Mundo Operário

GREVE DOS GARIS DE ABC

Entrevista com gari em greve

sexta-feira 27 de março de 2015| Edição do dia

Entrevistamos Thalles Gomes, gari de Santo André, sobre a greve deflagrada na última segunda feira, 23 de março.

Esquerda Diário - Por que a greve foi deflagrada?

Thalles - O cerco apertou e os trabalhadores viram a necessidade da greve porque queremos uma melhoria salarial, já que somos nós que fazemos com que o país vá pra frente.

ED - Quanto pedem de aumento?

Thalles - Pedimos 11,78% e a patronal quer dar 7,68%. O aumento real seria de 3,5%.

ED - O salário que recebem hoje dá pra arcar com os gastos mensais?

Thalles - Não dá! O salário não é renda. Se você gasta o salário todo no fim do mês ele não rende. Este mês, tive que esperar o preço baixar pra ir ao mercado. Ta tudo muito caro.

ED - Você acha que o reajuste que estão pedindo resolveria?

Thalles - Não! O salário é muito baixo, pouco mais de 900 reais.

ED - Como está a greve?

Thalles - Tá mais fraca em relação ao ano passado, talvez as pessoas estejam com medo, por achar que não vai dar em nada. Mesmo assim, tem 90% parados. Não tem a força que tinha no ano passado.

ED - Vimos que tem escolta para os coletores recolherem o lixo...

Thalles - A escolta é porque os “fura greve” querem trabalhar e tem medo da revolta dos outros companheiros.

ED – Como estão as negociações?

Thalles - Enquanto o sindicato está a frente, temos que aguardar. O pessoal ta parado, mas os encarregados ficam pressionando pro pessoal trabalhar.

ED - Mesmo com esses problemas na greve você acha que vale a pena lutar?

Thalles - Sempre! Porque essa é a única maneira de conseguir aquilo que a gente busca. As pessoas se lembram do que aconteceu ano passado, mas não veem como lutar sem o sindicato.

ED - O que acha dessas mobilizações contra o governo?

Thalles - O impeachment não muda nada, tirar a Dilma e colocar o Michel Temer ou o Eduardo Cunha, não muda. É como na escravidão mudar o chicote de mão, não acaba com a escravidão. O negócio mesmo é a classe trabalhadora tomar conta do negócio e assumir o poder. Se organizar e assumir.




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