Sociedade

GUARANI-KAIOWÁ

Em menos de um mês Guarani-Kaiowá são atacados novamente

No último dia 07 de julho, indígenas da etnia Guarani-Kaiowá, em Mato Grosso do Sul, passam por mais uma humilhação: famílias são despejadas da fazenda Cristal, em uma operação desproporcional, e agora vivem as margens da BR-463, em barracos improvisados sem água e a mínima estrutura.

Rafaella Lafraia

São Paulo

segunda-feira 11 de julho de 2016| Edição do dia

Com menos de um mês após o último ataque ao povo originário da etnia Guarani-Kaiowá, como reportado aqui, outra comunidade indígena desta mesma etnia passa por mais uma humilhação. Em operação desproporcional, no último dia 07 de julho, como relatado aqui, policiais despejaram famílias do local que ocupavam ha quatro meses. Elas estavam na propriedade de José Carlos Bumlai - preso em 2015 na Operação Lava Jato – que é utilizada para arrendar para o plantio de cana da Usina São Fernando. Esta área fica dentro do território chamado de Tekoha Itatoti, fica próxima da Reserva de Dourados, do município de Dourados (MS).

Pra os indígenas, a retomada destas áreas próximas da reserva, criada em 1916, é movida pela necessidade recuperação de parte do território de 3.600 hectares definido por Decreto que foi, durante o processo da efetiva criação até o registro em cartório, diminuído em 61 hectares. Além disso, segundo a própria Fundação Nacional do Índio - FUNAI, a área é considerada de extrema vulnerabilidade devido ao confinamento de 15 mil indígenas nestes poucos hectares. Os Guarani-Kaiowá reivindicam a área há mais de 30 anos, pois esta faz parte de um Compromisso de Ajustamento de Conduta firmado entre a autarquia e o Ministério Público Federal de Dourados em 2007, com o objetivo de identificar e delimitar as terras indígenas Guarani e Kaiowá localizadas no Cone Sul do estado.

Segundo a Fundação, não houve confronto ou resistência por parte da comunidade, pois houve uma reunião de acordo entre Polícia Federal com as lideranças indígenas a respeito da operação. Entretanto, segundo relato, a operação foi de tamanha brutalidade e com caráter de repressão, se houvesse necessidade.

Em matéria no site da Fundação, alega-se que, em 2012, constituiu-se um grupo técnico para a realização dos estudos necessários à identificação e delimitação das áreas reivindicadas na região de Dourados – MS, mas que no ano seguinte os estudos foram suspensos para o aprimoramento dos instrumentos técnicos necessários à continuidade dos trabalhos. Além disso, reafirmam sua atuação na defesa dos direitos indígenas e reconhece a legitimidade da luta dos povos Guarani Nhandeva e Guarani Kaiowá, no Mato Grosso do Sul, por suas terras tradicionais. Entretanto, quando o governo golpista tenta nomear um Militar para comandar a Fundação – como reportado aqui e aqui – além de ver as imagens da operação policial do dia 07, percebe-se a contradição no discurso.

Sabemos que os interesses tanto dos povos originários quanto das populações tradicionais são deixados de lado há anos, pois o que realmente importa para os políticos são os interesses da burguesia. Assim, a garantia dos direitos destes povos – que também é a garantia de sua autodeterminação – só poderá ser alcançada quando esta classe e suas marionetes sair do poder.

No link que segue é possível contribuir financeiramente com os indígenas despejados:
https://www.vakinha.com.br/vaquinha/ajuda-aos-indigenas-despejados-da-terra-apyka-i-em-dourados-ms




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