Mundo Operário

DEBATE COM A PLENÁRIA POPULAR DE BASE DO ABC

É preciso olhar a realidade e oferecer à ela uma profunda resposta independente dos trabalhadores

sexta-feira 20 de maio de 2016| Edição do dia

Os trabalhadores em nosso país têm presenciado a fortes mudanças na conjuntura política. Dia 12 foi coroado o golpe institucional com a posse do golpista Temer. Viram também se compor um governo visto apenas durante a ditadura militar, sete ministros citados pela Lava-Jato, famílias oligárquicas e conhecidas como os Sarney e os Picciani, ou seja, um governo da bala e da direita branca e elitista, sem negros e mulheres nos ministérios, com a presença de repressores como o Alckmista Alexandre de Morais.

No discurso de posse, Temer deixou ainda mais claro ainda a que veio: “Não fale em crise, trabalhe”. Um recado direito aos setores em greve e a juventude que luta nesse país. O país da Ordem e do Progresso, fazendo uso inclusive de uma bandeira nacional utilizada apenas na ditadura militar. Não obstante, a agenda de privatizações, terceirização, reforma da previdência, que prevê indexar a idade mínima de 65 anos para aposentadoria de homens e mulheres, com a ajuda da Força Sindical e UGT, com quem se reuniu recentemente. Um falso diálogo sobre o Bolsa Família, que seu ministro Henrique Meireles já fez o favor de desmascarar anunciando que cortará 10% dos beneficiários do programa, também esteve presente.

No dia seguinte a posse, pudemos observar a desocupação violenta e ilegal dos secundaristas de São Paulo. Por medo de uma unidade entre secundaristas, universitários e trabalhadores das principais universidades de excelência como UNICAMP e USP, e também por ser um movimento crescente que hoje já expressa sua força no Rio Grande do Sul com ocupações em escolas e na Universidade do Pampa, no Ceará e Rio de Janeiro, que ocupam colégios, e se enfrentam com o movimento de Desocupa, respectivamente. Ainda no campo da Educação, o governo golpista já anunciou que o MEC fará coro com o discurso da cobrança de mensalidades nas universidades públicas.

Essas são apenas algumas ilustrações do porque a vida dos trabalhadores não seguiria sendo a mesma no dia posterior ao golpe institucional. Sabemos todos que parte da responsabilidade de ter se forjado um setor conservador de direita no congresso é do próprio PT que ao longo dos anos fez conchavos políticos com esses setores para governar e que atacava os trabalhadores de conjunto, com medidas como lei anti-terrorismo, PPE, avanço da terceirização, Tropas no Haiti, entre tantas outras que também poderíamos listar. Porém, aceitar que a direita mais reacionária tome como tarefa a retirada de um governo eleito pela vontade da população não é lá uma análise muito marxista, como querem mascarar os companheiros do Espaço e de outras organizações, já que faz bastante diferença quem é o sujeito que está à frente da ação.

Nesse sentido queremos abrir um diálogo com todos os trabalhadores e jovens que participam da plenária popular de base do ABC onde pela política do Espaço Socialista na última plenária ocorrida um dia antes do show de horrores da Camara dos Deputados, despreparam a vanguarda para se enfrentar com um governo reacionária apoiado pela mídia golpista para aprofundar o plano de ajustes contra os trabalhadores. Impedindo de ter qualquer resolução sobre a situação nacional, os companheiros do Espaço Socialista argumentaram que a vida dos trabalhadores seguiria sendo a mesma, mas por outro (e não é de se espantar, pois já fizeram isso inúmeras vezes) discutiram que uma plenária com diferentes setores, organizações e independentes não poderia sair com uma definição acerca da conjuntura por não haver consenso de todos, o que impede com que façamos experiência com as posições majoritárias e permita uma verdadeira unidade para golpear com um punho só nossos inimigos.


Mais uma oportunidade para rever seu abstencionismo e dar uma saída de fundo para a crise econômica e política no país

Nós do Movimento Revolucionário de Trabalhadores participamos desta Plenária popular de Base justamente porque vemos que é fundamental a unidade da esquerda para resistir aos cortes, ataques e a onda de demissões que atinge em cheio a região do ABC. É ainda mais urgente esta unidade, quando olhamos para as centrais sindicais como CUT e CTB que se diziam contra o golpe e há anos defendiam o governo do PT e vemos que não organizaram nenhuma resistência séria a este golpe, pois temia mais o medo da poderosa força do proletariado entrar em movimento do que a direita reacionária. Mas para ter uma política que responda as grandes questões nacionais, é preciso em primeiro lugar que os companheiros do Espaço Socialista revejam sua posição – como debatemos aqui – e tirem uma conclusão seria do papel infértil que cumpriu o 1 de Maio da CSP-Conlutas que saudava o golpe, na época, ainda em curso. Mais do que nunca é preciso romper o rotineirismo e o seguidismo da esquerda tradicional e construir uma política proletária independente.

Por isso, além da Plenária Popular de Base se manifestar contra o golpe e o novo governo de Temer, é fundamental que debatamos qual saída de fundo devemos tomar para que a nossa luta contra o governo ilegítimo não faça coro com os petistas pela “volta de Dilma”. Nós, que impulsionamos o Esquerda Diário, propomos a necessidade de uma Nova Constituinte Livre e Soberana imposta pelas mobilizações para que a juventude e os trabalhadores possam ser sujeitos de decidir os rumos do país e desde onde, nós da esquerda revolucionária, possamos batalhar por nossas posições, dando voz a milhares de demandas dos trabalhadores, da juventude e dos setores oprimidos. É preciso construir um espaço, onde os trabalhadores possam se reorganizar e batalhar por um polo independente, para oferecer de fundo uma resposta que questione a propriedade privada dos meios de produção, a profunda desigualdade social e os privilégios dos políticos. Novos tempos exigem da esquerda ainda mais audácia. É fundamental cercar de solidariedade as lutas em curso, exigir das centrais sindicais que organizem uma plano de resistência aos ataques e levantar uma política unificada que questione esta democracia dos ricos rumo a transformação radical desta sociedade




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