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Em defesa dos cobradores, do salário e contra o aumento da tarifa: atacar o lucro dos empresários

Para proteger o lucro dos empresários do transporte, o prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan Jr. (PSDB) ameaça cobradores de extinção do cargo, ameaça toda a categoria rodoviária de reajuste abaixo da inflação e ameaça o conjunto da população com mais um abusivo aumento da tarifa. Em resposta, a Faísca-RS e independentes foram à Esquina Democrática na tarde desta terça (14) dizer: Em defesa dos cobradores, do salário e contra o aumento da tarifa: atacar o lucro dos empresários!

terça-feira 14 de fevereiro de 2017| Edição do dia

Com o jogo de marketing do "monte sua tarifa", Marchezan busca dividir todos os setores que se mobilizam pelos transportes e legitimar o lucro dos empresários, que há mais de 70 anos controlam o sistema em Porto Alegre. Para combater o discurso da prefeitura, a Faísca-RS e independentes foram à Esquina Democrática na tarde desta terça questionar as medidas da prefeitura e todo o sistema de transporte baseado no lucro. Diversas pessoas se aproximaram para responder uma enquete, que traz uma perspectiva contrária à da prefeitura e dos empresários: transporte público estatizado com administração de trabalhadores e usuários.

Veja abaixo o texto do panfleto distribuido:

"EM DEFESA DOS COBRADORES, DO SALÁRIO E CONTRA O AUMENTO DA TARIFA: ATACAR O LUCRO DOS EMPRESÁRIOS!

Todos os dias o sistema de transporte público movimenta muito dinheiro. A passagem cara garante lucros para as empresas que, segundo a prefeitura, chegam a R$ 5,6 milhões por mês! Este valor absurdo foi publicado no portal tarifa2017.portoalegre.rs.gov.br, onde Marchezan Jr. (PSDB) propõe uma suposta transparência na tarifa de ônibus.

Para reduzir o valor, o site traz algumas opções: trabalhadores rodoviários sem reajuste salarial, extinção dos cobradores, que fecharia 3.600 postos de trabalho, atacar isenções a idosos, fim da segunda passagem gratuita. O lucro dos empresários continua intocável.

Para legitimar esse lucro, o jogo de marketing do “monte sua tarifa” da prefeitura quer colocar uns contra os outros: usuários que querem redução da tarifa contra os rodoviários, que querem salário digno; motoristas contra os cobradores, que tem seu cargo ameaçado; usuários que tem isenção ou meia passagem contra os que pagam a passagem inteira.

No final do ano passado a prefeitura e os vereadores garantiram isenção de imposto de R$18 milhões para as empresas de transporte, sob a justificativa de não aumentarem a tarifa. E agora Marchezan alega que, para manter o valor da passagem, é necessário demitir os cobradores e rebaixar o salário de toda a categoria! E, às custas do nosso sufoco, é garantido o lucro dos empresários.

Os ônibus seguem sucateados, demorados, com linhas que não cobrem toda a cidade em todos os horários. E o dissídio dos rodoviários sempre vira chantagem das empresas para aumentar a passagem. Porém, essa história de colocar a culpa do aumento da passagem no salário dos rodoviários cai por terra quando vemos que entre 1997 e 2016 o salário dos rodoviários cresceu 7,1% acima da inflação, enquanto a passagem teve 76% de aumento real no mesmo período.

Os dados do Tarifa PoA, apresentados pela prefeitura, são na verdade fornecidos pelos próprios empresários a partir de percentuais determinados por uma licitação cheia de suspeitas. Se quisermos realmente saber para onde vai o dinheiro da nossa passagem, precisamos exigir que todos os dados sejam públicos, de acesso a usuários e trabalhadores: publicização das notas fiscais, dos valores de combustível, da manutenção, quebra do sigilo bancário das empresas, etc.

Quem move o sistema de transporte público são os trabalhadores, os rodoviários sabem como operar o sistema. Os trabalhadores têm condição hoje de tocar o sistema sem os patrões. É por isso que quem deve administrar o transporte público são justamente trabalhadores e usuários.

Hoje o transporte público serve ao enriquecimento de poucos empresários, às custas de precariedade do serviço e da exploração dos trabalhadores. Para que sirva realmente às necessidades do conjunto da população trabalhadora, é necessário que este serviço fundamental seja arrancado das mãos destas empresas e estatizado, com a administração dos rodoviários e dos usuários, mantendo todas as contas abertas e de acesso público."




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