É preciso unir forças no domingo em BH e não dividí-las como fazem as centrais. Todos aos atos!

Flavia Valle

Professora, Minas Gerais

sábado 6 de junho| Edição do dia

No domingo, quando estão prometidos diversos atos espalhados pelo país em Belo Horizonte, a CUT segue enfraquecendo a luta ao se negar a construir os atos chamados anteriormente. Enquanto isso, a CTB, UNE e UEE e outras entidades sindicais, ao invés de buscar uma unificação com os atos que já estavam agendados, preferiram chamar um outro ato próprio.

Os atos são uma resposta à situação alarmante em nosso país com um presidente negacionista que ri do povo enquanto os número de mortos por dia por coronavírus segue crescendo e as famílias passando maiores necessidades; em particular a maior parte dos lares de trabalhadores precários e desempregados. A maioria negros.

Os atos assumem a bandeira contra o fascismo e pelo #VidasNegrasImportam como resposta ao cruel assassinato de João Pedro e jovens negros, e após a comoção nacional contra a bárbara morte de Miguel, fruto de uma sociedade herdeira das elites escravocratas de nosso país.

Contra Bolsonaro, Mourão, o racismo e todos os setores que vêm despejando a crise econômica e sanitária nas costas dos trabalhadores e do povo negro, devemos fortalecer os atos de domingo. Não é acidente que proporcionalmente mais negros morrem em nosso país por Covid. É um crime quando Zema, governador de Minas Gerais e "rei" da subnotificação, relega ao povo enfrentar de peito aberto a intensificação da pandemia no estado. Enquanto Kalil, prefeito de Belo Horizonte, mostra toda sua demagogia, na hora do vamos ver, se colocou onde nunca deixou de estar: ao lado dos interesses dos grandes empresários.

Em BH, estão sendo chamados, até agora, três atos. O ato das torcidas de futebol para 11 horas na Praça da Bandeira com o chamado antirracista e antifascista e pelo fora Bolsonaro. Outro ato chamado para 13 horas na Praça da Estação organizado pela CTB, UNE, UEE, Sinpro (Sindicato de Professores da Rede Particular, cuja direção é do PCdoB), entidades estudantis e sindicais da educação dirigidas pela por partidos da esquerda como a CSP-Conlutas (PSTU), DCE UFMG (PSOL, UP e PCB), SindRede (PSTU e PSOL), em defesa da democracia, contra o fascismo pelas vidas negras e contra o Future-se. E um terceiro ato chamado às 15 horas na Praça Sete por Vidas Negras Importam pelo fim do genocídio preto.

O caminho para combater o racismo e os ataques do governo Bolsonaro e de Zema em Minas Gerais é o da unificação de forças e não o da divisão como fazem a CUT e a CTB. Alguns partidos de centro-direita e de oposição a Bolsonaro como o PDT, partido de Ciro Gomes, estão defendendo esvaziar as ruas nesse domingo, fazendo o que Bolsonaro e os racistas mais querem. Assim, com as ruas vazias, eles conseguem passar com menos resistência a sua “boiada”. Por outro lado, nas últimas semanas estamos vendo atos grandes ocorrendo, como em Manaus, Curitiba e São Paulo que reuniram milhares de pessoas, além de Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre.

É na fúria negra que vem ocupando as ruas dos Estados Unidos que devemos nos inspirar para combater o racismo no Brasil e o governo Bolsonaro, não nas negociações com a direita. Todas as medidas do governo estão fazendo a Covid avançar no país ao mesmo tempo em que descarrega a crise nas costas dos trabalhadores. As demissões estão crescendo, o auxílio emergencial sendo desviado por ricos e magnatas, os salários abaixando, os bancos lucrando e a maioria sofrendo.

O capitalismo cada dia que passa mostra mais sua degradação. Precisamos sair às ruas para derrotar Bolsonaro, Mourão e seus aliados da Casa Grande – mas sem nenhuma confiança na “oposição” de Dória, STF, Congresso e demais governadores. É preciso lutar contra Bolsonaro e também contra o regime que implementou o golpe e garantiu a eleição de Bolsonaro. Apenas os trabalhadores, confiando em suas próprias forças, podem dar uma saída de fundo para os problemas ao erguer a bandeira da Constituinte Live e Soberana, rumo a um governo de trabalhadores de ruptura com o capitalismo.

Todos os atos antifascistas e antirracistas em Belo Horizonte vêm sendo organizados de modo a garantir todas as medidas de segurança sanitária, como o uso de máscaras, álcool gel, óculos e o necessário distanciamento. Ao mesmo tempo orienta-se que grupos de risco, ou pessoas que moram com grupos de risco, não participem ativamente das caminhadas.




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