Sociedade

Não ao despejo

Famílias de Guernica, da província de Buenos Aires, realizam manifestações reivindicando por moradia

Eles exigem uma audiência com uma representação do governo federal. Eles pedem por solidariedade para impedir o despejo ordenado pela Justiça

terça-feira 22 de setembro| Edição do dia

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Nesta segunda-feira, dia 21, as famílias de Guernica protagonizaram uma nova jornada de lutas pelo direito à moradia e contra a ameaça de despejo que a Justiça ordenou para os dias 23, 24 ou 25 de setembro. Elas se concentraram no Obelisco e marcharam rumo à Plaza de Mayo.

Elas vêm junto com famílias que lutam por terras em outras partes dos subúrbios, como González Catán. Por sua vez, trabalhadores da saúde que também lutam por seus direitos e protagonizam uma jornada de luta nas ruas irão se somar a essa reivindicação esta manhã.

“Os trabalhadores dos assentamentos apelam à mobilização para exigir uma solução social e não repressiva, uma mesa de negociação composta por delegados dos assentamentos e membros do governo nacional, provincial e municipal. Queremos a suspensão dos despejos por 180 dias e o fim dos abusos policiais contra os moradores dos assentamentos ”, afirmam em nota.

Até agora, não receberam nenhum tipo de resposta do governo municipal de Blanca Canteros, da Frente de Todos ou do governo provincial de Axel Kicillof que ofereça uma solução para a situação habitacional das famílias que estão desde 20 de julho exigindo uma moradia decente.

Durante o final de semana, diferentes organizações aproximaram, em um gesto de solidadeira, do propriedade Guernica para trazer doações. Houve relatos de assédio policial a quem tentava chegar ao local e tentativas de impedir a passagem de vans com alimentos para as famílias. Esta manhã, um jovem do bairro denunciou na Rádio con Vos que a polícia não os deixou passar nem mesmo lenha para acender à noite.

Se tratam de famílias que ficaram sem renda durante a pandemia, que viveram dia após dia com dificuldades, e que não podiam mais pagar o aluguel nem a alimentação dos filhos.

Nesta quinta-feira 17, as famílias em luta por moradia mobilizaram-se com a esquerda e o sindicalismo militante na Plaza de Mayo e no Obelisco. Durante o dia, eles chamaram todas as organizações solidárias à situação para marchar esta segunda-feira em solidariedade e para impedir o despejo.

Reproduzimos uma declaração das famílias:

SEGUNDA-FEIRA 21, MARCHA PELA TERRA E POR HABITAÇÃO. TERRA PARA VIVER!!!

Por iniciativa dos delegados do assentamento Presidente Perón (Guernica), está sendo convocada uma mobilização dos assentamentos da província de Buenos Aires, que se multiplicaram todo o país, mostrando que se trata de uma catástrofe habitacional, fruto da crise de um regime social que nem mesmo pode garantir trabalho, saúde, alimentação ou um pedaço de terra para se morar.

Os trabalhadores dos assentamentos convocam todos à mobilização para exigir uma solução social e não repressiva, uma mesa de negociação composta por delegados dos assentamentos e pelo governo nacional, provincial e municipal. Queremos a suspensão dos despejos por 180 dias e o fim dos abusos policiais contra os moradores dos assentamentos.

A Frente de Luta Piquetero, que reúne mais de 15 organizações, alertou desde o início sobre este fenômeno social de auto-organização de grandes massas populares, que a solução não pode ser a repressão e que é necessário que as organizações populares , sindicatos, organizações de direitos humanos e partidos políticos prestem apoio a esses trabalhadores.

Num país com milhões de hectares ociosos, NÃO PODE SER QUE AS FAMÍLIAS SEM CASA NÃO TENHAM UM LUGAR PARA VIVER!

O governo Kicillof afirmou que só tem o despejo a oferecer, e seu ministro Berni representa mais do que ninguém essa linha repressiva, e se encarrega de aplicá-la na província de Buenos Aires, o que teve como consequência dezenas de casos de gatilho fácil contra jovens pobres e é responsável pelo desaparecimento e morte de Facundo Astudillo Castro. O governo da Província cedeu ao motim policial e deu-lhes um grande aumento, aumento esse que é negado aos trabalhadores da educação e saúde.

O Governo Fernández escolheu o caminho do ajuste e isso só acontece com repressão, é preciso que apoiemos aqueles que lutam contra os cortes e a repressão, que todos os assentamentos VENHAM PARA PLAZA DE MAYO PARA REIVINDICAR LUGAR PRA MORAR!!!

CONVIDAMOS TODOS OS DELEGADOS DOS ASSENTAMENTOS A MARCHAR DO OBELISCO ATÉ A PLAZA DE MAYO E SOLICITAMOS UM ENCONTRO COM O GOVERNO NACIONAL PARA ENCONTRAR UMA SOLUÇÃO PARA A FALTA DE TERRAS E MORADIA DA QUAL SOFREM MILHÕES DE FAMÍLIAS.

SEGUNDA-FEIRA 21 NO OBELISCO.

Assinaturas: POLO DO TRABALHADOR -MTR HISTÓRICO - MTR VOTAMOS LUCHAR - CUBa. MTR- MIDO- MAR, MOV 29 DE MAIO - BLOCO NACIONAL DE PIQUETERO (T.Ou.Re- AGRUPACION ARMANDO CONCIENCIA-RUP- OTL) - MTR 12 DE ABRIL - FDU, BUEL, A TRABAJAR, - AGRUP 17 DE NOVEMBRO - MDL - MTL REBELDE




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