Internacional

ATÉ O SOCIALISMO SEMPRE!

Eduardo Molina, um companheiro perseverante pela causa da revolução socialista e da IV Internacional

Diante do falecimento de Eduardo Molina, importante camarada de trajetória nas fileiras da Fração Trotskista (FT-CI) e do PTS (partido-irmão do MRT na Argentina), publicamos aqui as palavras de Milton D’León, com quem Molina compartilhou longos anos de militância e constante colaboração política.

quarta-feira 2 de outubro| Edição do dia

Mesmo estando a par de sua situação, recebi com profunda tristeza a notícia de falecimento de Eduardo Molina. Sabia do estado de sua saúde e que lhe restavam poucos dias de vida, mas ainda assim foi um golpe duro receber a mensagem que contava de sua morte.

Quando soube, neste 25 de setembro, não consegui escrever, me faltavam as palavras. Foram muitíssimos anos de estreita relação pessoal e política. Conheci Molina no começo dos anos 90 em Buenos Aires, na primeira reunião da antiga Comissão Internacional do PTS que integrávamos com outros camaradas. A partir de então, se iniciou essa colaboração permanente no âmbito político, e pouco a pouco fui conhecendo-o cada vez mais no âmbito pessoal, até construir essa correspondência que marcou todos os passos da vida.

Logo, as diversas tarefas políticas nos levaram para outros países, mas, ainda assim, a distância não foi um obstáculo à continuidade dessa relação pessoal e política. Não houve um momento em que não trocávamos, formal ou informalmente, impressões políticas, contribuições e aportes, assim como escritos conjuntos. O último trabalho que escrevemos juntos foi sobre a Nicarágua, em meados de 2018, em meio à turbulenta crise política e aos processos de luta que atravessavam o país, tudo isto com o intercâmbio diário que fazíamos para acompanhar a situação. No começo deste ano, também nos deparamos com a Venezuela, últimos país sobre o qual fizemos uma profunda análise, com aportes feitos por ele.

A última vez em que nos encontramos foi em sua casa, durante minha última viagem a Buenos Aires, logo após o encerramento da Conferência Internacional que realizamos como Fração Trotskista. Foi numa tarde agradável de outono, e nos entretemos conversando sobre os mais diversos temas do momento, tanto os pessoais como os políticos. Me contou de seu trabalho, quase em fase de finalização, sobre a história da Revolução Boliviana de 1952, assim como nosso habitual recorrido sobre a América Latina em suas diversas arestas, sem deixar de lado o interesse pelo trabalho que realizava na Venezuela e em como poderíamos seguir com nossa colaboração.

Eduardo impressionava por seu enorme conhecimento sobre a América Latina, as particularidades e tendências dos mais diversos países. Mas não se contentava apenas com isto, sabia também explorar sobre outros países e os mais variados temas, incluindo os culturais. Era visível que tinha capacidade intelectual de contribuir com muito mais, mas a vida costuma a pregar peças.

O trotskismo perde um importante camarada que batalhou pela Quarta Internacional, esse partido mundial pela revolução socialista fundado por León Trotsky, pois não deixou de ser perseverar na luta pela sua reconstrução e refundação com sua grande trajetória política na Fração Trotskista e no PTS.

É indiscutível que Eduardo Molina foi um grande animador na construção internacional e um incansável lutador pela revolução socialista internacional. Por isso, hoje a maior homenagem que podemos fazer-lhe é redobrar nossa luta pela revolução internacional e pela IV Internacional. Eduardo Molina, até o socialismo sempre!




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