Política

REPRESSÃO

Enquanto tudo abre durante a semana, Paulo Câmara quer prender pessoas na rua

O secretário de Justiça e Direitos Humanos do estado, Pedro Eurico, fez um discurso totalmente repressivo um evento com mais de 100 pessoas no Grande Recife ser interditado pela polícia no final da última semana.

segunda-feira 8 de março| Edição do dia

Foto: Reprodução/Governo de Pernambuco

Pernambuco fechou o domingo (7) com 80 solicitações ativas de leitos de UTI e enfermaria de Covid-19 na rede pública. É o maior patamar desde 31 de maio, quando o Estado havia registrado 85 solicitações.

Após um evento esse fim de semana em uma fazenda próxima à capital, Pedro Eurico afirmou que: “não vamos mais tolerar esse tipo de comportamento. Todos que participam estão praticando um crime contra a saúde pública, previsto no artigo 268 do código penal", destacou o secretário. "A partir de agora vamos prender todo mundo. Pode ser aglomeração festiva ou festa clandestina, vai todo mundo preso, não só o responsável", continuou.

Trata-se de uma medida unicamente autoritária, que usa da pandemia para justificar a criminalização de pessoas nas ruas. Pernambuco vive até o dia 17 de março um toque de recolher das 20-5h e das 17-5h nos fins de semana anunciada pelo governador do PSB, Paulo Câmara. Uma medida que não combate a pandemia, apenas fortalece o aparato repressivo da polícia contra trabalhadores, jovens em especial nos bairros mais pobres.

O comércio, as indústrias, os call centers, toda rotina de exploração capitalista segue seu curso normal. Ou seja, a aglomeração "normal" nos ônibus lotados, locais de trabalho, muitas vezes sem nenhuma garantia por parte de EPIs pelos patrões e governos, é legalizada, pois garante o lucro capitalista. Contra isso, Paulo Câmara não toma qualquer medida, inclusive que garanta o sustento dessas famílias em meio a pandemia.

O secretário ainda tem a coragem de dizer que: "No momento em que você tenta reduzir os índices, estão insistindo. O governo está fazendo do um esforço enorme. Tem que ter um basta. Isso é um processo de desobediência civil em uma crise sanitária". Não houve esforço nenhum do governo para testagem massiva, ampliação de leitos, contratação, vigilância genômica de novas cepas, isolamento científico expropriando salas de hotéis, prédios ociosos.

Sequer mencionam a liberação dos serviços não essenciais, com garantia de remuneração pelos patrões, a proibição das demissões, ou que seja garantido um auxílio de no mínimo um salário mínimo para desempregados e setores informais. Mas garante todo recurso necessário para armar a polícia e criminalizar a população nas ruas.

A medida ainda cria o precedente para criminalizar reuniões e manifestações públicas, como vem acontecendo por exemplo no Paraguai conta o presidente e amigo de Bolsonaro, Abdo Benítez. Ou seja, ataca o direito político dos trabalhadores inclusive de se organizarem para arrancar essas medidas básicas de combate a pandemia através luta contra o negacionismo de Bolsonaro, mas também a demagogia dos atores do golpismo e dos governos estaduais.

Contra essas medidas autoritárias, a única saída passa por enfrentar os lucros capitalistas, como reconversão das indústrias para produção de leitos, respiradores, insumos para vacinas e testes, a unificação de leitos públicos e privados, o não pagamento da dívida pública, entre outras que coloquem o controle do combate à catástrofe nas mãos dos trabalhadores, os únicos que de fato sentem essa necessidade.




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