Internacional

7 DE SETEMBRO

EUA parabenizam independência brasileira, e comemoram servil entreguismo de Bolsonaro

Mike Pompeo, o racista chefe de Estado do governo Trump, parabeniza a simbólica comemoração do dia da independência brasileira, mas não sem um recado aberto de que esta não pode ir além das “estreitas” relações com os EUA.

sábado 7 de setembro| Edição do dia

Charge: Latuff 2019

Neste sábado, 7, o braço direito do intervencionismo de Trump na América Latina, Mike Pompeo, assinou uma carta em nome da embaixada e dos consulados dos EUA no Brasil, parabenizando o país pelo 197º aniversário da independência. A despeito do suposto respeito e reconhecimento da independência brasileira, a curta mensagem de Pompeo mostra a satisfação e expectativa de um aprofundamento dos laços entre Brasil e EUA devido ao governo Bolsonaro, comemora ganhos e promessas, mas mostra também que em tempos de guerra comercial protagonizada pela águia norte-americana e o dragão chinês querem ir muito além.

Pompeo felicita a independência brasileira que anda na linha traçada pelos EUA diante dos conflitos políticos e seus interesses econômicos na região. O departamento de Estado norte americano está grato com o apoio servil do Brasil na investida golpista contra a Venezuela, e até mesmo agradecem na marcação com as grotescas mensagens de Bolsonaro contra líderes mundiais que são adversários de Trump como é caso de Macron, como visto no último G7.

Mas o que mais faz brilhar os olhos do governo Trump, e do imperialismo norte americano de conjunto, incluídos neste meio os Democratas, é o entreguismo histórico, e acelerado, prometido pelo governo de extrema direita às garras dos EUA. Da entrega da base estratégica de Alcântara, passando por dezenas de bilhões de barris de petróleo da maior reserva brasileira e indo até as disputas imperialistas predatórias e financeiras da Amazônia, os EUA têm muito a comemorar de sua amizade promissora com o “independente” Brasil.

Pode te interessar: Entrega da base de Alcântara por Bolsonaro aos EUA ameaça quilombolas da região de despejo

A afirmação do representante do governo reacionário dos EUA de que “o vínculo entre nossos países estão mais fortes do que nunca” pode ser traduzida em um agradecimento ao curso traçado pelo imperialismo norte americano que o Brasil e demais economias da América Latina devem seguir para que seus planos avancem. Em especial o Brasil deve ser um aliado servil nas suas disputas norte americana pela hegemonia frente à desafiadora China, em um mundo que transita do falido neoliberalismo à uma nova ordem ainda não estabelecida. E isso é particularmente importante quando se trata da principal economia da América Latina, sendo necessário todo um esquema autoritário e golpista, envolvendo atores internos como o Partido Judiciário, para acelerar os ataques que o PT já vinha realizando em seu último governo, subordinar o país aos interesses geopolíticos americanos, enfraquecer as grandes empresas nacionais, relocalizar o Brasil como fazenda do mundo, assegurar o pagamento religioso da fraudulenta dívida pública e garantir que a crise capitalista desatada em 2008 seja paga pela classe trabalhadora, a juventude e os oprimidos.

A independência brasileira historicamente esteve presente nos discursos demagógicos de donos do mundo como Trump, apoiados primeiro pela elite agrária nacional e depois pela débil burguesia, que já nasceu espremida entre a sanha imperialista e a classe trabalhadora, incluindo seus extratos mais oprimidos pelo racismo e o latifúndio. Mas ela de fato só terá um significado emancipatório quando forem os trabalhadores àqueles que puderem decidir os rumos e tiverem seus interesses atendidos. Cada política de entrega, privatização e ataques aos direitos trabalhistas, sociais e democráticos é um passo no sentido contrário de uma verdadeira independência do Brasil, e isso é o que as amistosas palavras de Pompeo e toda propaganda do governo escondem no dia de hoje.




Tópicos relacionados

Governo Bolsonaro   /    Imperialismo   /    Donald Trump   /    Acordos Brasil-EUA   /    Internacional

Comentários

Comentar