Cultura

JBS-FRIBOI E A MÍDIA

Fátima Bernardes: guerra, corrupção, presunto & mortadela.

Autorizada pela Rede Globo para fazer campanhas publicitárias, Fátima Bernardes dá um "novo" mergulho na piscina de moedas do "Tio Patinhas", ou melhor, nos cofres da JBS, dona da marca "Seara".

quinta-feira 6 de agosto de 2015| Edição do dia

1-Trabalhadores entram em greve e causam transtornos à população.

2- George W. Bush vence as eleições e é o presidente dos EUA.

3- O governo federal vai dar socorro financeiro às montadoras de automóveis.

Agora, no "Jornal Nacional".

Fátima Bernardes apresentou durante 14 anos (1998-2012) o "JN", "o telejornal da família brasileira" que foi ao ar em 1969 para ser o "porta-voz" da Ditadura Militar e do capital estrangeiro, particularmente do capital norte-americano, que patrocinou Golpes de Estado e regimes ditatoriais na América Latina.

O "Jornal Nacional" produz notícias e distorce os fatos. Sua "escalada" vertiginosa apoiou e apoia a ação das tropas imperialistas no Oriente Médio, embeleza políticos corruptos, defende grandes fazendeiros, ataca a luta de trabalhadores, difama os movimentos sociais e destila o racismo contra o povo negro e pobre através de matérias sensacionalistas que espetacularizam a violência e transformam policiais em heróis.

Da manipulação dos fatos aos fatos inúteis. Os limites entre a "informação" e o "entretenimento".

Em 2012, a jornalista se despede do "JN" para apresentar "Encontro com Fátima Bernardes" (Rede Globo), um programa de entrevistas, bate-papo e curiosidades do mundo das "estrelas". A Rede Globo apostou em um programa tipo café da manhã pequeno burguês com policial cantando ópera. Aos poucos a emissora vai desconstruindo a imagem de "jornalista oficial" para construir o papel de animadora de auditório.

"Credibilidade" para vender

Autorizada pela Rede Globo para fazer campanhas publicitárias, Fátima Bernardes dá um "novo" mergulho na piscina de moedas do "Tio Patinhas", ou melhor, nos cofres da JBS, dona da marca "Seara".

"Pela primeira vez vocês estão me vendo num comercial de televisão. Sabem por quê? Porque mesmo satisfeita a gente pode experimentar coisas novas". Fátima Bernardes diz que está falando da "Seara" porque acredita que esta marca tem à ver com "boas mudanças".

A JBS, dona da marca "Seara", maior processadora de carne bovina do mundo, citada na "Operação Lava Jato", sócia do BNDES e principal empresa patrocinadora das campanhas eleitorais de partidos como PT e PSDB, recebeu o título de empresa "campeã nacional" em acidentes e exploração do trabalho. Em quatro anos esta gigante da carne deixou mais de 7 mil trabalhadores doentes ou incapacitados para o trabalho.

Além de explorar, oprimir, incapacitar e matar trabalhadoras e trabalhadores, a JBS persegue seus funcionários e funcionárias com a mesma sanha que lucra.

Em janeiro de 2015, os trabalhadores da unidade JBS-Seara (Osasco) organizaram um abaixo-assinado questionando a cobrança das refeições, que passou a serem descontadas direto nos salários. Andréia Pires, trabalhadora do terceiro turno há cerca de três anos e cipeira nesta unidade, foi demitida por justa causa por participar da organização do abaixo-assinado.

Ou seja, a Rede Globo quer construir um novo "estilo" para continuar suas velhas alianças. Promover os interesses dos grandes empresários e fazendeiros que lucram milhões às custas dos trabalhadores, só que agora num tom mais ameno, com cheiro de frango, presunto, pizza, salsicha, linguiça, mortadela e lasanha.

"Tá sentindo o cheirinho" de exploração do trabalho e corrupção?




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