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Bolsonaro ataca professores, enquanto estudo revela que Brasil tem menor avaliação da categoria

A Varkey Foundation realizou um estudo para avaliar a percepção da população de 35 países sobre os professores e identificou que o Brasil é um dos países em que a categoria é menos valorizada. O levantamento da organização educacional escancara a realidade piscante dos professores, que sofrem, como alguns exemplos, com a desigualdade entre efetivos e temporários, precarização aprofundada pela pandemia e a guerra do governo Bolsonaro para acabar com o piso salarial da categoria.

sexta-feira 23 de outubro| Edição do dia

FOTO: GERALDO MAGELA/AGÊNCIA SENADO

O levantamento da Varkey Foundation, organização educacional internacional, publicado parcialmente pela Folha, foi realizado com 42 mil pessoas nos 35 países, em cada local foram 1.200 entrevistados, sendo 200 deles professores, e levou em conta como os professores são avaliados comparativamente a outras categorias de trabalhadores, e também percepções implícitas e explícitas. Em comparação a outras profissões, a população brasileira é a que pior avalia os professores. Numa escala de 0 a 14, o Brasil tem nota 5. O professor seria melhor avaliado em países onde os alunos têm maior desempenho escolar. Na China, a nota é 9.

Na percepção implícita, o levantamento solicitou aos entrevistados que escolhessem entre “confiável/não confiável”, “bem/mal pago”, “trabalha muito/pouco”, “muito/pouco inteligente”. Nessa avaliação, o Brasil aparece também entre os últimos, em 25º, mas à frente de países como Espanha, Colômbia, Argentina e Chile, majoritariamente países da América Latina, o que pode se ligar às condições da categoria na região.

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Referente às correlações explícitas encontradas, os professores são mais mal avaliados em países em que a categoria é majoritariamente feminina, evidenciando o machismo. No Brasil, 64,3% dos professores de ensino médio são mulheres, proporção ainda maior nos anos iniciais e na educação infantil.

No Brasil do regime político do golpe institucional, que aprofundou e aumentou os ataques aos trabalhadores, pode ser visto com a reforma da previdência, a reforma trabalhista, a reforma do ensino médio, o Teto de Gastos, que esses ataques afetam principalmente a vida das mulheres, em sua maioria pobres e negras.

Bolsonaro, junto a seu vice general Mourão e os golpistas, querem precarizar ainda mais as condições dos trabalhadores, agora também com a Reforma Administrativa é o principal responsável por essa baixa avaliação dos professores. Como se não bastasse a perseguição ideológica com o Escola Sem Partido, agora, quer alterar a Lei do Piso na regulamentação do Fundeb e vincular o reajuste do piso salarial dos professores da educação básica à inflação, prometendo acabar com o aumento real de piso salarial. Junto a Dória, em São Paulo, mantêm 35 mil professores contratos precários de trabalho, professores categoria O e eventuais sem salário e auxílio por 4 meses.

Essa pesquisa revela a guerra declarada por Bolsonaro e todos os setores do golpismo contra os professores, e se prova a necessidade de defender que professores tenham o direito a receber ao menos uma jornada básica como salário, assim como o fim dessa divisão entre efetivos e temporários que precariza a vida de professores e a educação, a necessidade de efetivação imediata de todos estes professores sem necessidade de concurso público, e pela revogação de todos as reformas.




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