Internacional

GRÉCIA ISRAEL

Escandaloso: para Alexis Tsipras do Syriza, Jerusalém é a ‘capital histórica’ de Israel

Esta escandalosa declaração do primeiro ministro do Syriza aconteceu em reunião durante a visita oficial do governo grego ao Estado de Israel, para discussões diplomáticas de alto escalão para aprofundar as relações comerciais entre ambos.

André Acier

Natal | @AcierAndy

sexta-feira 27 de novembro de 2015| Edição do dia

Em sua primeira visita à região, Tsipras ressaltou a importância das relações entre Israel e Grécia, deixando claro que é partidário da continuidade da política de amizade adotada desde o governo de Gyorgos Papandreou, primeiro ministro da socialdemocracia grega eleito em 2009 que iniciou a aplicação da austeridade contra o povo grego, desmistificando a idéia nutrida por Israel de que o Syriza seria simpático à luta do povo palestino.

No encontro com o presidente israelense Reuven Rivlin, Tsipras aproveitou a oportunidade para assinar o livro de convidados do presidente com as seguintes palavras inacreditáveis: “Com grande honra de poder estar em sua capital histórica e conhecer Vossas Excelências”.

O mais insólito é que, em função dos ininterruptos massacres cometidos pelo estado assassino de Israel contra a população palestina, como os operativos de guerra contra Gaza (Chumbo Fundido em 2009, Pilar Defensivo em 2012 e Margem Protetora em 2014), com dezenas de milhares de mortos, os próprios estados imperialistas são obrigados a não reconhecer Jerusalém como a capital de Israel.

Este reconhecimento honroso por parte do Syriza ao Estado terrorista de Israel vem como mais um coroamento de sua adaptação ao status quo do sistema imperialista de estados, mantendo sobre Israel a mesma opinião de Angela Merkel, chanceler alemã que impôs um acordo neocolonial humilhante aos trabalhadores gregos, implementado pelo mesmo Syriza que em campanha eleitoral de janeiro prometera “terminar com a austeridade”.

Acordos de segurança com os sionistas

Ademais, Tsipras tomou a iniciativa de iniciar uma série de acordos bilaterais que tocam relações estratégicas com os sionistas.

Chamando a Grécia de “amiga de Israel”, Tsipras ofereceu a ajuda grega para o primeiro ministro Benjamin Netanyahu “proteger seus cidadãos e incrementar sua segurança”.

Esta declaração cifrada de Tsipras sobre “proteger seus cidadãos” se refere à explosão de fúria da juventude palestina que se rebelou nos últimos meses contra a violência do Estado de Israel, atacando os soldados israelenses com facas e punhais depois que estes lançaram uma infinidade de provocações e batidas sobre a Esplanada das Mesquitas, o terceiro lugar santo dos muçulmanos.

A resposta do reacionário regime de Netanyahu foi militarizar os acessos aos bairros árabes de Jerusalém em uma clara medida de “castigo coletivo” que bloqueia entrada e saída de moradores sem prévia revista de tropas. Os “terroristas árabes identificados” perderão a permissão de residência em Jerusalém, o que implica uma deportação de fato.

Incremento das relações comerciais

Não é só com louvores à “capital israelense” que se pode pagar religiosamente a fraudulenta dívida externa imposta pela Alemanha. Por isso, Tsipras fez questão de anunciar os interesses comerciais da Grécia nesta visita.

Um dos maiores propósitos destas conversas bilaterais são as oportunidades que surgem no campo da energia no Mediterrâneo oriental. Estamos estudando formas de cooperação em pesquisa, perfuração, extração e transporte de gás de Israel para a Europa,” disse Tsipras.

A descoberta de grandes reservas de gás natural nas águas de Israel e do Chipre instigou o fortalecimento das relações bilaterais em cooperação e segurança marítima, além da planificação de gasodutos que conectam estes campos de gás de Israel ao continente europeu por cabos submarinos, o que interessa demasiado o governo grego, que pode ser a porta de entrada desta fonte energética. Até agora, a Europa depende altamente das exportações russas para suprir seus fornecimentos, sempre instáveis pelos conflitos políticos com o regime de Putin.

Atenas também está envolvida no projeto do “Turkish Stream”, um gasoduto russo que utilizará o território da Turquia e da Grécia para alcançar a Europa, driblando os entraves do transporte através da Ucrânia abalada pela guerra civil.

A estratégia reformista que termina numa capitulação completa ao imperialismo

O Syriza já havia abandonado a ameaça de remover as bases da OTAN de seu território, demonstrando “responsabilidade de Estado” em seu acordo de governo com a direita xenófoba dos Gregos Independentes. Agora, joga ladeira abaixo qualquer vestígio de hostilidade contra o Estado genocida de Israel, que transformaram a Faixa de Gaza em um campo de concentração a céu aberto com 1,8 milhões de párias que suportam um bloqueio por terra, ar e mar desde 2007.

Nas palavras de Engels, a política externa é apenas continuidade fora do território da política interna de um país. O primeiro ministro do Syriza, que se enfrenta com greves operárias ao tentar vender a Grécia e aplicar os ajustes exigidos pela Alemanha, precisa buscar fundos para saciar os bancos alemães. Os acordos com Netanyahu implicam apostar em sua estabilidade. A estabilidade relativa do sionismo depende dos contínuos massacres contra os árabes palestinos com sua política colonialista.

A reacionária política interna do Syriza dá o tom de sua política externa, que acrescenta ao rol de vergonhas dessa “esquerda neoreformista” o papel de obstáculo à luta do povo palestino por recuperar seu território histórico e legítimo das mãos do Estado terrorista de Israel.




Tópicos relacionados

Conflito Palestina-Israel   /    Syriza na Grécia   /    Internacional

Comentários

Comentar