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CPI DA COVID

Ex-ministros e gabinete negacionista de Bolsonaro têm sigilo quebrado pela CPI da Covid

Pazuello, Ernesto Araújo e integrantes do gabinete negacionista de Bolsonaro terão sigilo telefônico e informático quebrado, após aprovação nesta quinta-feira (10) pelos senadores da CPI da Covid, o teatro do regime para lavar a própria cara.

quinta-feira 10 de junho| Edição do dia

Foto: Agência Senado

Foi aprovada pelos senadores da CPI da Covid a quebra de sigilo telefônico e informático de ex-ministros do governo Bolsonaro, como Eduardo Pazuello e Ernesto Araújo, e de integrantes do gabinete paralelo criado para aconselhar Bolsonaro quanto à pandemia, organizando a linha negacionista que, junto com a conivência do próprio Centrão que dirige a CPI, levaram o país ao atual desastre de quase meio milhão de mortes.

O gabinete paralelo ou “gabinete das sombras”, como ficou conhecido, se trata de uma equipe de aconselhamento paralela ao Ministério da Saúde, que organizou entre outras coisas, a negação do número de mortes na pandemia e a campanha de Bolsonaro em defesa de medicamentos sem comprovação de eficácia contra a Covid-19, como a cloroquina.

A CPI dá uma cartada para buscar limpar a cara do resto do regime político do golpe, ao expor Bolsonaro e as principais figuras por trás das decisões genocidas de seu governo desde o início da pandemia. Confira aqui quem foram os ministros e conselheiros que terão o sigilo quebrado.

Eduardo Pazuello, o general e ex-ministro da Saúde diretamente responsável pela catástrofe no Amazonas, tem destaque na lista. Pazuello foi ministro durante os meses mais duros da pandemia, e junto com Bolsonaro negou a eficácia de vacinas, atrasou a compra de imunizantes e privilegiou fornecer, em regiões de colapso, medicamentos até agora sem eficácia comprovada contra a Covid-19.

Ernesto Araújo, ex-ministro das Relações Exteriores famoso por suas posições xenofóbicas e conspiracionistas. Araújo foi um dos principais articuladores das posições de extrema-direita do governo no cenário internacional, alinhado diretamente com o discurso de Trump, e foi disseminador da narrativa de que o medo do coronavírus seria uma arma da esquerda rumo ao comunismo (“comunavírus”).

Paolo Zanotto, médico virologista defensor da cloroquina e que ficou conhecido por aparecer em um vídeo recomendando Bolsonaro a criar um “gabinete das sombras”.

Carlos Wizard, o bilionário amigo de Bolsonaro, conselheiro de Pazuello durante sua gestão da Saúde e nomeado chefe da secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos (SCTIE), que coordena as parcerias com empresas privadas para a fabricação de medicamentos e insumos, além de analisar os insumos que estarão disponível no SUS e ser responsável por analisar os medicamentos de tratamentos para Covid-19, como a cloroquina.

Filipe Martins, assessor internacional da Presidência da República próximo de Araújo e famoso por fazer uma saudação dos supremacistas brancos estadunidenses.

Luciano Dias Azevedo, médico anestesista de quem teria partido elaboração de minuta de decreto para ampliar uso da hidroxicloroquina.

Zoser Plata Bondin Hardman de Araújo, advogado de Pazuello, que já defendeu diversos milicianos em processos judiciais.

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Mayra Pinheiro, a delirante “Capitã Cloroquina”, secretária de Gestão do Trabalho e da Educação do Ministério da Saúde. Foi responsável por criar o aplicativo em Manaus que permitia os pacientes se auto-diagnosticarem durante o pior momento da pandemia.

Alexandre Figueiredo Costa e Silva, auditor do TCU que elaborou o relatório que alegava “supernotificação” de mortes por Covid no país.

Também tiveram o sigilo rompido: Hélio Angotti Neto, secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos do ministério da Saúde; Arnaldo Medeiros, secretário de Vigilância em Saúde; Flávio Werneck, ex-assessor de Relações Internacionais do Ministério da Saúde; Élcio Franco, coronel e ex-secretário-executivo da Saúde na gestão Pazuello; e Francieli Fontana Fantinato Diretora do PNI (Programa Nacional de Imunizações).

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