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Este domingo é o último dia da Feira Antropofágica de Opinião!

Nesse domingo ocorre o último dia da II Feira Antropofágica de Opinião. Quem ainda não compareceu, é a última chance esse ano. Vale a pena presenciar e participar desse esforço necessário de colocar os problemas do Brasil de hoje em discussão.

Fernando Pardal

@fepardal

sábado 6 de junho de 2015| Edição do dia

Ao final do terceiro dia da Feira, o inevitável cansaço se nota nos membros da Cia. Antropofágica que correm para garantir o funcionamento de tudo. Esse cansaço, contudo, não consegue por abaixo o ânimo de quem sabe que está numa luta que vale à pena ser lutada.


Teatro VentoForte

E o desafio continua em pé, com cada companhia tentando, em meia hora, responder à pergunta colocada: o que pensa você do Brasil de hoje? Nesse terceiro dia, quem deu sua opinião foram o Teatro VentoForte, o Grupo Teatral Parlendas, o Coletivo Território B, o Grupo Redimunho de Investigação Teatral, o Arlequins Grupo de Teatro, o Coletivo Cê, o Núcleo 184, a Cia. São Jorge de Variedades, o Coletivo Tela Suja Filmes, a Brava Companhia, o Grupo Clariô de Teatro, a Cia. Estável e a Cia. do Feijão.


Grupo Teatral Parlendas

Problemas que persistem há décadas, como a reforma agrária, a brutalidade da luta de classes no campo, ressurgem nas cenas. Esse veio mais uma vez em cena com Grupo Teatral Parlendas, que, além de tratar da questão da terra, tratou com uma certa auto-ironia mordaz da luta dos próprios coletivos teatrais, do teatro de rua. Serão os editais e fomentos jogados como migalhas pelo governo o suficiente para calar a luta dos teatros de esquerda? É só isso que se quer? Uma pequena verba para continuar existindo?


Brava Companhia

O dilema dos artistas frente a um tempo de uma indústria cultural onipresente também aparece como eixo da intervenção da Brava, que demonstrou como se transforma um artista “possuído” pelo Deus mercado após conversar com seu “anjo da guarda”. Sem escrúpulos, sem princípios, pautado pela necessidade de se vender, de vender sua arte. O discurso de Luciano Huck em uma propaganda do Itaú, encerrando a cena com a apoteose da ideologia dominante, um tempo em que todos são felizes “trabalhando no que querem” exemplificou o que afirma a cena da Brava melhor do que qualquer discurso fictício poderia fazer.


Cia. Estável

E, com a Cia. Estável, o assunto da precarização do trabalho, da terceirização e da mercantilização mais completa da arte se misturaram numa forte colocação. Aqui, mais uma vez, vimos um grupo nessa Feira que não caiu no “canto de sereia” do petismo que procura se colocar como a “esquerda” atacada pelos fantasmas do impeachment. A Cia. Estável denuncia os ajustes que estão sendo feitos para que os trabalhadores “apertem” um pouco pelo “bem da nação”, ironizando o discurso de Dilma para garantir os lucros enquanto ataca direitos.


Grupo Clariô de Teatro

Clariô, grupo de Taboão da Serra composto majoritariamente de mulheres negras, colocou em cena a miséria e a violência policial que atingem a juventude negra e pobre do Brasil, sem dúvida um dos problemas fundamentais que existe hoje. A brutalidade que é apresentada como “exceção” é pintada em suas cores reais pelo Clariô.

Nesse domingo ocorre o último dia da II Feira Antropofágica de Opinião. Quem ainda não compareceu, é a última chance esse ano. Vale a pena presenciar e participar desse esforço necessário de colocar os problemas do Brasil de hoje em discussão.




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