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Mordaça nas escolas | Extrema direita destila reacionarismo e lgbtfobia expondo aula de professor da rede pública

Maurício Souza, Bia Kicis, Flávio Bolsonaro, entre outros setores da extrema direita dispararam seu ódio nas redes sociais expondo professor da rede pública da região metropolitana de Campinas que dava aula sobre gênero e sexualidade. Nós do Esquerda Diário e do Nossa Classe Educação, repudiamos a absurda perseguição política do professor. A escola deve ser o espaço da mais ampla liberdade de pensamento e do necessário combate à opressão.

quarta-feira 23 de fevereiro | Edição do dia

Imagem: Reprodução

O bolsonarista Maurício Souza, que no ano passado foi demitido do Minas Tênis Clube por declarações homofóbicas, segue destilando seu reacionarismo e ódio nas redes sociais. O jogador que defendeu a homofobia como direito de opinião atacou novamente ao publicar em suas redes sociais um vídeo de parte de uma aula de um professor da rede pública de Jaguariúna que discutia questões de gênero e sexualidade. “ISSO É UMA VERGONHA. Escola não é lugar para isso. Vamos atrás desse professor ele não dará mais aula para ninguém”. Essa foi a legenda asquerosa da publicação de Maurício. Imediatamente, Bia Kicis, Cabo Gilberto Silva, Flavio Bolsonaro, Carlos Jordy e outros representantes da extrema direita também dispararam em suas redes sociais ofensas contra o professor e contra o próprio papel da escola: espaço da universalidade de conhecimento e da mais ampla liberdade de pensamento no processo formativo dos estudantes.

Vale lembrar que Bia Kicis, deputada federal pelo PSL, foi defensora assídua não somente do homeschoolling, mas também do projeto Escola Sem Partido. Um projeto reacionário que busca promover a perseguição ideológica e a criminalização de educadores ao colocar aqueles que discutem política, gênero, sexualidade, entre outros temas que ferem os setores reacionários como doutrinadores. A faceta persecutória e de agitação odiosa dos defensores do projeto ficou ainda mais escancarada com a decisão do Supremo Tribunal Federal de inconstitucionalidade da proibição do debate de gênero nas escolas. Após essa decisão o movimento publicou em seu twitter:

O debate de gênero e sexualidade para além de uma necessidade é uma demanda colocada pelos próprios estudantes e população de conjunto . De acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde Escolar (PeNSE) realizada pelo IBGE, em 2019 20,1% das estudantes de 13 a 17 anos relataram que sofreram algum tipo de violência sexual. Esses dados, assim como o recente e lamentável episódio de agressão de uma estudante trans em uma escola na cidade de Mogi das Cruzes (SP) são expressões concretas da realidade vivida por centenas de milhares de crianças e jovens, em especial, mulheres e lgbts. Nesse sentido, para além do próprio currículo que respalda a discussão, é tarefa dos educadores garantir combate ao machismo e a lgbtfobia no ambiente escolar.

Há um movimento claro da extrema direita em avançar com sua agenda reacionária alegando que a esquerda impregna a sociedade com valores contrários aos da família tradicional cristã. A intenção real por trás desse discurso disparado principalmente pela bancada da bíblia e da bala é um controle ideológico próprio e, portanto, reacionário que não somente legitima a opressão como também impulsiona a violência cotidiana contra as mulheres, negros e às lgbts.

O assédio aos professores que buscam a formação plena e crítica dos estudantes se aprofundou desde o início do governo de Bolsonaro e Mourão. Ambos são inimigos declarados da educação e colecionam para além de frases de ódio e o estímulo raivoso a sua base contra os ditos “doutrinadores”, ataques que impõe para os professores mais precarização das condições de trabalho e para os estudantes, da educação básica ao ensino superior, um futuro de miséria.

O sucateamento da educação pública é objeto de desejo de todo regime político do golpe institucional. O governador do Estado de São Paulo, João Doria - que se coloca como alternativa a Bolsonaro, faz do Estado de São Paulo um laboratório nacional para implementação da Reforma do Ensino Médio que não somente esvazia o currículo do seu sentido universal e impregna a lógica empresarial no ambiente escolar, mas também abre um caminho enorme para a privatização da educação e precarização das condições do trabalho docente . Vale lembrar que Doria para além de ser um defensor assíduo reforma do ensino médio e das escolas militares, foi responsável por ordenar a retirada de todos os materiais didáticos de ciências do 8 ano do ensino fundamental, pois alegou que o mesmo promovia “ideologia de gênero”.

Nós do Esquerda Diário e do Nossa Classe Educação nos solidarizamos com o professor agredido pela extrema direita. Não aceitaremos nenhuma mordaça. A escola deve ser o espaço da mais ampla democracia e, portanto, liberdade de expressão, onde a sexualidade e gênero de todes possam também se expressar. Chamamos todos os sindicatos e organizações de esquerda a repudiar veementemente esse assédio e exposição do professor.




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