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DEMISSÕES FORD

“Fomos traídos pela Ford, foi uma punhalada nas costas”, diz trabalhador sobre demissões

Atos realizados em concessionárias da Ford no país protestaram contra as demissões da empresa multinacional que abruptamente anunciou querer fechar as portas. No ato em Taubaté, SP, o Esquerda Diário esteve presente recolhendo relatos dos trabalhadores que estão já há 10 dias fazendo vigília em frente à fábrica lutando contra as demissões.

quinta-feira 21 de janeiro| Edição do dia

Imagem: arquivo pessoal

No começo deste ano de 2021, a empresa imperialista Ford anunciou o fechamento das três plantas que possui no país, alegando impacto econômico com a pandemia. Estando no Brasil já há mais de 100 anos, a Ford quer fechar as portas e deixar centenas de milhares de trabalhadores sem emprego, afetando famílias inteiras em meio a uma pandemia que já deixou mais de 210 mil mortos pela Covid-19.

Na luta contra o fechamento das fábricas que vai demitir e afetar cerca de 120 mil trabalhadores, entre efetivos, terceirizados e indiretos, nesta quinta-feira, 21, foram organizados atos em concessionárias da Ford, na cidade de São Paulo, assim como em Taubaté, onde está uma das três fábricas que a multinacional imperialista possui no país. O Esquerda Diário conversou com os trabalhadores que estão se mobilizando desde o momento em que receberam a notícia e se solidariza com todos os trabalhadores e suas famílias.


Trabalhadores da Ford penduram seus aventais de trabalho na entrada da fábrica com os nomes de seus familiares que serão duramente afetados em meio à pandemia sem emprego e renda.

Segundo relatos, “de repente a fábrica teve uma atitude dessa, fomos pegos de surpresa, soubemos pela mídia. Foi um choque. A gente não esperava uma atitude dessas de uma multinacional”.

Não bastasse essa situação, os trabalhadores contam como há anos vêm sofrendo com cortes de direitos em troca da garantia de manutenção do emprego.

Segundo um trabalhador da planta de Taubaté, “Teve uma contratação em 2012 que muitos entraram pra trabalhar na Ford, mas a partir de 2014 a fábrica vem agindo na má fé, mandando várias pessoas embora ano a ano. Nunca esperamos que iria acontecer isso em 2021, porque ao longo dos anos fomos abrindo mão de direitos com a garantia de emprego. Desde 2014 fomos prejudicados. Tudo o que fizemos não valeu a pena. Sem aviso prévio mandou todo mundo embora. Nosso sentimento enquanto trabalhador da Ford é que fomos traídos por ela. Foi uma punhalada nas costas de todos os trabalhadores. É revoltante.”

Já há vários anos declarando supostas dificuldades financeiras, a Ford reduziu salários, instituiu planos como o PDV e PDI para centenas de trabalhadores, dentre demais acordos que prejudicaram os trabalhadores em troca de garantir a manutenção do emprego. Entretanto, neste ano anunciaram que iam fechar suas portas.

Com um acordo coletivo realizado, os trabalhadores da planta de Taubaté, terão seus empregos garantidos até 31 de dezembro deste ano de 2021. No entanto, como apontam os trabalhadores, “esse acordo provavelmente a Ford vai ter que cumprir, mas do jeito que ela quiser. Se quiser dar o montante dos meses daqui até dezembro, ela dá de uma vez e pronto”, ficando claro que para a empresa não interessa a vida dos trabalhadores, mas somente seus lucros e objetivos.

Leia mais: Barrar as demissões na Ford: que as centrais sindicais construam uma forte luta nacional

Diante de tamanho absurdo, é preciso que as centrais sindicais organizem verdadeiros planos de luta, transformando em uma luta nacional, unificando diferentes categorias de trabalhadores. Como dito por um dos trabalhadores da Ford de Taubaté, “é importante manter essa unidade e buscar a luta, conscientizar toda a população e órgãos que a gente possa envolver. Porque se hoje se anunciou o fechamento da Ford, amanhã pode ser da GM, depois de outra fábrica, então todos os trabalhadores têm que estar envolvidos nessa luta para manter o emprego, ter condição boa de vida. Sem beneficiar só o empresário”.

É preciso denunciar todos os ataques aos direitos trabalhistas aprovados em unidade por Bolsonaro, Maia, o judiciário, os militares, a grande mídia e os partidos de direita e do centrão. Nós do Esquerda Diário nos solidarizamos aos trabalhadores efetivos e terceirizados e suas famílias, assim como apoiamos a luta contra as demissões.




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