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FHC e os "votos de esperança" da corrupção tucana

O ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso publicou um vídeo com seus "votos" para 2016 em que critica a corrupção e defende "resolver a questão política" para que se possa reverter dados negativos da economia.

quarta-feira 23 de dezembro de 2015| Edição do dia

O ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso publicou um vídeo com seus "votos" para 2016 em que critica a corrupção e defende "resolver a questão política" para que se possa reverter dados negativos da economia.

"Temos que ter a coragem de mudar o modo de como se faz política no Brasil. Vamos acreditar que somos um País que pode ir adiante, pois nosso maior recurso somos nós mesmos, o povo brasileiro."

O tucano não nomeia expressamente a presidente Dilma Rousseff, nem menciona o escândalo de corrupção na Petrobrás, em uma semana com êxitos importantes ao governo Dilma, como a decisão do impeachment nas mãos do Senado, e as marchas em apoio ao governo terem sido maiores que aquelas por seu impeachment. Em sua mensagem, no entanto, critica "a forma de fazer política no país e a forma como a corrupção tomou corpo no país".

"Então meus votos são que no próximo ano nós tenhamos a coragem de fazer o que é necessário: mudar a política, mudar para valer. Eu não quero individualizar, se é para tirar A para botar B. É mais do que isso. É mudar o modo como se faz política no Brasil. Precisamos de mais decência, é preciso acabar com a corrupção organizada como ela se organizou no Brasil."

Esta filantropia tucana, que segundo FHC "valoriza seu maior recurso, o povo brasileiro", se derramou em doses pediátricas aos professores da rede pública de SP, reprimidos numa greve de 92 dias contra a intransigência de Alckmin, repressão que foi seguida à risca pelo governador tucano do Paraná, Beto Richa, também contra os professores em greve; e o que dizer desta "valorização dos recursos humanos" com o plano de fechamento de escolas, cuja revogação Alckmin foi obrigado a engolir apenas depois da enérgica resistência dos estudantes da rede pública e a ocupação de mais de 200 escolas em todo o estado de SP?

A gestão de FHC foi a responsável por iniciar a privatização da Vale e sua entrega aos acionistas estrangeiros. Esta entrega dos nossos recursos naturais aos monopólios imperialistas - procedimento continuado pelo PT, que tem hoje na figura de Fernando Pimentel um defensor acérrimo das mineradoras contaminantes - esteve na base da tragédia capitalista da Samarco em MG, afetando a vida de milhões de trabalhadores e destruindo a vida do Rio Doce.

Mas o cinismo de FHC aparece em toda a sua "grandeza" quando a filantropia tenta se converter em probidade. Segundo o ex-presidente, é preciso "acabar com a corrupção organizada", em referência indireta ao PT, que se encontra enterrado a sete palmos num pântano de corrupção, desde José Dirceu até Delcídio Amaral. Mas os votos de FHC esquecem da fórmula latina, De te fabula narratur [a história é sobre você mesmo]. O discurso de FHC, assim como o de Serra, sobre as ilicitudes praticadas pela gestão petista é uma hipocrisia do começo ao fim. O PSDB está tão envolvido quanto o PT nos mais grotescos esquemas de corrupção, como o mensalão mineiro, que levou à prisão o ex-presidente nacional do PSDB Eduardo Azeredo (por meio do qual foram desviados recursos de estatais mineiras para sua campanha à reeleição do governo de Minas em 1998). São notórios os desvios de dinheiro do Metrô e da CPTM em SP, além das privatizações tucanas de rodovias e do transporte sobre trilhos (linha 4), que encarecem a mobilidade dos trabalhadores e de toda a população. Como se não bastasse, organizou "de maneira exemplar" a crise hídrica paulista, interrompendo o abastecimento de água nas escolas e principalmente nos bairros periféricos em nome de preservar os lucros dos acionistas da SABESP.

O ex-candidato à presidência pelo PSDB e atual presidente nacional da sigla, Aécio Neves, também coleciona escândalos de desvio de dinheiro público, como nos casos de corrupção com desvio de verbas da saúde pública (7,6 bilhões) de seu aeroporto particular (desvio de 14 milhões do Aécioporto) em fazenda no interior do estado enquanto foi governador de MG entre 2003 e 2010.

O cinismo tentou converter a filantropia em honestidade, mas não convence ninguém. "Mudar para valer" a política, nas palavras de FHC, significa trocar o Petrolão petista pela privataria tucana, substituir os ataques neoliberais de Lula e Dilma contra os trabalhadores pela "razão neoliberal tucana" que inspirou o fisiologismo atroz do PT.

Os trabalhadores não podemos estar nem com o ajuste petista nem com o neoliberalismo tucano. Mobilizemos nossos sindicatos para impor uma Assembleia Constituinte que derrube esse regime apodrecido e estabeleça o controle dos trabalhadores e do povo pobre sobre os rumos do país, com deputados revogáveis e que ganhem o mesmo salário de um professor. Uma política independente dos trabalhadores deve se chocar contra todas as instituições apodrecidas deste "Regime de 88", articulado a uma profunda mobilização nacional contra os ajustes.

Somente combinando essa resposta independente para a crise política, com grandes batalhas na luta de classes contra o ajuste (terreno onde a esquerda não deu nenhum exemplo até agora), será possível construir uma mobilização independente do governo, da direita e desatar uma mobilização que possa colocar abaixo esse regime podre e abrir espaço para a luta por um governo dos trabalhadores.




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