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Porto Alegre | Fatos que Melo oculta para vender a Carris e satisfazer os lucros dos empresários

Sebastião Melo mal chegou ao paço municipal e já avança em seus planos de vender a Carris. Repetindo os passos de Marchezan, não passa uma semana sem anunciar sua venda, com tergiversações e malabarismos contábeis, com o intuito claro de agradar os tubarões do transporte. Os empresários, por sua vez, já esfregam suas mãos para colocá-las na centenária estatal. A pergunta que não quer calar: se a Carris dá tanto prejuízo assim, tem tantos gastos, está tão mal, por que alguém em sã consciência iria querer comprá-la?

terça-feira 2 de fevereiro | Edição do dia

A verdade é que a prefeitura, junto do recém empossado presidente da estatal, Maurício Cunha, manipulam números para parecer que a empresa está mal das contas e precisa ser vendida. Os gastos com a Carris foram bem maiores em 2020 do que em 2019, de fato. O que o emedebista não fala é que boa parte desses gastos aumentaram pois a Carris salvou o transporte público da cidade durante toda a pandemia enquanto os empresários das privadas estavam arregaçando com seus trabalhadores. Os motoristas e cobradores se arriscaram todos os dias na roleta e no volante para garantir que a cidade seguisse se movimentando na medida do possível. A Carris passou a rodar inúmeras linhas consideradas deficitárias (pois rodam muito e com poucos passageiros) pois os empresários das empresas privadas não queriam mais. Simples assim. Não dá lucro para o empresário do transporte? A Carris tomou para si para manter o mínimo de circulação. Para citar algumas linhas: Serraria Ponta Grossa, Belém Novo, Restinga, Lami… a Auxiliadora já foi considerada uma das linhas mais lucrativas da América Latina, com altíssimo índice de pagantes por quilômetro rodado, mas saiu da Carris durante a interessada licitação da administração Fortunati (cujo vice era o atual prefeito). Ou seja, para manter o mínimo de funcionamento do transporte na cidade, a Carris passou a rodar as linhas que não davam tanto lucro. Em momentos de crise nós vemos a importância dos serviços públicos e que Melo tanto quer acabar.

Outros fatores também entram na conta: O aumento do preço da gasolina, a diminuição do número de passageiros, o atendimento a linhas deficitárias, a sistemática precarização da Carris de gestões passadas… tudo isso desaparece do discurso de Melo e Maurício Cunha pois, obviamente, não é de interesse deles. Eles querem pintar uma Carris que só dá problema, com demagogia populista, com o objetivo claro de vender a Carris a preço de banana para seus amigos empresários poderem lucrar ainda mais.

A pandemia escancarou a falência do capitalismo em distintas áreas e o transporte público não foi diferente. Os empresários das empresas privadas demitiram inúmeros pais e mães de família durante a pandemia, reduziram salário, implantaram plebiscitos fraudulentos nas garagens para reduzir ilegalmente o salário dos rodoviários sem redução de jornada, demitiram ilegalmente líderes sindicais com estabilidade, repassaram linhas deficitárias pra Carris, arriscaram a vida de centenas de rodoviários pertencentes ao grupo de risco, receberam isenção fiscal milionária da prefeitura até 2022 (!!), tentaram acabar com o cargo de cobrador, retiraram benefícios de idosos… tudo isso com o aval do antigo prefeito, a bênção do atual e a ajuda do sindicato que não organiza os trabalhadores para resistir. Como se tudo isso não bastasse, agora querem lotear a Carris para ampliar ainda mais seus lucros. A verdade é que estão arrasando com os trabalhadores rodoviários e os usuários e querem arrasar ainda mais.

Os ataques à Carris vem de muito antes. A gestão do MDB, o mesmo partido de Melo, ficou famosa na cidade pelos desvios na empresa com fins de abastecer a campanha eleitoral em 2016. O Ministério Público apurou que oito pessoas teriam recebido dinheiro de alguém que usava identidade de uma criança morta em 1961. O MDB também ganhou renome com os escândalos dos adesivos da copa de 2014, quando o então presidente da Carris, João Pancinha, foi denunciado por superfaturar o serviço de adesivagem de ônibus. Ou seja, não é de hoje que o MDB tenta roubar dinheiro público da Carris. Dessa vez eles querem liquidá-la por completo.

Diante desse cenário, é preciso lutar contra a privatização da Carris. Os trabalhadores, organizados em cada garagem, devem resistir a esse brutal ataque que vai precarizar ainda mais o transporte público da cidade. A luta em defesa da Carris deve ser uma luta de todos os rodoviários, pois se num primeiro momento os trabalhadores da Carris serão os mais afetados, é o conjunto da categoria que será atacada e a patronal sairá fortalecida para desferir ainda mais ataques (como a extinção dos cobradores, mais arrocho salarial, etc.) Os passageiros também devem fazer parte dessa luta, pois a tendência é aumentar ainda mais a já abusiva tarifa a fim de garantir os lucros dos empresários. Na luta em defesa da Carris, devemos erguer também a bandeira do transporte 100% Carris e sob controle dos próprios trabalhadores e usuários, pois são eles os que sabem melhor como o transporte deve funcionar.




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