VAZA JATO

Em reportagem sobre a Vaza Jato, Globo renova o seu compromisso na defesa do golpismo

Em reportagem transmitida durante o programa Fantástico no último domingo (16), a rede Globo reafirmou seu apoio a um dos pilares fundamentais do golpismo institucional em curso no país, a Operação Lava Jato.

terça-feira 18 de junho| Edição do dia

Em reportagem transmitida durante o programa Fantástico no último domingo (16), a rede Globo reafirmou seu apoio a um dos pilares fundamentais do golpismo institucional em curso no país, a Operação Lava Jato. Traçando uma comparação entre os recursos de segurança do aplicativo Telegram – pelo qual ocorreu a troca de mensagens vazada desde a semana passada pelo site The Intercept entre o então juiz Sérgio Moro e diversos procuradores da operação, incluindo Deltan Dallagnol – e seu concorrente direto, o WhatsApp, a reportagem buscava levar à conclusão da impossibilidade técnica de se determinar a origem das mensagens interceptadas.

A partir da entrevista de um professor de engenharia da comunicação da USP, reafirmou-se existência de uma série de elementos técnicos de funcionamento do Telegram que contrariam a visão comum de que seja um aplicativo mais “seguro”, apontando brechas no sistema de segurança que possibilitam a invasão de hackers. Assim, buscou corroborar a hipótese apontada pelo próprio super ministro Moro e o procurador Dallagnol, que depois de uma mudança de discurso em relação às declarações iniciais feitas logo após o vazamento do Intercept (nas quais reconheciam a autoria das mensagens), passaram a sustentar a versão de terem sido vítimas de um “ataque criminoso”. A reportagem do Fantástico complementa as novas declarações de Moro e Dallagnol: “se mensagens foram extraídas de seus telefones, elas podem ter sido adulteradas”.

Vale lembrar que uma semana atrás, já na segunda-feira (10) seguinte à divulgação pelo Intercept das primeiras partes da conversa entre o juiz e seu fiel procurador, o Jornal Nacional já havia dedicado cerca de 15 minutos do horário nobre da programação à construção de uma narrativa que levantava a hipótese de um ataque hacker como responsável pelo vazamento, questionando a veracidade da denúncia. A matéria veiculada durante o Fantástico no último domingo demonstra a continuidade dos esforços da rede Globo em relativizar e abafar o escândalo envolvendo um de seus parceiros no golpe, a Lava Jato.

Podemos ver também que esse escândalo de Moro e da Lava Jato tem suas raízes na própria disputa imperialista. A Lava Jato tem “coordenadas estrangeiras” notória, então vemos as disputas imperialistas claramente envolvidas. Principalmente no interior das alas de Republicanos e Democratas, uma vez que as mensagens foram reveladas pelo The Intercept, meio de comunicação que tem como dono o anti-trumpista Pierre Omidyar, proprietário do eBay e rival da Amazon, e que em 2013 revelou as informações compiladas por Edward Snowden sobre os serviços de espionagem em todo o mundo da Agência de Segurança Nacional (NSA) norte-americana.

Ao colocar no centro de seu discurso a ilegalidade de uma suposta ação hacker – hipocritamente sequer mencionando o fato de que a própria Operação Lava Jato se valeu de vazamentos ilegais de informação para manipular a conjuntura política, a exemplo da conversa entre Dilma e Lula, ou do vazamento da delação de Palocci (numa manobra calculada para afetar o desempenho eleitoral de Haddad às vésperas do primeiro turno) –, e não o conteúdo das trocas entre Moro e Dellagnol, a Globo reafirma seu alinhamento político com a quadrilha judiciária e o plano orquestrado desde o golpe institucional em 2016, tendo sua continuidade na prisão arbitrária de Lula e na manipulação do processo eleitoral em 2018, a serviço de um projeto reacionário de ataques e reformas contra os trabalhadores, subordinado aos interesses imperialistas.




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