em terra cruzaram os braços. Reproduzimos abaixo algumas informações parciais obtidas entre ativistas petroleiros, sites de sindicatos e agências de notícias.

São Paulo

Tantos nas refinarias e terminais do planalto paulista dirigidas pela governista FUP como nas do Litoral Paulista, dirigidas pela FNP, não houve rendição do turno. Todas as refinarias e terminas funcionaram somente com suas equipes de contingência.

Nordeste

As refinarias Abreu e Lima em Permanbumco e RLAM, na Bahia, tiveram suas atividades paralisadas, bem como diversos terminais em toda a região. A fábrica de fertilizantes (FAFEN), em Sergipe, também foi afetada pela paralisação. Algumas bases da região, como Alagoas, realizaram somente atrasos. Em Natal, no Rio Grande do Norte, até unidades administrativas da empresa foram fechadas. Já no Ceará, a mobilização, segundo o site da FUP, contou unicamente com um controle dos serviços dos terceirizados (“não emissão de permissão de trabalho”).

Pará, Amazonas, Maranhão

Na Transpetro Belém e São Luís, a mobilização teve adesão de cerca de 70% do operacional e 100% do turno, entre terceirizados e efetivos.

Na Reman, a rendição foi cortada a partir das 23h. Em outras unidades do estado, como Serviço Compartilhado, Terminal sede da Transpetro e DGN,Terminal Aquaviário de Coari e sede da Engenharia, a greve teve adesão dos petroleiros efetivos e terceirizados das áreas operacionais e administrativas.

Espírito Santo

Segundo o Sindipetro local, todas as unidades operacionais do estado tiveram corte de rendição à zero hora de hoje (24). Os trabalhadores da UTG em Linhares, da UTG-SUL, em Anchieta, dos terminais da Transpetro Barra do Riacho, em Aracruz, e do TEVIT, em Vitória, não fizeram a troca de turno e realizaram apenas operações padrão. No EDIVIT, edifício sede da Petrobrás em Vitória, a paralisação começou às 5h de hoje. Em todas as unidades do estado, a greve teve adesão de trabalhadores efetivos e terceirizados.

Minas Gerais

Não houve rendição do turno e ampla maioria dos trabalhadores aderiu à greve na refinaria em Betim.

Norte Fluminense

Nas bases em Terra do Norte Fluminense, paralisação foi no Terminal de Cabiúnas, às 23h30, após os trabalhadores entregarem a produção da unidade. O acesso à carga de gás do terminal foi bloqueado.

Nas plataformas, até o começo da manhã, aderiram à greve quatorze plataformas, que entregaram a operação das unidades: PCH-1, PVM-3, P-65, P-55, P-48, P-47, P-37, P-33, P-26, P-19, P-18, P-09, P-08, P-07.

Rio de Janeiro

Houve paralisação no Terminal Aquaviário da Baía de Guanabara. Lá, não só os petroleiros efetivos paralisaram mas também, os contratados decidiram em uma assembleia própria, aderir ao movimento. A adesão dos terceirizados foi praticamente unânime.

Duque de Caxias

Em Duque de Caxias, houve uma forte adesão ao movimento de paralisação abrangendo a refinaria Duque de Caxias, a Termoéletrica, o Terminal de Campos Elíseos e também as unidades industriais da BR Distribuidora como a Fábrica de Lubrificantes (GEI).

Os terceirizados também aderiram ao movimento apesar da coerção da Petrobrás e empresas contratadas, que chegaram ao caso absurdo de exigir dos terceirizados provas fotográficas que estavam sendo impedidos de entrar.

Como parte da campanha de esconder que o governo Dilma é responsável por esta privatização, piqueteiros ligados ao SINIDIPETRO-CAXIAS, rasgaram uma faixa da oposição que acusava Dilma da privatização. A responsabilidade de Dilma, ocultada pelo sindicato, como acontece em várias unidades dirigidas pela governista FUP (Federação Única dos Petroleiros), gerou um grande debate nesta paralisação, reproduzimos abaixo o vídeo de Leandro Lanfredi falando na paralisação a respeito das privatizações:

Os petroleiros precisam fazer uma forte greve para derrotar a privatização de Dilma

Em muitas unidades de norte a sul do país um debate percorreu os piquetes: quem são os nossos inimigos e aliados

Em locais como a REGAP, em Betim, Minas Gerais, o sindicato local exibia uma faixa que atacava somente a ameaça de privatização do Pré-Sal com a lei de Serra.

Em Duque de Caxias, além de rasgar a palavra Dilma de uma faixa da oposição, o sindicato local, para não se pronunciar sobre o conteúdo da paralisação, exibia faixas que só diziam “paralisação nacional dos petroleiros”. Os defensores de Dilma no movimento sindical petroleiro fazem mil e uma artimanhas retóricas para esconder o papel de “seu” governo na atual situação da empresa, de como ela foi dilapidada pela corrupção e como agora está sendo privatizada. Porém, há limites para a retórica, pois tiveram que cruzar os braços no dia do conselho de administração, petista, que votará a privatização de 30% dos ativos.

Como foi dito em vídeo do petroleiro Leandro Lanfredi publicado acima, os petroleiros precisam derrotar dois inimigos, não só as ameaças de Serra, do Senado e das empresas estrangeiras, mas a imensa privatização petista, as intermináveis demissões que estão ocorrendo sob gestão de Dilma.

É preciso superar o controle dos sindicatos dirigidos pela governista FUP para lutar contra a privatização e a defesa imediata de todos empregos dos terceirizados. Para isto os petroleiros precisaram recuperar toda sua força e união como em 1995, quando não puderam contar nem mesmo com o PT, por mais que este fosse oposição a FHC, tanto que Lula criticava em rede nacional de televisão, esta greve.

Desta vez, os empecilhos a superar são maiores, os próprios sindicatos, em sua maioria ligados à FUP, os quais se opõem a uma luta frontal contra "seu" governo. Mesmo assim, a categoria mostrou hoje (24) grande disposição e pode impor uma forte greve para derrotar todos ataques à categoria, sejam eles tucanos ou petistas. A opositora FNP, onde participam sindicatos que são independentes do governo e setores da esquerda antigovernista como a CSP-Conlutas, estão chamados a comporem a linha de frente nesta luta.

Como publicado em um dossiê do Esquerda Diário a resposta à privatização e a corrupção não será dada pelas mãos de tucanos ou petistas, mas somente pelas mãos dos próprios trabalhadores, por isto, é necessário lutar por uma Petrobrás 100% estatal administrada democraticamente pelos trabalhadores.




Tópicos relacionados

Crise da Petrobrás   /    Mundo Operário

Comentários

Comentar