Mundo Operário

ELEIÇÕES 2020

É possível acabar com o desemprego e a fome?

Durante as eleições muitos políticos apresentam propostas milagrosas que prometem acabar com o desemprego e a fome, mas nenhum deles pretendem atacar a raiz do problema. Escondem esse segredo a sete chaves, por que em sua maioria são os representantes dos grandes empresários.

Marcello Pablito

candidato a vereador em São Paulo, pela Bancada Revolucionária de Trabalhadores.

segunda-feira 19 de outubro| Edição do dia

A taxa de desemprego no País subiu de 13,7% na terceira semana de setembro para 14,4% na quarta semana do mês, um aumento de 700 mil pessoas, segundo o IBGE. Para além disso, 5,8 milhões de pessoas declararam que precisam trabalhar, mas desistiram de procurar emprego, segundo a mesma pesquisa. O auxílio emergencial cai pela metade e o arroz, feijão, óleo, carnes, custam cada vez mais caro para chegar na mesa de casa. A fome e o desemprego crescem, enquanto os empresários ampliam seus lucros sobre o nosso trabalho.

Candidatos de diversas variantes políticas prometem acabar com o desemprego e a fome, mais nenhum deles se propõe a atacar a verdadeira fonte do problema, que são os mecanismo que perpetuam e aprofundam esses problemas sociais.

238 bilionários brasileiros aumentaram sua fortuna em 34%, segundo o banco suíço UBS e a PwC. Um retrato de como o governo Bolsonaro, ao lado dos militares, do STF e do Centrão, atuam para salvar os lucros dos capitalistas enquanto aos trabalhadores, em especial os mais precarizados, as mulheres e negros, a pandemia e a crise econômica significa desespero com a degradação das suas condições de vida.

A fortuna dos bilionários cresceu 34% durante a pandemia, somando R$ 983,3 bilhões, no mesmo país onde vamos terminar o ano com 70 milhões de pessoas na pobreza. Os dados do desemprego recorde contrastam com essa realidade. O governo Bolsonaro e todas as instituições e políticos golpistas, incluindo o governo Doria, prometem que salvando os lucros desses capitalistas a população voltará a ter emprego. Riem da cara das pessoas que fazem filas nas ruas de São Paulo para receber um prato de almoço.

A cesta básica da cidade custa hoje R$ 563, mais da metade do valor de um salário mínimo, sendo que 70 milhões de brasileiros vivem com uma renda média de R$ 522. Não atoa, mais de 10 milhões de brasileiros passam fome, segundo resultados da Pesquisa de Orçamentos Familiares, do IBGE, que mostra que 37% dos domicílios brasileiros convivem com algum tipo de insegurança alimentar.

Dos domicílios que se encontram em situação de insegurança alimentar, 74% são chefiados por negros. E apesar de representarem mais da metade da população brasileira, as mulheres chefiam apenas 39% dos lares que estão em segurança alimentar. A conclusão que temos tirar desses dados é que a única forma de acabar com o desemprego e a fome é atacando o lucro dos grandes empresários. Um punhado de parasitas que vivem no luxo sugando o suor do trabalho e as riquezas nacionais, e que se valem do racismo e da opressão às mulheres para pagar menos a esses trabalhadores, submetidos às piores condições de trabalho com a terceirização e a informalidade, que com a reforma trabalhista, hoje chega a 34% dos postos de trabalho.

Nossa Bancada se apresenta às eleições de vereadores de São Paulo com o objetivo de fortalecer uma alternativa que batalhe, em cada local de trabalho e estudo, para unificar as mulheres, negros, LGBTs e o conjunto dos trabalhadores, para impor uma batalha nacional pelo Fora Bolsonaro, Mourão e os golpistas. Ao mesmo mesmo tempo, apresentamos propostas para que sejam os capitalistas a pagarem pela crise, e que possam impedir uma maior degradação das condições de vida da população, atacando a raiz do problema.

Vemos como as 150 mil mortes pela COVID-19 atingiu duramente os trabalhadores, em especial as negras e negros pelas péssimas condições de moradia, com falta de saneamento e água encanada. Por isso debatemos com as pessoas nas panfletagens a necessidade de batalhar por um plano de obras públicas, que gere emprego e renda para as famílias, e seja instrumento de uma reforma urbana radical, construindo moradias populares para todos que precisem de um teto, alinhada a expropriação dos imóveis ociosos em São Paulo e em outras cidades, e garanta saneamento, água, além de creches, escolas e hospitais públicos.

A luta contra o desemprego é uma luta de toda a classe trabalhadora, que vê as jornadas aumentando enquanto seus salários e direitos se vem cada vez mais ameaçados. Por isso defendemos a proposta de repartição das horas de trabalho entre todas as mãos disponíveis, reduzindo a jornada sem redução de salários e direitos. Nossos direitos, são chamados de privilégios por Bolsonaro, enquanto seus ministros, os políticos do Congresso, juízes e os generais, recebem salários e regalias sem fim, e os capitalistas recebem todo tipo de ajuda do governo para manter seus lucros intactos, e nem mesmo a renda emergencial, fundamental para que as pessoas não morram de fome pelos efeitos econômicos da pandemia, será mantido.

Querem com isso aumentar a divisão da nossa classe entre efetivos, terceirizados, informais e trabalhadores de aplicativo, como os entregadores. Importante lembrar que o início da expansão da terceirização ocorreu sobre os governo do PT, quando aumentaram quase em 14 milhões a massa trabalhadora terceirizada, inclusive em obras do governo que geraram grande revoltas e greves selvagens como em Belo Monte e Jirau.

A união dos setores mais precários e explorados da sociedade, incluindo a população imigrante de São Paulo, que por sua situação de vulnerabilidade também compõe esse setor, é fundamental para não só impedirmos que mais direitos sejam arrancados, como querem fazer com a reforma administrativa, mas também para acabar com a terceirização, efetivando com todos os direitos esses trabalhadores e garantir que os entregadores tenham os mesmos direitos de qualquer trabalhador formal. Para isso, é necessário batalhar pela revogação da reforma trabalhista, que generaliza a retirada de direitos e o rebaixamento do nível de vida da população, junto com a reforma da previdência, travando uma batalha contra Bolsonaro, os militares e todo o regime do golpe institucional, incluindo seus representantes em São Paulo como Covas e Russomano, organizado para salvar os capitalistas e descontar a crise sobre a nossa classe.

Nessa perspectiva que estamos debatendo como todos a necessidade de lutar por uma nova Constituinte, livre e soberana, que possa reverter o conjunto de reformas e ataques já aprovadas, e promover mudanças estruturais para a melhoria das condições de vida da ampla maioria da população brasileira, atacando o lucro de um punhado de capitalistas que parasitam o conjunto da riqueza social. Por fora desse enfrentamento de classe, o desemprego e a fome continuarão existindo, apesar da demagogia eleitoral que promete extingui-los.




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