Filas e ostensão policial marcam início de isolamento da cidade do Rio

Nesta manhã, o controle de acesso gerou grandes filas de trabalhadores em diversos pontos de acesso aos ônibus e terminais. A presença ostensiva da polícia serviu para verificar se os trabalhadores estavam dentro da categoria de “serviços essenciais”.

segunda-feira 23 de março| Edição do dia

Nesta manhã, o controle de acesso gerou grandes filas de trabalhadores em diversos pontos de acesso aos ônibus e terminais. A presença ostensiva da polícia serviu para verificar se os trabalhadores estavam dentro da categoria de “serviços essenciais”.

Ocorreram filas de trabalhadores em diversos pontos da cidade como consta esta matéria. Estes trabalhadores, entre os trabalhadores da saúde e sanitários, como garis e terceirizados da limpeza, até porteiros e operadores de telemarketing, são aqueles obrigados pelo estado a continuar o trabalho precário agora enfrentando não só a pandemia, mas também aglomerações geradas pela própria polícia para entrar na cidade do Rio de Janeiro.

Uma contradição absurda diante de toda a orientação de evitar aglomerações que parte de todas os meios de comunicação e instituições de poder. São estes os trabalhadores que estão sendo obrigados a pagar a crise, somando a exposição da saúde e até a própria vida ao risco do contágio para manter os lucros dos patrões e não as condições sanitárias e da saúde da população trabalhadora do RJ.

A polícia nesta manhã de segunda verificava as carteiras de trabalho e crachás dos trabalhadores aglomerados em filas. Além de formarem multidões e por em risco a saúde destes trabalhadores, desde Crivella, Witzel e Bolsonaro, não se importam com a desesperadora situação de muitos trabalhadores que, mesmo nesta pandemia e com o risco do contágio, se arriscam a tentar entrar no RJ para tentarem garantir o seu sustento e sobreviver.

Como consta a matéria, foram flagrados até mesmos ônibus lotados de passageiros. Witzel consegue combinar suas medidas autoritárias de impedir a circulação de pessoas e impor o isolamento social, que por si só todos os exemplos internacionais demonstram a insuficiência como a Itália e Espanha, com a imposição do Estado de espaços de contágio como são as filas e os meios de transportes públicos cheios.

É necessário que o isolamento social, coisa que Witzel e sua polícia assassina não se importam de fato, seja acompanhado de testes massivos para o Covid-19, já que 80% das transmissões ocorrem em pessoas que não demonstram sintomas, o estado do RJ perdeu. Com essa testagem massiva e a alta produção de dados estatísticos, como ocorre na Coreia do Sul, os centros de contágio e grupos de risco poderiam ter a vida protegida.

A saúde destes trabalhadores é tratada com desdém, estão sendo obrigados pelo Estado a autoritariamente manterem suas atividades colocando em risco sua saúde para evitar a quebra total do RJ e os interesses eleitorais de Crivella e Witzel. Recebemos diversas denúncias de trabalhadores que estão sendo obrigados não só a se exporem no caminho ao trabalho como pelos patrões, que se negam a oferecer condições mínimas de proteção.

É necessário que os governos e os patrões garantam álcool em gel e todas as ferramentas necessárias contra o contágio; o Rio de Janeiro foi onde mais leitos de hospital foram fechados desde a pandemia do H1N1 em 2009, é necessário que os 17 mil leitos sejam reabertos e novos de UTI sejam criados; a contratação imediata de profissionais da saúde que estejam desempregados e de estudantes com treinamento; a garantia de 100% do salário e dos direitos dos trabalhadores que forem afastados.

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