Sociedade

Embaixadora das Filipinas no Brasil agride empregada doméstica na residência diplomática

Após denúncia feita no final do mês de agosto, imagens comprovam agressão da embaixadora das Filipinas Marichu Mauro, contra empregada doméstica na residência diplomática. O Ministério Público abriu inquérito para investigar o caso, entretanto a embaixadora é protegida pela imunidade diplomática.

segunda-feira 26 de outubro| Edição do dia

A vida pública da embaixadora no Brasil foi um pouco agitada: ao chegar ao Brasil, há cerca de dois anos e meio, foi recepcionada pelo ex-presidente Michel Temer, participou de vários eventos e, no início deste mês, recebeu até uma condecoração do presidente Bolsonaro. Além do Brasil, Marichu é embaixadora das Filipinas na Colômbia, Venezuela, Guiana e Suriname. Antes disso, teve passagens por consulados na Bélgica e Itália.

Entretanto, protegida pelos muros da embaixada e longe das câmeras, a diplomata agredia repetidamente uma empregada doméstica. A mulher de 51 anos, trabalhava na residência oficial da embaixadora e também é filipina. As agressões foram registradas pelo circuito interno e vistas por um funcionário que não se identificou. Após analisar a fundo as câmeras da residência oficial, foi descoberto que a vítima era agredida praticamente toda semana.

“Todas as vezes que eu vi, ela simplesmente só se encolhia, tentava proteger o rosto. E mesmo assim era infeliz... Não conseguia se proteger. Ela foi agredida várias vezes e por vários dias”. - disse funcionário ao G1.

Há cerca de 10 milhões de filipinos trabalhando no exterior, muitos fazendo serviços domésticos. O movimento é incentivado pelo governo local, já que o dinheiro que os imigrantes mandam de volta para o país equivale a quase 10% do PIB. Por isso que, organizações que auxiliam os trabalhadores no exterior, acusam o governo de fechar os olhos para casos de agressão e maus tratos. Em 2017, relatamos aqui no diário a condição de trabalho das empregadas domésticas das Filipinas para famílias ricas no Brasil.

O governo das Filipinas é denunciado com frequência por organizações internacionais por desrespeitar os direitos humanos, especialmente por prender e intimidar opositores. O próprio presidente, Rodrigo Duterte, já admitiu ter matado supostos criminosos quando era prefeito. Nesse ano, ainda ordenou a polícia à matar quem descumprisse regras da quarentena.

O Ministério Público do Trabalho abriu um inquérito para investigar o caso, porém, é provável que Marichu fique impune e nada aconteça, devido à imunidade diplomática, onde não pode ser presa e nem processada pelo Estado brasileiro. Mesmo com as investigações, na sexta-feira (23), a embaixada das Filipinas acionou a Polícia Militar, pois a diplomata se sentiu incomodada com a presença de jornalistas no lado de fora de sua residência. Isso mostra que, não importa a gravidade do caso, a polícia militar sempre estará ao lado do governo e de pessoas com um nível maior de autoridade.




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