Política

MINAS GERAIS

Em plena pandemia, Zema não garante o salário das trabalhadoras da saúde e educação

Zuca Falcão

Professora da rede pública de MG

segunda-feira 6 de abril| Edição do dia

Mais uma vez, Zema demonstra que os últimos na sua lista de prioridades são os funcionários públicos. O governador resolveu outra vez sacrificar o funcionalismo que até agora não tem a mínima perspectiva de quando vai receber o salário de abril.

Na última quarta-feira (01/04), o secretário de Planejamento e Gestão, Otto Levy, anunciou que não há previsão para o pagamento do salário dos servidores deste mês. Segundo Levy, os problemas fiscais do estado teriam se agravado com a crise do coronavírus, pois o estado deixará de arrecadar 7,5 bilhões, o que elevará o déficit orçamentário do estado de 13,3 para 20 bilhões.

O pretexto da vez é a crise do coronavírus que, segundo o governo, vai reduzir a receita do estado, mas afetar o pagamento dos servidores que na maioria já ganham pouco não é nem de longe a única saída.

Já há quatro anos os trabalhadores do estado de Minas Gerais não recebem o salário no quinto dia útil, e além disso, recebem parcelado. Nos dois últimos anos, o décimo terceiro foi pago com atraso e dividido. Ainda há trabalhadores da saúde e da educação que não receberam o décimo terceiro de 2019.

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Ou seja, as trabalhadoras que estão expostas aos maiores riscos de contágio pelo coronavírus, trabalhando muitas vezes sem EPI´s e condições dignas de trabalho, tendo que deixar filhos e familiares idosos sozinhos ou com conhecidos, sequer receberam o décimo terceiro que lhes é direito, do ano passado.

Os servidores da saúde e da educação são os mais prejudicados com a irregularidade dos pagamentos, pois além da defasagem do salário, são as áreas que sofrem mais ataques por parte do governo, pois são as primeiras a sofrer cortes de verbas.

Em meio à pandemia que já apresenta um crescimento rápido no estado, apesar das subnotificações, a opção do governo é a de sacrificar aqueles que já são penalizados há tanto tempo, como os trabalhadores da saúde e educação que assistem a polícia ser privilegiada no pagamento de salário, décimo terceiro e possibilidades de aumento, enquanto seguem com o salário defasado e estruturas de trabalho precárias e insuficientes.

Zema não considera como saída pra essa crise econômica colocar a mão no bolso de quem realmente tem para ser retirado, que são os empresários bilionários, milionários e políticos burgueses como ele.

Cobrar as dívidas que empresas como a Vale tem com o Estado, taxar as grandes fortunas como a dele e dos grandes empresários para quem ele governa, e cortar nos privilégios de políticos que além de receber grandes salários ganham também inúmeras verbas adicionais, são medidas que serviriam não só para pagar o salário dos servidores e os décimo terceiros atrasados, mas também para fazer testes massivos da Covid-19, estruturar os hospitais, aumentando o número de leitos disponíveis e adquirindo equipamentos e insumos, além de oferecer uma remuneração melhor para os trabalhadores da saúde, tão essenciais neste momento.

É um absurdo que a saída dada por Zema para o agravamento da crise fiscal pela pandemia seja deixar sem pagamento as educadoras e educadores que já estão endividados pelos problemas com salário que se arrastam há anos e as trabalhadoras e os trabalhadores da saúde que estão trabalhando o melhor que podem com os poucos recursos disponíveis, em turnos exaustivos pela insuficiência no quadro de funcionários nas unidades de saúde, e muitas vezes arriscando suas vidas sem os equipamentos de proteção necessárias.

Para Zema, o patrimônio dos milionários e bilionários do estado e os privilégios da sua casta política valem mais que a vida de quem se dedica a salvar todas as vidas que sejam possíveis no Estado neste momento.




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