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Em reunião de professores, Secretário da CUT-SP defende mais impostos para trabalhadores

Aconteceu no dia 06/03/2017 a reunião de professores representantes de escolas organizada pela APEOESP em todo o estado de São Paulo. Na subsede Norte-Santana, presidida e dirigida pela burocracia sindical cutista e ligada ao PT, uma das pautas da reunião era sobre conjuntura nacional e internacional.

segunda-feira 13 de março de 2017| Edição do dia

Para fazer esse debate, o secretário de organização da CUT-SP Hélcio Aparecido Marcelino foi convidado pela direção do sindicato. Ao iniciar sua fala, o cutista afirmou categoricamente que a única maneira de a burguesia obter lucro é com a produção industrial nos países semicoloniais e com menor centralidade no capitalismo mundial. O que o companheiro se esqueceu de colocar é que os EUA são recordistas absolutos em obter lucro através do sistema financeiro internacional, no seu jogo de apostas do cassino de Wall Street. Infelizmente, a visão do cutista já se mostrava limitada nesse momento, porém, o que já era ruim, ficaria ainda muito pior.

Com essa análise baseada em que os lucros da burguesia internacional não passam pelo mercado financeiro, Hélio colocou que, esse tensionamento pela produção industrial e disputa das matérias-primas - principalmente entre bloco de países formado pelos BRICS e os EUA - traria a tona a Terceira Guerra Mundial, na qual seremos afetados imediatamente. Além disso, colocou que é vontade em especial da China em realizar o conflito e se manter como maior produtora industrial a nível global. Infelizmente, a intervenção - mais uma vez desastrosa - trouxe inclusive o descontentamento em massa dos professores que estavam na reunião, que embora não sejam, especialistas em economia, ou em estratégias geopolíticas, facilmente perceberam que a fala do companheiro da CUT ia do nada para o lugar nenhum.

Após essa desastrosa análise de conjuntura, houve um esforço para trazer a análise do que está acontecendo em nossa sociedade, mas enfocando no que está acontecendo no Brasil pós-golpe institucional. Continuando sua limitadíssima análise, o companheiro da CUT tentou ao seu modo explicar o que vem a ser a taxa de mais-valia. E nesse momento a mais bizarra explicação que eu vi em toda minha vida começou: o companheiro colocou que as taxas de mais-valia produzidas pelo trabalhador eram distribuídas em forma de impostos para a classe trabalhadora. Ou seja, o cutista defendeu com toda sua (falta de) habilidade que os trabalhadores devem pagar mais impostos para que expropriássemos a mais-valia da burguesia e assim chegássemos ao mundo dos sonhos do PT e da CUT... Mais uma vez os professores ali presentes se mostraram absortos.

Chagando ao final da tortuosa reflexão, houve a última pérola de muito mal gosto e de uma incapacidade intelectual absurdamente limitada. Hélcio defendeu que o professor que falasse mal do governo Dilma, ou que se colocasse em oposição às propostas de luta da CUT e do PT certamente haveria fumado "cigarrinho do capeta estragado". Ou seja, o diretor da CUT reforçou diversos preconceitos em sua fala e para além disso não aceita divergências políticas de como devemos encaminhar as lutas e se defender dos ataques do governo, mas que o sindicato somente deve funcionar em função de reerguer e supervalorizar o papel do PT na sociedade brasileira.

Infelizmente essa minha denúncia não se trata de uma piada de mal gosto, mas sim de um debate teoricamente sério que de fato foi trazido pela burocracia sindical e nos demonstra como ela leva a luta dos professores e como desperdiça nosso tempo fazendo jogadas de cena para forçar a categoria a acreditar no projeto Lula 2018. Para nossa mobilização precisamos de uma séria análise de conjuntura com alguém capacitado, que seja de fato conhecedor do que está falando, que tenha minimamente respeito e que faça propostas de intervenções políticas de acordo com o que a categoria de professores entende como melhor, e não como a CUT acha que deva ser. Por esse motivo, nós do MRT e dos Professores Pela Base conclamamos que a central sindical faça uma luta de fato séria, com comandos de mobilização e de negociação eleitos na base da categoria, que organizem fundo de greve e que de fato proponha uma luta séria e audaz contra a reforma da previdência e do ensino médio e também contra o governo golpista de Temer. Somente colocando os trabalhadores de todo país em movimento iremos de fato ser vitoriosos.




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