Juventude

CRISE UNIVERSIDADES FEDERAIS

Falta de luz: crise da UFBA ou crise das Universidades?

Na manhã da segunda-feira, dia 27/07, a energia da UFBA foi cortada em dois pavilhões, o da administração e da politécnica, e havia ameaça de corte na Reitoria, pela COELBA, por falta de pagamento das contas. Isso ocorreu, pois, desde do início do ano, a Universidade vem aprofundando um processo de crise em sua estrutura, gerado também pela falta de orçamento, devido aos cortes do governo Dilma de 9,4 bilhões na educação, que atingiu 1/3 do repasse das Universidades Federais

quinta-feira 30 de julho de 2015| Edição do dia

Foto: Margarida Neide

Desde o início do ano, a UFBA tem apresentado problemas orçamentários, assim como diversas universidades brasileiras, que apenas foram se intensificando, principalmente após os cortes bilionários da “pátria educadora”. A UFBA iniciou seu ano já com uma dívida de 28 milhões acumuladas do ano anterior, sendo 25 milhões relativos a custeios como contas de luz, água, telefone, internet, pagamento de empresas terceirizadas e os outros 3 bilhões relativos a obras de infraestrutura, muitas delas inacabadas. Dessa maneira, conseguimos perceber o quão profundo seriam esses cortes para a federal baiana que iniciou seu ano com unidades que não tinham água, com seus funcionários mais precários, os terceirizados, sem receber, sem dinheiro sequer para pegar o ônibus para ir trabalhar, originando sua greve no início do ano.

Em meio a todos esses problemas que a universidade pública passava, o recente corte de luz já poderia ser previsto. Há dois meses sem conseguir quitar suas dívidas com a companhia fornecedora, aconteceu o inevitável – a energia foi cortada. Segundo o reitor, a companhia deveria ter sido menos inflexível e ter conversado com a universidade, já que esta é um bem público, apesar de sabermos que apenas uma pequena parcela da população tem acesso a ela. Após essa medida extrema por parte da COELBA, a conta foi paga rapidamente, com uma liberação urgente de verba federal para que a universidade não acabasse no escuro, o que, aliás, prejudicaria a produção científica e seria desvantajoso para o próprio governo.

Foi essa situação de crise generalizada na UFBA – e não só nela, já que diversas universidades estão passando por situações parecidas como as próprias estaduais do estado UNEB, UESC, UEBS e UEFS – que motivou as greves dos três setores da universidade federal baiana (estudantes, docentes e funcionários) que também ocorrem nas suas estaduais, e, inclusive, forçou o reitor, que, na realidade, defende um projeto de universidade fechado e excludente, a chamar um ato público, cheio de contradições, mas que escancarou a impossibilidade de se manter as fachadas em uma universidade diretamente atacada pelos ajustes.

Essa conjuntura só demonstra novamente a profunda crise que as universidades passam nesse momento, demonstrando ofim do ciclo lulista nas universidades, marcado por conciliações e ilusões que já não se sustentam, no cenário econômico atual. Mais do que nunca, a juventude deve aliar-se aos trabalhadores, cada vez mais precarizados, sem confiar nas reitorias e burocracias acadêmicas, para lutar por uma educação pública de qualidade, de fato, e acessível a todos!




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