Sociedade

POlÍCIA ASSASSINA

Ex-PM se gaba de bater em "puta, traveco, favelado" e revela mente genocida da corporação

Na última quinta-feira, 9, em live do curso Alfacon com o reacionário Evandro Guedes, o ex-PM destilou racismo, machismo e LGBTfobia. Chamando favelados de “crioulada” e afirmando seu ódio ao dizer que gosta de bater nas pessoas, gerou grande repúdio nas redes sociais.

quarta-feira 15 de abril| Edição do dia

O reacionário Guedes é fundador da Alfacon, mesma que Eduardo Bolsonaro defendeu para fechar o Supremo Tribunal Federal (STF) em 2018 dizendo que “basta um soldado e um cabo”. De acordo com a plataforma, atuou na Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ) e no Departamento Penitenciário Federal (Depen) em Cascavel, Paraná.

A live conta com uma série de afirmações absurdas, manifestações racistas, machistas, transfóbicas. Ao relatar sobre um absurdo episódio no Maracanã quando era PM, Guedes fala que agrediu "um favelado" que jogou uma lata com urina contra ele. Em troca, ele agrediu toda a ala de torcedores presentes no estádio, destilando ódio ao afirmar abertamente: "Ali eu descobri que gosto de bater nas pessoas". Seu racismo ao contar esse episódio é totalmente escancarado: "Porra, mijo de favelado. Aquela crioulada, todo mundo rindo", diz. Um capitão teria dado a ordem para bater. "Foi o primeiro ato de execução de maldade e crueldade que eu fiz", disse.

No vídeo, Evandro responde a dúvidas sobre o ingresso na Polícia Rodoviária Federal (PRF). Se referindo a como os policiais serão vistos pelas mulheres de forma totalmente machista, afirma: “vocês serão aqueles caras foda que toda mulher vai querer dar se for solteira.”

Também afirma no vídeo: "Me perguntam: ’Já bateu em muita gente?’ Já, inclusive nas putas. Entrava e todo mundo tomava borracha. Você era violento na Polícia Militar? Muito violento. Evandro, você já pegou dinheiro? Dinheiro, não. Sou honesto para caramba, mas porrada sobrou. Homens, mulheres, velhos, crianças e adolescentes. Todo mundo tomou", diz.

Ele se referiu à forma absurda, reacionária e transfóbica que trata as pessoas. Afirmou que o assassinato hipotético de uma mulher trans não é feminicídio. "Eu estou metendo no rabão dele, bonitinho, dei um tiro na cara do traveco. Tem peru, tem? Não é feminicídio, não. Travesti sem pinto? Feminicídio", diz Guedes.

Um verdadeiro absurdo, principalmente em um país que lidera o ranking mundial de assassinatos de travestir e transexuais, como mostrou a pesquisa de 2017 da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA) em parceria com o Observatório da Saúde LGBT e com o Núcleo de Estudos de Saúde Pública do Centro de Estudos Avançados Multidisciplinares – Ceam/UnB. Isso além do fato de que até mesmo a Justiça e o Ministério Público já consideram como crime de feminicídio o assassinato de pessoas trans e travestis.

Esse é o exemplo de como é a atuação absurda, violenta e preconceituosa da polícia, braço armado do Estado que o bolsonarismo tanto reivindica e aplaude abertamente. Que atua historicamente com essas práticas que Guedes fez questão de colocar de forma nojenta e escancarada.




Tópicos relacionados

Estado Policial   /    Eduardo Bolsonaro   /    Racismo   /    PM   /    Machismo   /    Sociedade   /    Violência policial   /    LGBT

Comentários

Comentar