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NICOLÁS DEL CAÑO NO BRASIL

Encontro nacional do Esquerda Diário contará com a presença da maior referência de esquerda da Argentina

Gilson Dantas

Brasília

sexta-feira 27 de novembro de 2015| Edição do dia

Em meio ao fim de ciclo de governos pós-neoliberais, uma novidade política se delineia na América Latina: a emergência de uma esquerda classista com alguma visibilidade.

Neste sábado, 28, teremos a oportunidade de debater sobre isso, em São Paulo, com a presença daquele que se tornou o mais importante referencial da esquerda argentina, o jovem candidato a presidente (do PTS, Partido dos Trabalhadores pelo Socialismo, e que concorreu pela FIT, Frente de Esquerda dos Trabalhadores), candidato que recebeu mais de um milhão de votos [que corresponderia a muito mais no Brasil] e o fez sem rebaixar o programa de esquerda; candidato que se lançou com em uma chapa independente da patronal, sem um centavo de doação da patronal e articulando na sua chapa uma ampla camada de trabalhadores e mulheres (70% da sua chapa eram mulheres). Centenas e centenas dos candidatos pela sua chapa eram operários de base, companheiros de bairro e de fábrica que jamais tinham sido candidatos e que despontam em pequenas franjas de massa como a esquerda revolucionária mais forte que se tem notícia nos últimos tempos, a de mais peso pela base, no chão de fábrica.

É uma experiência toda oposta à de outras esquerdas, tipo Syriza, na Grécia, e mesmo PSOL no Brasil; em primeiro lugar porque seus deputados e o próprio candidato a presidente, Nicolas [que conquistou 15% dos votos do seu estado como candidato a presidente], vivem com o salário de professor (e repassam o restante para as lutas sociais) ao mesmo tempo em que defendem sistematicamente que o mandato de qualquer político seja revogável a qualquer instante.

A primeira declaração de Nicolás após as eleições é que é preciso aproveitar os votos, os mandatos e arregaçar as mangas desde já na luta de classes, onde ele estará pessoalmente presente, contra o ajuste do novo governo argentino que ataca os trabalhadores. Nicolás não apenas defendeu o voto nulo e em branco no segundo turno, como transformou essa tomada de posição em impulso para organizar uma terceira força política (nem direita e nem esquerda populista; nem “mal menor” e nem “mal maior”).

Temos que organizar, lá como cá, uma terceira força, uma terceira alternativa de novo tipo, uma esquerda que não apenas promova encontros, manifestações, declarações, mas se enraíze na classe trabalhadora; e que possa impulsionar a luta de cada trabalhador, cada mulher, cada movimento social através de exemplos de solidariedade, de luta e sem qualquer conciliação com a burocracia sindical ou com as forças governistas travestidas de “populares”.

Venha debater com o companheiro que foi protagonista de grandes conflitos na luta de classes na Argentina, que esteve diretamente presente em cada combate de rua, que utiliza o parlamento para fortalecer a luta extraparlamentar.

Será um grande debate, com reflexões e lições para todos os jovens e ativistas que viemos impulsionando lutas como as dos secundaristas, dos petroleiros, dos terceirizados, bancários, estudantes, de todos os jovens e trabalhadores que queremos conectar a luta social e sindical com a política. Sobre tudo isso e muito mais, o jovem combatente argentino tem muito a dizer. Não perca a oportunidade única, neste sábado, 28, às 15 horas, sindicato dos metroviários, em São Paulo.

O convite se estende a cada companheiro do PSTU, do PSOL, de toda esquerda e vanguarda combativa que já vem se dando conta de que na Argentina está em construção uma terceira força, classista, independente do capitalismo, tanto do “mal menor” quanto da direita truculenta. Uma esquerda que enfrenta a casta política e seus privilégios. E que defende claramente a reinvenção da política, isto é, que todo cargo ou posto político e sindical se funda com as lutas sociais para impulsionar a democracia de base e o novo sujeito político, a classe trabalhadora.

Assista aqui o vídeo convite para o Encontro




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