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Educação no RS: cortes de salário, precarização, demissões, adoecimento e pandemia

Essa época de fim de mês é sempre um desespero para as professoras (os) e funcionárias (os) de escola no Rio Grande do Sul. Não sabemos quando virá o salário, com que modificações e descontos na folha de pagamento e os armários começam a ficar vazios. Eduardo Leite descarrega a crise em nossas costas e, ao mesmo tempo, faz discursos demagogos para manter sua popularidade.

quarta-feira 27 de maio| Edição do dia

A política de Leite para com a pandemia do novo coronavírus segue a mesma lógica, não garante testes massivos e o seu “distanciamento controlado” fez mais que dobrar o número de casos de COVID-19. Escondendo os números da pandemia o governo Leite faz planos para reabrir as escolas, na prática, seguindo a política de Bolsonaro. Precisamos lutar pelas vidas e não aceitar a reabertura para aulas presenciais até que os casos baixem de fato e uma vacina esteja à disposição.

Nos últimos anos o congelamento do salário e parcelamento no governo Sartori e a continuidade violenta dessa política com Leite deixou os trabalhadores da educação endividados e adoecidos no RS. Por fim Eduardo Leite conseguiu passar um pacote de leis que exterminou com o plano de carreira da categoria e aumentou a aliquota para os aposentados. Além disso professores contratados foram demitidos sem direito algum mesmo sob tratamento de câncer. Os contratados realizam o mesmo trabalho que os nomeados, mas não tem os mesmos direitos, foram ameaçados de demissão e demitidos por ficarem de laudo médico por mais de 15 dias. De 2015 para cá muitas foram as lutas, greves e demonstrações de força dos trabalhadores da educação, no entanto é preciso parar e pensar: quais forças são necessárias reunir e com que estratégia para vencer esses governos e fazer com que os que criaram essa crise paguem por ela e não nós?

As grandes mobilizações de rua da última greve demonstraram grande disposição de luta dos professores e funcionários de escola, porém, é preciso fazer um balanço das últimas greves, seus potenciais e como foram dirigidas. Importante lembrar que os mesmos partidos que dirigem o CPERS (PT/PCdoB/PDT) são os que dirigem a maior parte dos sindicatos e movimentos estudantis no país e no estado. O que significa que poderiam ter transformado a luta pela educação púbica numa grande causa popular, unificando nas ruas com outras categorias e juventude e assim criar uma verdadeira instabilidade do governo Leite fazendo ele recuar. Mas está cada vez mais claro que não é esse o interesse da atual burocracia sindical. Querem transformar o CPERS em um sindicato recreativo, tomando empréstimo milionário para construir sede na praia, e não um sindicato de luta.

Nesse momento em que os professores estão a cada entrada de mês mais desesperados por conta de suas condições financeiras, sequer a exigência de uma liminar na justiça, que suspenda a cobrança dos empréstimos com os bancos sem cobrar juros posteriores, o CPERS colocou. Ao questionar o jurídico do sindicato do por quê o CPERS não entrou com liminar como fez o Sintergs, uma professora recebeu a seguinte resposta:

“Olá, estamos acompanhando a situação e vamos aguardar o desenrolar do caso.

Há, como ocorreu com a liminar do mesmo Sindicato referente ao corte de ponto, o risco dela ser cassada nos próximos dias em recurso do Estado.

Se ela se estabelecer, no entanto, ingressaremos com uma no mesmo teor ainda nesta semana. Abraço”

Por um lado a máscara do judiciário já vem há bastante tempo caindo, pois se algo passa num tribunal em favor dos trabalhadores é derrubado no STF, como foi o caso nos momentos cruciais da nossa última greve. Por outro o mínimo que uma direção sindical pode fazer é encontrar todas as brechas nas leis que favoreçam os trabalhadores e defendam seus direitos. O que espanta é que sequer essas batalhas jurídicas a direção do CPERS acelera, vai esperar para ver se o Estado não derruba a liminar do Sintergs. Estamos largados, órfãos de representação, não podemos esperar a fome bater em nossas portas. É preciso que a base se levante e se organize por si mesma, sem esperar pela burocracia sindical que tem seus próprios interesses. É preciso tomar a luta nas próprias mãos e fazer com que o sindicato cumpra com o seu sentido de existência que é ser espaço de organização dos trabalhadores para a ação.

A exemplo dos trabalhadores da saúde que organizaram um manifestação em Brasília com distanciamento, poderiamos também nos manifestar, chamando os trabalhadores e usuários do transporte público de Porto Alegre que se expõem todos os dias em coletivos cada vez mais lotados, unificando nossa luta concretamente nas ruas com trabalhadores da IMESF (Instituto Municipal de Estratégia de Saúde da Famíla) que Marchezan quer extinguir, junto com as trabalhadoras da Educação Infantil e todos os trabalhadores das empresas privadas demitidos ou com salários reduzidos. Todas essas lutas se resumem em uma só luta para que os capitalistas paguem pela crise e não nós.

É preciso debater profundamente cada questão colocada na educação nessa crise capitalista, que acelerou durante a pandemia. A educação pública representa a estrutura da classe trabalhadora de um país, somos educadores dos filhos da classe trabalhadora, futuros trabalhadores. Por isso é preciso que toda a classe trabalhadora entenda que os ataques na educação são ataques aos seus filhos e ao futuro deles. O projeto ultra liberal de Paulo Guedes, junto da reforma trabalhista e da previdência, quer a composição de uma classe trabalhadora mais alienada, mas sobretudo mais barata para que empresas estrangeiras tenham interesse em vir nos explorar. Contra esse cenário de escravidão moderna é que teremos que nos enfrentar. Precisamos retomar os sindicatos das mãos das burocracias que impedem o desenvolvimento das nossas lutas e seguem costurando acordos com os governadores por nossas costas. Colocar os sindicatos, essa importante ferramenta da nossa classe, a serviço das necessidades da classe trabalhadora. Por isso nós do Esquerda Diário estamos criando comitês para levar à frente esse debate e pensarmos juntos saídas independentes para os trabalhadores da educação e para o conjunto da classe trabalhadora. Procure nossos comitês na sua região e venha debater conosco uma saída anticapitalista e revolucionária. Nossas vidas valem mais que os lucros deles.




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