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CORONAVÍRUS

EUA | Os trabalhadores dos hospitais estão produzindo suas próprias máscaras: mais uma razão para a classe trabalhadora controlar toda a produção

Com suprimentos médicos vitais em baixa, trabalhadores da saúde estão sendo forçados a reutilizar, e em alguns casos criar seus próprios equipamentos de proteção. Isso demonstra a falha do capitalismo em providenciar mesmo as mais básicas necessidades humanas e demonstra como nós precisamos colocar a produção diretamente nas mãos dos trabalhadores.

sábado 21 de março| Edição do dia

Publicamos em português artigo originalmente em inglês escrito por Tatiana Cozzarelli, sob o título Hospital Workers Are Producing Their Own Masks: Yet Another Reason Why the Working Class Should Control All Production
para o Left Voice nos EUA, parte da mesma rede internacional de diários digitais que o Esquerda Diário.

Nós não temos ideia de quantas pessoas nos EUA contraíram o coronavírus graças à severa falta de testes. E também não sabemos quantas contrairão a doença.

Entretanto, sabemos que os hospitais não estão preparados para a chegada massiva de pacientes no horizonte próximo. Não há camas suficientes, nem pessoal, nem mesmo equipamento de proteção.

Médicos e enfermeiros estão usando a hashtag #GetMePPE (que pode ser traduzido como “me dê equipamento de proteção”) em mídias sociais para avisar de suas dificuldades. Como Mike Pappas explicou em seu artigo On the Front Lines of the Coronavirus Pandemic: A Doctor’s View:

“Em um hospital de Nova York, a gerência recomendou que os funcionários “reutilizem” máscaras N95 distribuindo um documento dizendo “Máscaras N95 serão reutilizados pelos funcionários até que fiquem sujas, úmidas, ou comprometidas” e que para obter uma nova máscara o funcionário precisa “solicitar uma máscara com seu supervisor.”

Políticas como essa colocam trabalhadores da saúde sob um grande perigo de infecção, e estes podem potencialmente espalhar essa infecção para pacientes.

Entretanto, isso não termina com as máscaras N95. Enfermeiros em Chicago agora estão reportando que até mesmo máscaras cirúrgicas comuns estão em falta, o que é absurdo em um ambiente hospitalar. Como um enfermeiro que recentemente nos contatou coloca “Ok, então agora temos duas máscaras para cada um e é isso!!!! QUE PORRA ESTÁ ACONTECENDO???” Esta é uma ótima pergunta.

Em alguns lugares, trabalhadores de hospitais estão tomando ações para a sua própria segurança e a dos pacientes. Na Itália, médicos estão usando impressoras 3D, para com apenas alguns dólares, produzir aparelhos respiratórios essenciais que atualmente estão escassos, esses mesmos aparelhos custariam milhares de dólares no mercado. Enquanto isso, nos EUA, trabalhadores do hospital Providence St. Joseph Health em Washington estão comprando folhas de vinil, espuma, e fita industrial da empresa “Home Depot” e loja de materiais para fabricarem suas próprias máscaras e escudos faciais. Isso por que o governo está se movendo a passos lentos para providenciar os equipamentos necessários aos hospitais. A administração no governo Trump do “Department of Health and Human services” (departamento de saúde e serviços humanos) não enviou uma solicitação para contratos para 500 milhões de máscaras até o início desse mês, apesar do coronavírus estar infectando pessoas desde Janeiro.

Até terça-feira, Washington tinha pelo menos 1.012 casos confirmados e 52 mortes. 27 dessas mortes estão ligadas a um único asilo, o Life Care Center em Kirkland, demonstrando como equipamentos de proteção (ou a falta deles) significam vida ou morte quando se trata da propagação do vírus. Os EUA tem pelo menos 6.496 casos do covid-19 e 114 mortes até a gora, de acordo com o rastreador do hospital John Hopkins. Trabalhadores da saúde estão particularmente em risco. Na China, mais de 3.300 funcionários da saúdes foram infectados.

Enquanto isso, Donaldo Trump está preocupado em socorrer a indústria de transporte aéreo e já colocou 1,5 bilhões de dólares no mercado como estímulo. Os ricos, incluindo aqueles que são assintomáticos, muitas vezes tem acesso aos testes de detecção do coronavírus enquanto a classe trabalhadora ainda não.

Controle dos Trabalhadores

A completa e total falha do governo federal em tratar da pandemia levou o Wall Street Journal a sugerir “parcerias público-privadas.” Mas corporações são compelidas por lucro, não necessidade. A sua principal função é garantir lucros massivos para seus CEO’s.

Não obstante, todo esse processo decentralizado está retardando a resposta urgente necessária para controlar o vírus. O governo federal na verdade não tem ideia alguma quantas máscaras existem. Uma solicitação de informações pelo Domestic Strategic National Stockpile’s Office of Resouce Management pediu a varejistas de recursos médicos informações de quanto equipamento de proteção eles tem em estoque. Essa solicitação foi enviada em 24 de fevereiro e a resposta é prevista para 24 de Março. Mas como qualquer trabalhador da saúde irá informa-lo: Não há o suficiente de nada.

A fim de que se possa começar a produzir o equipamento de saúde necessário, toda a indústria deve ser readaptada para esse fim. Para isso, toda a produção deve ser nacionalizada.

Os hospitais também precisam ser urgentemente nacionalizados. Como o Left Voice argumenta.

“Hoje, hospitais são privatizados e desconectados uns dos outros. Nesse momento, nós precisamos nacionalizar a rede de hospitais para organizar cuidados para todas as pessoas que precisam. Além disso, corporações abastadas não deveriam ser permitidas de lucrar às custas dos doentes e necessitados. A produção de vacinas, máscaras cirúrgicas, ventiladores e desinfetantes – assim como de todos os produtos, infraestrutura, e serviços necessários para tratar os doente – que atualmente são feitos em razão do lucro e não do uso, precisam ser imediatamente nacionalizadas para asseguras que esses recursos altamente necessários sejam produzidos em quantidade adequada e ao custo de produção.”

Mas não é o suficiente apenas nacionalizar. A indústria e a saúde devem estar sob o controle dos trabalhadores. Enfermeiros e médicos que estão na linha de frente mostram que reagem rápido e lutam heroicamente por seus pacientes. Enfermeiros e médicos já nos mostram o caminho a frente produzindo equipamentos improvisados a fim de manterem a si e aos seus pacientes seguros. Mas eles não deveriam ter que trabalhar com equipamentos improvisados; eles deveriam estar controlando todo o sistema hospitalar e todo o sistema de produção.




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