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UFRN | Extrema-direita que arranca faixa na UFRN é a que ataca universidades e cotas junto a Bolsonaro

Na segunda-feira, um sujeito da extrema-direita, estudante de Jornalismo da UFRN e assessor do deputado General Girão (PL), tentou arrancar uma faixa da juventude Faísca Revolucionária, numa tentativa de ataque às ideias e organizações de esquerda do movimento estudantil. Soldado do reacionarismo, ele faz parte do mesmo setor encabeçado por Bolsonaro e militares, que ataca as cotas raciais e realiza enormes cortes de bolsas de pesquisa junto ao Congresso.

Ítalo GimenesMestre em Ciências Sociais e Coordenador do CACS Marielle Franco da UFRN

quinta-feira 19 de maio | Edição do dia

Na segunda, dia 16, um marketeiro da extrema-direita, assessor do deputado General Girão (PL) e estudante de Jornalismo da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), tentou arrancar uma faixa da Faísca Revolucionária no Setor de Aulas II, com uma citação de Karl Marx, num ato nitidamente planejado e teatral para colocar em suas redes um suposto discurso contra o comunismo. Os estudantes reagiram e recuperaram a faixa das mãos desse sujeito, gravaram vídeos e penduraram outra faixa com os dizeres “Não permitiremos ataques da extrema-direita”.

Sujeitos como esse fazem parte da base social da extrema-direita, de apoiadores de Bolsonaro, que propaga discurso reacionário racista e contra as universidades, atacando a conquista de cotas étnico-raciais, como Fernando Holiday em São Paulo e esse mesmo sujeito em Natal, dizendo que as universidades são “ninhos de ratos”. Da mesma forma, um grupo neonazista atacou um bar estudantil da Unicamp, ameaçando sobretudo estudantes negros e indígenas, que responderam com uma importante manifestação contra esse absurdo. É inadiável o combate a Bolsonaro e essa extrema-direita.

Contra estudantes, trabalhadores e professores, junto a essa extrema-direita, Bolsonaro e o bolsonarismo, o Congresso aprova , cortes brutais nas bolsas de pesquisa e ensino, oorçamento da educação, com redução de 12% do orçamento das universidades federais, assim como se propõe a rever a lei de cotas. Só esse ano foram R$ 6 bilhões cortados, representando 7,4% de redução do orçamento da UFRN desde o ano passado. Todos cortes garantidos pelo autoritarismo dos militares e do STF. Uma situação de precarização que fica evidente com universidade em uma situação pior do que antes do ensino remoto da pandemia. Quem mais sofre com essa realidade são os estudantes pobres, filhos de trabalhadores da universidade, com RU a R$8,00 e com a maioria dos auxílios ainda não tendo chegado. São os residentes, cotistas, todos aqueles que Bolsonaro se esforça pra que saiam da universidade.

E o cenário de carestia de vida, dentro e fora da universidade, se alastra cada vez mais com o descarrego da crise dos capitalistas nas nossas costas, com o aumento da inflação, do desemprego, e principalmente com os efeitos da reforma trabalhista, da previdência, e o processo de privatização da Eletrobrás e da Petrobrás. Ao mesmo tempo que atacam as universidades, respaldando que as reitorias atrasem auxílios estudantis, como acontece na UFRN, ou na UFRGS com o reitor-interventor bolsonarista reprimindo os estudantes, Bolsonaro e a Câmara de Deputados estão transformando em lei a precarização do trabalho, com a legalização da possibilidade de recebimento de meio salário mínimo. Essa votação agora vai seguir para o Senado, que também tem grandes chances de aprovação. O ataque às universidades busca adaptar a formação da juventude a esse cenário de precarização do trabalho e privatização. Além disso, Bolsonaro e o STF atacam os povos originários com o PL 191 que legaliza a mineração em terras indígenas e com o Marco Temporal. A luta dos povos indígenas, assim como das inúmeras greves operárias espalhadas pelo país são um exemplo de como enfrentar a extrema-direita e os ataques.

Nesse sentido, é urgente fortalecer a organização dos estudantes, com uma perspectiva de aliança operário-estudantil contra todos os ataques, unificados ao conjunto dos setores oprimidos, para derrotar Bolsonaro, a extrema-direita, os militares, o Congresso e o STF. Isso passa pela da auto-organização em cada local de estudo e trabalho, como faz o Centro Acadêmico de Ciências Sociais “Marielle Franco” (CACS), cuja gestão é composta pela Faísca Revolucionária e independentes, que estão convocando assembleia dos estudantes do curso desde o dia 14 de maio.

