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Estudantes da FE-Unicamp exigem plebiscito para decidir sobre futuro do curso na pandemia

Em assembleia online, os alunos da pedagogia da Unicamp discutiram entre si para organizar suas demandas em relação ao semestre e ao EaD frente à congregação da Faculdade de Educação (FE).

segunda-feira 25 de maio| Edição do dia

Nesta última sexta-feira, alunos do curso de pedagogia da FE-Unicamp se reuniram na assembleia estudantil através de uma videochamada para debater suas posições em relação às aulas a distância durante a pandemia, a situação das bolsas na universidade, as avaliações e o possibilidade de cancelamento ou não dos semestres.

Uma importante posição tirada em assembleia pelos estudantes foi de exigir da direção da FE que seja realizado um plebiscito para que os estudantes também possam decidir sobre a continuidade ou não dos semestres e das aulas EaD, sem que isso seja uma determinação unilateral da congregação, maior órgão deliberativo da Faculdade no qual os estudantes e trabalhadores têm peso mínimo de voto, o completo inverso da realidade na qual são maioria na FE.

Em uma situação de pandemia em que os estudantes se encontram isolados pela quarentena, fica ainda mais fortalecida a tendência da direção dos institutos tomarem decisões a partir de cima, acatando determinações da reitoria através da canetada, sem qualquer consulta àqueles que estão matriculados dos cursos, assim como aprovou cortes no Conselho Universitário. O plebiscito reivindicado pelos estudantes para que possam de fato ser parte ativa nas decisões deve ser organizado pela direção da Faculdade de educação, com estudantes, professores e funcionários podendo opinar e votar de acordo com o peso real que cada setor tem na FE.

Principalmente caso do curso de pedagogia, simplesmente aceitar as determinações da congregação sobre como conduzir uma situação tão complexa, em que os estudantes se encontram afetados das mais diferentes maneiras pela pandemia, concreta e psicologicamente, sem consultar os próprios estudantes, seria no mínimo injusto com esses alunos que se matricularam em um curso presencial na Unicamp. Por isso é fundamental que a congregação da Faculdade de Educação acate à essa demanda estudantil e organize o plebiscito.

Há um grande número de alunos que estão receosos sobre as condições de permanência na graduação durante a pandemia. Já há inclusive casos de Covid-19 na moradia estudantil da Unicamp. Não são todos estudantes que tem condições apropriadas de acesso ao material das aulas online, que inclusive foram implementadas apressadamente sem consultá-los. Além disso, vários temem a descontinuidade das suas bolsas, que ainda dependem das inscrições em disciplinas (condição colocada pela reitoria para que recebessem), quando na verdade deveriam ser oferecidas sem contrapartida a todos que precisam.

É importante que as soluções arranjadas nos institutos da Unicamp não signifiquem ainda mais prejuízos aos estudantes. Para que isso seja garantido, não há outra forma senão avançar para a transformação da própria estrutura de poder dentro da universidade, que ainda conta com um conselho universitário que distorce totalmente a composição discente da universidade e possui um reitor escolhido a dedo pelo governador de São Paulo.

Esta exigência do plebiscito é fundamental para questionar como as decisões são tomadas dentro da universidade, que agora mais do que nunca impactam duramente a vida dos alunos que por serem maioria devem ter todo o direito de ter peso para votar e opinar nas decisões da faculdade. Assim, as decisões seriam tomadas da forma mais democrática. Isso se dá lado a lado de uma batalha com toda força pela garantia da permanência dos estudantes bolsistas que são os mais prejudicados pelas decisões da reitoria, e também para que todos os estudantes sejam aprovados no primeiro semestre com nota máxima e tenham possibilidade de repetir as matérias depois se quiserem, visto a precariedade do EaD para a nossa formação.

Pode interessar: entrevista com Lalo Minto, professor da Faculdade de Educação da Unicamp: "O que tem sido implementado como EaD, quase sempre, é um tipo de ensino precário"




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