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Educação não é mercadoria! Abaixo a lei de Covas que pôs à venda escolas municipais em pleno funcionamento

A Câmara dos Vereadores aprovou no dia 16/10 uma lei que autoriza a venda ou doação de 41 terrenos municipais, entre eles dois hoje são ocupados por escolas em pleno funcionamento. Em resposta à essa medida absurda e privatista, nas duas últimas terças (29/10 e 05/11) ocorreram protestos de estudantes, seus pais e dos trabalhadores nas escolas EMEI Gabriel Prestes e EMEF Professora Maria Antonieta D’Alkimin Bastos e também da SME - Secretaria Municipal de Educação. Toda a rede municipal de ensino, seus trabalhadores e as famílias usuárias desse serviço precisa estar organizada para impedir esse processo, assim como os sindicatos da educação precisam entrar nessa luta, afinal educação não é mercadoria.

quinta-feira 7 de novembro| Edição do dia

No dia 16 de outubro a Câmara dos Vereadores de São Paulo aprovou mais uma medida privatista, um PL de autoria do próprio Prefeito Bruno Covas que colocou à venda ou doação 41 terrenos públicos municipais localizados em áreas valorizadas da cidade. O projeto que foi aprovado por maioria dos votos, 34 à 15 e 1 abstenção, sofreu por mudanças na última hora, passando de 7 imóveis inicialmente listados no PL anterior à 41, e entre eles estão a EMEF Professora Maria Antonieta D’Alkmin Bastos e a EMEI Gabriel Prestes, além do Museu da Cidade, tombado em 2004 pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (CONPRESP).

Bruno Covas e a Câmara demonstram mais uma vez que sua sede de lucros não tem limites e nem princípios, colocando os interesses do mercado imobiliário à frente dos interesses da população, das comunidades escolares das duas escolas postas à venda, assim como os usuários do museu. Tratam mais uma vez a educação e a cultura como mercadoria, colocando-a à venda para satisfazer os projetos do mercado imobiliário.

Isso se tratando de São Paulo, uma cidade cuja população em situação de rua aumentou 66% desde 2015, chegando à 105,3 mil pessoas em 2018; que viveu ano passado o desabamento de um edifício ocupado no Largo do Paissandu que ocorreu em decorrência de um incêndio e provocou 9 mortes, além de deixar mais de 150 famílias desabrigadas, famílias essas que até hoje aguardam por uma casa como garantia do direito constitucional à moradia que é negado a uma gigantesca parcela da população e que têm que viver com um pífio auxílio aluguel de R$400 da Prefeitura de São Paulo que sabemos que é totalmente insuficiente para pagar qualquer aluguel nessa cidade.

E esse processo se dá enquanto em toda a cidade de São Paulo existem cerca de 1.425 imóveis privados ociosos, segundo dados da própria Prefeitura, aguardando sua valorização financeira, a famosa “especulação imobiliária”. E é nesse contexto de uma crescente realidade de pessoas desabrigadas e pagando com suas vidas pela desestrutura da cidade, que escolas em pleno funcionamento, literalmente com os alunos dentro, são postas à venda pelo governo municipal.

Aliás, qual será a relação da EMEI Gabriel Prestes contar nessa lista de terrenos à venda, com os interesses de expansão da Universidade Presbiteriana Mackenzie, localizada ao lado da escola? O prédio da escola já esteve fechado de 1997 a 2000, cedido pelo Prefeito Celso Pitta à Universidade, e só foi reaberto em 2001 durante o governo de Marta Suplicy. Querem repetir essa história?

A riqueza de São Paulo, a cidade mais rica do Brasil, é marcada por contradições como essa e Covas, sucessor de Doria na Prefeitura pelo PSDB, se mostra um grande administrador dos interesses dos mais ricos, não à toa surpreende com mais essa arbitrariedade e faz história como o Prefeito que vende escolas. Mostrando à que veio, ou seja, para dar continuidade aos interesses privatistas dos tucanos, alinhado aos interesses de BolsoDoria, em São Paulo e em Brasília.

As crianças e suas famílias pedem a retirada das escolas do PL de Covas como garantia de que não haverá venda

Na semana passada, dia 29, houveram manifestações na EMEF Professora Maria Antonieta D’Alkmin Bastos e na EMEI Gabriel Prestes e essa semana ambas escolas se organizaram num ato na Secretaria Municipal de Educação, que aconteceu na terça-feira, dia 05. Enquanto a Prefeitura afirma verborragicamente que as escolas não serão vendidas, quando esse plano veio direto do executivo, as crianças e adolescentes, seus familiares e os trabalhadores das escolas exigem a retirada das escolas da lista de terrenos à venda.

Nós do Movimento Nossa Classe Educação e do Esquerda Diário, repudiamos os planos privatistas de Bruno Covas que quer desalojar escolas em pleno funcionamento para atender aos interesses do mercado imobiliário enquanto alimenta as contradições dessa cidade onde centenas de prédios dormem vazios e dezenas de milhares de pessoas dormem nas ruas. Assim como as crianças dizemos: Nossas escolas não estão à venda! Nenhuma confiança no Prefeito que vende escolas!

É fundamental que os sindicatos da educação e dos servidores municipais de São Paulo, o SINPEEM, APROFEM, Sindsep, SINESP, Sedin, coloquem sua estrutura à serviço da luta que vem sendo construída pela população contra esse absurdo projeto de Covas, mobilizando também as demais escolas e os trabalhadores da educação e de todo município contra a privatização das escolas, dos prédios e dos serviços públicos, contra os interesses desse governo alinhado aos planos privatistas de Guedes e Bolsonaro que querem colocar o Brasil à venda. Não aceitamos pagar com nossas escolas e com nossos direitos pelas contas da crise!




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