Inclusive, nós do Esquerda Diário nos somamos à exigência de que a reitoria da UFRN e a Direção do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes (CCHLA) se posicionem sobre o ataque bolsonarista no Setor II, em repúdio ao ataque sofrido pelo movimento estudantil da UFRN, assim como a garantia de todas as condições de organização e resposta que os estudantes, funcionários e professores decidam realizar.

Assim como parlamentares do RN, como as deputada Natália Bonavides (PT) e Isolda Dantas (PT), as vereadoras Brisa Bracchi (PT) e Divaneide Basílio (PT), os vereadores Pedro Gorki (PCdoB) e Robério Paulino (PSOL), deveriam colocar as suas bancadas parlamentares em repúdio ao ataque ocorrido na UFRN.

E também é necessário exigir que a União Nacional dos Estudantes (UNE), entidade nacional estudantil dirigida pela UJS (juventude do PCdoB) e pelas juventudes ligadas ao PT (Kizomba, Levante, Juventude do PT), realize assembleias através das centenas de DCEs, CAs e grêmios que dirige nas universidades e escolas, para organizar os estudantes de todo o país contra os ataques da extrema-direita. Assim como exigir da CUT e a CTB, centrais sindicais dirigidas pelo PT e pelo PCdoB, que estão em centenas de sindicatos pelo país, que rompam com sua inércia eleitoral e também organizem os trabalhadores contra os ataques. O Diretório Central dos Estudantes (DCE), entidade de base que representa todos os estudantes da graduação da UFRN dirigida pelo Juntos (MES-PSOL) e Correnteza (UP), deveria estar dando exemplo, organizando assembleia geral contra os ataques de Bolsonaro, a extrema-direita, os militares, o Congresso e o STF.

Dessa forma, também é preciso considerar que confiar em saídas meramente institucionais não pode apresentar uma resposta. Diante da recomposição de Bolsonaro nas pesquisas, o avanço do Centrão no Congresso, pode haver uma crença em que as instituições desse regime fruto do golpe institucional podem ser aliados de uma resposta, ou que devemos meramente esperar as eleições de outubro, mas concretamente não podem. Parte fundamental de articular o golpe institucional de 2016 e de manipular as eleições de 2018 foi o STF e o conjunto do Judiciário em suas diferentes alas, como a Lava-Jato, através da prisão e proscrição de Lula, do sequestro de milhões de votos com a biometria nas eleições presidenciais passadas.

Quem alimenta a ilusão de que podemos confiar em saídas institucionais e esperar as eleições de outubro é o PT, que hoje apresenta como proposta a chapa de Lula com Alckmin, espancador de professor e ladrão de merenda, se aliando abertamente, como fez em seus anos de governo, com a direita para gerir o regime político herdeiro do golpe de 2016, poupando qualquer nível de denúncia ao Judiciário e, sim, aos reacionários militares que se fortalecem cada vez mais. Fizeram isso alimentando, por exemplo como viemos discutindo aqui no Esquerda Diário desde o início, do engodo do impeachment, de que os escândalos expostos pela CPI da Covid poderiam levar ao impeachment de Bolsonaro. Hoje vemos que não foi isso que aconteceu, assim como sempre debatemos que o impeachment de Bolsonaro colocaria o general Mourão ao poder.

Em termos eleitorais, não somente Lula se alia com Alckmin, mas em terreno potiguar, Fátima Bezerra propõe reeleição contando como vice Walter Alves (MDB), um oligarca que faz parte de garantir que ⅓ da população potiguar esteja na extrema-pobreza, tendo como renda mensal cerca de R$89,00.

Consequentemente, será só confiando na força da unidade entre trabalhadores, juventude, indígenas, mulheres, negros, LGBTQIA+ que poderemos dar combate à extrema-direita e defender nossos direitos conquistados, como as cotas étnico-raciais, rumo ao fim do vestibular e estatização das universidades privadas. E dessa forma também batalhando pela redução imediata dos preços dos alimentos e combustíveis, por reajuste salarial mensal igual à inflação e por empregos para todos. Hoje vivemos pagando preços caríssimos nas contas de luz, e por isso é preciso batalhar também por uma Eletrobras 100% estatal, sob gestão operária e controle popular.

Veja também: Contra o bolsonarismo

Enfrentar Bolsonaro, a extrema-direita, os militares, Congresso e STF com a nossa força! Que os capitalistas paguem pela crise! Nesse sentido, que o marxismo revolucionário seja uma arma para que construamos uma sociedade livre da exploração e das opressões!

Como já dizia Karl Marx: “Que as classes dominantes tremam à ideia de uma revolução comunista”!




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