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MINAS GERAIS

Estudo aponta: governo Zema é um dos que mais esconde casos e mortes por COVID-19 no país

Estudo de pesquisadores da UFMG e UFOP divulgado nesta terça-feira (12) mostra que o estado de Minas Gerais pode ter 16 vezes mais infectados do que os dados divulgados oficialmente pelo governo Zema, que usa a mentira de que Minas lida bem com a pandemia para colocar a população trabalhadora em risco, em benefício dos lucros dos grandes empresários e mineradoras.

quinta-feira 14 de maio| Edição do dia

Fotomontagem usou foto de: Luidgi Carvalho/Folhapress.

Segundo o estudo, haveria 16,5 casos da Covid-19 para cada caso divulgado oficialmente em MG. No estado a subnotificação de casos seria 4 vezes maior do que a média do país. Na divulgação oficial do governo para hoje (14), Minas teria 3.950 casos confirmados e 139 óbitos. Os casos suspeitos (não testados) já passaram de 100 mil, e o governo cada vez mais os esconde na divulgação.

Enquanto isso, Zema quer reativar a economia no estado com poucas ou nenhuma preocupação com as condições sanitárias dos locais de trabalho e dos transportes públicos. O “estado eficiente”, slogan do governo Zema, trabalha somente pelos lucros, e não pelas vidas.

O estudo foi realizado pelos professores Leonardo Costa Ribeiro, da Faculdade de Ciências Econômicas da UFMG, e Américo Tristão Bernardes, do Departamento de Física da Universidade Federal de Ouro Preto.

À reportagem da UFMG, Leonardo Ribeiro afirmou que “Minas Gerais testa muito pouco: com 476 testes por milhão de habitantes, está muito atrás, por exemplo, do Amazonas e do Distrito Federal, com 1.600 testes”, lembrando que já se subnotifica muitíssimo no Brasil, que ocupa a 27ª posição em testagem por milhão de habitantes entre os 30 mais afetados pela Covid-19.

Os pesquisadores também analisaram a quantidade de hospitalizações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Entre os estados brasileiros, Minas Gerais tem o terceiro maior número de internações por SRAG, mas na lista dos casos confirmados de Covid-19 está apenas em 11º lugar.

Se a mortalidade no estado de Minas Gerais também for 16,5 vezes maior que o número divulgado, poderíamos ter, no lugar de 139 óbitos, 2.293 óbitos por COVID-19 no estado.

Há mais de um mês já mostrávamos que os números de casos confirmados de COVID-19 e de mortes pelo vírus no estado estavam sendo omitidos por não serem realizados testes suficientes.

Zema vem se vangloriando dos números da pandemia no estado e ainda nesta terça-feira (12) afirmou em coletiva virtual, junto ao secretário de Saúde Carlos Eduardo Amaral, que a situação do estado frente à Covid-19 é considerada segura e Minas “vem sendo um caso exemplar na condução da pandemia”.

Entretanto, semanas atrás quando questionado sobre a situação, já tinha tido que admitir que “subnotificação existe”, mas afirmou: “mas não me causa preocupação”. Certamente a preocupação não é tão grande para milionários como Zema que podem se isolar e dispõem de UTI privada e até UTIs aéreas para irem para regiões com vagas de UTI, se necessário.

O estudo realizado pelos professores da UFMG e UFOP, que acaba de ser publicado, traz informações científicas que jogam por terra a imagem que o governador tem construído para usar como justificativa para a reativação das atividades produtivas e salvar os lucros dos empresários.

Comparando a evolução das internações por SRAG nos últimos anos e combinado com o baixíssimo número de testes que estão sendo realizados no estado, os pesquisadores conseguiram construir um modelo com altíssimo grau de confiabilidade que aponta o tamanho gigantesco da subnotificação.

O que quer Zema com suas mentiras é usá-las como justificativa para reativar as atividades econômicas paradas ou em ritmo desacelerado. Um exemplo claro disso é que Zema já fez retornar para as escolas o pessoal administrativo e dos serviços básicos (sendo impedido posteriormente por decisão judicial), que incluem os quadros de limpeza, merenda e manutenção, compostos em sua maior parte por mulheres negras, que vivem em condições mais precárias e muitas delas, por conta das condições de vida já antes da pandemia, apresentam problemas de saúde como hipertensão e diabetes.

O governador, que já havia deixado os trabalhadores da educação sem salários durante a pandemia, agora quer impor a volta às aulas convocando as professoras e professores para o teletrabalho sem nenhuma condição, e impondo riscos para famílias que devem ir às escolas, para conseguir o material para estudo ou acessar a internet, em caso de falta de impressora e acesso à internet.

A ação do governador não reflete preocupação pela educação dos alunos ou a retomada do ano letivo. Zema quer expor alunos e trabalhadores da educação ao risco de contaminação porque, como bom amigo dos empresários, quer reativar as atividades produtivas, e para isso é necessário um ar de normalidade para que os pais também voltem a trabalhar normalmente.

Mostra disso é que o setor da metalurgia já voltou no estado, e não para produzir equipamentos que possam ser usados no combate à pandemia, mas tão somente para saciar a sanha de lucros dos empresários, com centenas de demissões que desamparam famílias em meio à pandemia. E a própria Vale, mineradora que não havia parado sua produção, mas apenas reduzido seu ritmo. Uma situação fruto da aliança de Zema com a FIEMG, que agrupa as grandes patronais do estado e pressiona desde o início da pandemia pela volta à “normalidade”.

O compromisso de Zema com os lucros dos empresários, mostrando não dar a mínima para as vidas dos trabalhadores, usando a subnotificação oficial de casos, por insuficiência de testes, como apoio para reativar as atividades econômicas, o aproxima de Bolsonaro e seu negacionismo assassino que está a serviço dos empresários para salvar CNPJs e não vidas.

O estudo dos pesquisadores, mais do que revelar aquilo que os trabalhadores já sabiam na pele, de que a crise no estado é muito maior do que divulgado oficialmente, deixa escancarada a urgência de testes massivos para combatermos a pandemia, proibição das demissões e renda básica de 2.000 reais aos desempregados e informais, licença remunerada para os trabalhadores de serviços não essenciais, bem como medidas como o controle de todo o sistema de saúde, tanto público como privado, pelos próprios trabalhadores, que ao contrário de conspirarem com mentiras, contra os interesses da maioria, querem organizar o conjunto do sistema para divulgar a verdade e salvar vidas, retirando também o controle das UTIs das mãos do sistema privado que só se preocupa com os lucros.




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