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COTAS RACIAIS

Em defesa das cotas raciais contra a extrema direita racista

Nós do Quilombo Vermelho saímos em defesa das cotas raciais na UERJ, a primeira universidade a implementar o ingresso de estudantes ao ensino superior por meio das cotas raciais, defendemos cotas proporcionais ao número de negros por estado, o fim de vestibular e nos colocamos em luta contra essa extrema direita que quer acabar com a vida e os direitos de negros e negras cariocas.

domingo 9 de junho| Edição do dia

Em defesa das cotas raciais contra a extrema direita racista

Nós do Quilombo Vermelho saímos em defesa das cotas raciais na UERJ, a primeira universidade a implementar o ingresso de estudantes ao ensino superior por meio das cotas raciais, defendemos cotas proporcionais ao número de negros por estado, o fim de vestibular e nos colocamos em luta contra essa extrema direita que quer acabar com a vida e os direitos de negros e negras cariocas.
Em defesa das cotas raciais na universidades estaduais

As cotas raciais são um conquista muito importante para o ingresso de negros no ensino superior, sobretudo, em universidades públicas, elas foram arrancadas a partir da luta pelo movimento negro e movimentos sociais, e hoje no estado do Rio de Janeiro sofrem a ameaça de serem extintas com o PL 2023/2019 do deputado racista Rodrigo Amorim (PSL). É inegável e comprovado por diversas pesquisas os indicadores de sucesso da política de cotas. As cotas raciais nas universidades estaduais devem ser defendidas pelo conjunto do movimento estudantil e do movimento negro, por ser uma demanda democrática e anti-racista que nós negros não abrimos mão, frente ao avanço da extrema-direita racista que assassina cinco negros por dia e chegando ao número alarmante de 75% das vítimas de homicídio do país serem negras.

A escravidão organizou uma elite escravocrata em torno de um projeto econômico e político racista da exploração e tráfico de negros africanos escravizados que a burguesia brasileira herdou com muito apreço, organizando historicamente uma estrutura marcada pelo racismo e grandiosas desigualdades econômicas e sociais. O Brasil foi construído dessa maneira, perseguindo e assassinando negros na mesma medida que os explorava ao ponto de criar uma enorme massa de trabalhadores negros imersos na miséria.

A defesa das cotas raciais devem partir desse contexto racista e excludente, onde o negro carrega umas das marcas mais horríveis e dolorosas da dinâmica capitalista, ter construídos a ferro e sangue um país ao mesmo tempo em que lhe era negado todos os direitos políticos e sociais. Portanto, a luta pelas cotas raciais foi e ainda é uma batalha mais que necessária, num país racista como o Brasil, e em particular numa cidade que foi o maior porto de escravos (chegaram aproximadamente 2 milhões de negro escravizados no Rio de Janeiro), onde se pode ver o racismo por todos os lados, na repressão policial, nas favelas, nos postos de trabalho precarizados, sub-empregos, etc.

Por cotas proporcionais ao número de negros do estado do Rio de Janeiro e pelo fim do vestibular

Na UERJ atualmente 12% dos alunos são negros, muitos deles foram os primeiros da família a ingressarem no curso superior, alcançaram individualmente algo que sempre foi negado ao negro, como postos de trabalho um pouco melhor remunerados e profissões que historicamente os negros não exerceram. Por outro lado, as cotas raciais não conseguem dar conta da vasta maioria de trabalhadores e filhos de trabalhadores negros que nem sequer sabem da existência do ensino superior ou quando sabem supõe de imediato que aquele espaço não é pra eles. O Rio de Janeiro possui uma população onde 51,7% se auto-declara negra, numa cidade de aproximadamente 8 milhões de habitantes, milhões de negros são negados do direito de entra na universidade.

O vestibular sem sombra de dúvidas é um filtro social, elitista e racista que só reforça a exclusão de milhões de negros e negras no ensino superior, é escandaloso saber, por exemplo, que mesmo com as cotas raciais e sociais, em 2018 na UERJ apenas 251 estudantes ingressaram pelas cotas raciais, que em 2017, 414 alunos entraram via cotas raciais, um número muito aquém da massa de negros existente no estado do Rio.

Para alterar o quadro geral da situação de miséria e precariedade dos negros hoje, é necessário batalhar pelo fim do vestibular, um filtro social e racista que exclui os trabalhadores e seus filhos de ter acesso ao ensino superior. A ampliação do ingresso da juventude negra nas universidades só pode vir a partir de cotas que abarquem o conjunto da população, sendo ela proporcional ao número de negros em cada estado. Defendemos também o direito a autodeclaração, um direito incontestável da população negra num país fundado na mentira da democracia racial, fator subjetivo de primeira ordem na reivindicação da identidade negra. Defendemos também uma universidade que esteja a serviço dos trabalhadores e da população negra, bem como a estatização de todas as universidades privadas.

O princípio da autodeclaração racial é fundamental para o combate ao racismo no Brasil, um país construído desde uma narrativa de que teria uma população “miscigenada” e não negra, minimizando seu passado escravista e a opressão racial sofrida na pele por milhões de brasileiros. Por isso, nos opomos a qualquer tipo de mecanismo ou comissão avaliadora que se oponha a esse direito inalienável de todos os negros, que ponha em questionamento a autodeclaração racial. Não são medidas como as das comissões de verificação racial, que questionam esse princípio, que podem favorecer a inclusão da juventude negra nas universidades. Apenas uma luta pelas cotas proporcionais ao número de negros por estado, pelo fim do vestibular, contra os cortes na Educação e a reforma da previdência é que pode enfrentar todo esse ódio aos negros e aos trabalhadores de reacionários como Rodrigo Amorim e Bolsonaro.

A extrema direita racista

A defesa das cotas raciais é fundamental, num cenário reacionário onde as universidades e institutos federais estão sobre ataque e onde defensores na direita racista protocolaram projetos de lei semelhantes ao de Rodrigo Amorim, como o do vereador paulista Fernando Holiday (DEM) e da deputada federal Dayane Pimentel (PSL-BA). Esses ataques estão intimamente ligados a todos outros ataques aos trabalhadores e à juventude, portanto a luta contra essa direita racista deve não apenas defender o ingresso de estudantes negros por meio das cotas raciais, mas também contra os cortes da Educação e a reforma da Previdência.




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