Gênero e sexualidade

VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

Estuprador condenado, Cuca apoia Robinho: "pessoa maravilhosa, é um exemplo de jogador"

Cuca, técnico do Santos, que já foi preso por estuprar uma jovem de 13 anos, saiu em defesa da contratação de Robinho, condenado em primeira instância na Itália pelo crime de violência sexual.

segunda-feira 19 de outubro| Edição do dia

Em julho de 1987, quando jogava pelo Grêmio, Cuca e outros três atletas foram presos na Suíça acusados de estuprar uma jovem de 13 anos chamada Sandra Pfäffi. Os jogadores ficaram presos no país por 28 dias e foram condenados dois anos depois, cumprindo a pena em liberdade.

Ao ser perguntado sobre o caso Robinho, o treinador do Santos disse que “não é hora para a gente falar desse tema”. “Tivemos bastantes conversas, diversas pessoas do clube em cima dele e é um tema pra gente falar com mais calma. Mas ele pra mim é uma pessoa maravilhosa, é um exemplo de jogador, sempre foi corretíssimo em todas as atitudes que ele teve, a gente não tem um momento da carreira do Robinho que ela deva ser denegrida”, concluiu.

Após o caso ter sido repercutido, estourou na mídia um áudio de uma conversa de Robinho com um amigo, com a confissão do próprio jogador dizendo que houve um estupro coletivo de uma mulher inconsciente. Na conversa, o mesmo disse “estou rindo porque não estou nem aí, a mulher estava completamente bêbada, nem sabe o que aconteceu”.

O Santos, que já sabia da condenação, só decidiu “suspender” o contrato após os patrocinadores do clube ameaçarem cortar o patrocínio por conta da repercussão negativa, defendendo que com a suspensão o jogador poderia se concentrar exclusivamente na sua defesa no processo que ocorre na Itália.

Em entrevista ao Esquerda Diário, Diana Assunção, do grupo de mulheres Pão e Rosas e candidata a vereadora em São Paulo pela Bancada Revolucionária de Trabalhadores do MRT, disse:

“Robinho confessou o estupro coletivo em conversa com amigo. Uma situação repugnante, onde o jogador ri do que deixará marcas pro resto da vida na vítima. No país onde Carol Solberg é punida por gritar Fora Bolsonaro, a violência contra a mulher é encarada assim no esporte basta! Não é um detalhe que o Santos tenha contratado o jogador mesmo tendo acesso a esta conversa, e sabendo da condenação de Robinho na Itália. Robinho diz não estar nem aí porque aposta na impunidade, que é a regra para crimes desse tipo, ainda mais quando cometidos por ricaços como ele.

Enquanto isto, Carol Solberg é punida por se manifestar politicamente contra o presidente. Isto é uma demonstração impressionante do autoritarismo, do machismo que dominam o esporte enquanto ele é tratado como um lucrativo negócio nas mãos dos capitalistas. Contra isso nos organizamos e lutamos”.

Além disso, o jogador Robinho se comparou a Bolsonaro e disse estar sendo perseguido pela Globo em caso de estupro e afirmando que faria um gol em homenagem ao presidente, que já fez apologia ao estupro diante da imprensa, chegando a dizer a uma jornalista da Folha que ela “queria dar o furo”.




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