Gênero e sexualidade

FEMINICÍDIO

Feminicídio: mulher é estrangulada pelo namorado em Campinas

Claudenice Eneas Nobre, 41, foi morta pelo companheiro na madrugada desta segunda-feira, 1, no bairro São Pedro, em Campinas. Segundo o boletim de ocorrência, os indícios indicam que Claudenice foi estrangulada com um cinto.

segunda-feira 1º de junho| Edição do dia

De acordo com o depoimento de vizinhos à polícia, por volta da meia-noite eles começaram a ouvir gritos de socorro da vítima e bastante barulho vindo do interior da casa. Tentaram então ligar para a vítima, que não atendeu, e foram para a frente de sua casa, onde encontraram Francenildo Francisco de Macedo, de 26 anos, correndo de um lado para o outro. O assassino fugiu em seguida, e permanece foragido.

Durante a pandemia, o governo federal registrou um aumento de 9% no volume de denúncias recebidas pelo Ligue 180, serviço que recebe informações sobre violência doméstica. Ordens de permanecer em casa, práticas de distanciamento social, quarentenas, e um desemprego crescente aumentam a exposição das mulheres a situações abusivas e isolam as vítimas de redes sociais que podem ser capazes de ajudá-las ou intervir em seu nome. Dessa maneira, as vítimas são propensas a estar em casa com seus abusadores por períodos longos de tempo e estão, ao mesmo tempo, mais isoladas da ajuda da qual precisam. No Rio de Janeiro, as notificações dos casos de violência contra mulheres aumentaram 50% em relação ao mesmo período no ano passado.

Durante o período de 2000 a 2010, mais de 50 mil mulheres foram vítimas fatais da violência doméstica, que é incentivada por discursos machistas e misóginos como os que são feitos pelo presidente Bolsonaro e toda sua corja, junto com a reacionária Ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, que usa a palavra “mulher” de seu ministério apenas para seguir legitimando a discriminação e a violência contra a mulher, pregando contra o aborto, que mata milhares de mulheres todos os anos, sempre que tem a oportunidade.

O machismo é estrutural e funcional ao capitalismo, e por isso é utilizado e reforçado por todos os políticos da direita e da extrema direita, bem como todos os que desejam manter esse sistema de exploração, servindo para proporcionar às mulheres salários mais baixos, ao mesmo tempo que permite que elas tenham duplas e triplas jornadas de trabalho, sendo escravas do trabalho doméstico e do cuidados dos filhos, que são trabalhos não pagos e muito lucrativos para o capitalismo. Tendo salários mais baixos que os homens, a discriminação contribui para o rebaixamento salarial do conjunto da população. Assim como o machismo também serve para dividir a classe trabalhadora, com homens e mulheres sendo inimigos entre si, quando na verdade são parte de uma mesma classe e alvos dos mesmos inimigos, os capitalistas, que através de seus meios impõem sua ideologia machista aos trabalhadores em função de seus próprios interesses.

A pandemia mostra a extrema necessidade de que existam abrigos abertos e seguros para as mulheres, com medidas sanitárias adequadas para que as residentes doentes possam estar em quarentena apropriada para preservar a vida delas e dos funcionários, sem superlotação de quartos, podendo, por exemplo, colocar casas vazias, dormitórios e hotéis a serviço do combate à violência contra a mulher. Junto a isso, é necessário atendimento psicológico a todas as mulheres e um salário mínimo de 2 mil reais a todas, que muitas vezes são dependentes financeiramente de seus companheiros. Além disso, também é necessária a licença remunerada dos trabalhos não essenciais e a criação de empregos e subsídios pra mulheres desempregadas.




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