Educação

REABERTURA INSEGURA DAS ESCOLAS

Doria e Rossieli escondem anos de abandono da educação para manter escolas abertas

Dória (PSDB) e seu secretário de educação Rossieli usam dados de avaliação que indicam que levarão anos para recuperar o atraso educacional com a pandemia para justificar as escolas abertas sem segurança, ao custo das nossas vidas. Mas omitem que o grave cenário da educação no estado governado pelo PSDB é resultado da política de sucateamento e precarização implementada há mais de duas décadas por esse partido e que também são eles os responsáveis pelo descontrole da pandemia, pelas escolas sem infraestrutura segura e pelos alunos estarem até hoje sem ter condições de acesso ao ensino remoto.

Cris Libertad

Professora da rede estadual em Anápolis - GO.

quarta-feira 5 de maio| Edição do dia

Os golpistas e os capitalistas estão alvoroçados pela reabertura insegura das escolas em todo o país. São Paulo é uma das primeiras expressões dessa imposição tendo Dória (PSDB) e seu secretário da Educação têm se utilizando de inúmeros argumentos demagógicos para pressionar o regresso às aulas presenciais, colocando toda a comunidade escolar em risco. A pressão para um retorno inseguro às aulas presenciais, não é somente uma imposição de Dória e Rossiele em São Paulo. A luta dos professores em Minas Gerais, Rio Grande do Sul e outros estados contra a reabertura insegura mostra como esse é um ataque dos diferentes agentes do regime político do golpe institucional, como recentemente vimos na aprovação na Câmara Federal do PL que torna educação serviço essencial para garantir que o ensino presencial não possa ser fechado durante a pandemia, para empurrar à ambientes inseguros, os estudantes, os professores e demais profissionais da Educação.

Após 400 mil mortos e com uma média mortis diária acima de 2 mil, o governo de São Paulo usa dados que refletem um problema educacional não apenas no estado, mas no país, que foi agravado pela pandemia – que diga-se, chegou nos níveis de descontrole pela responsabilidade de governos como o de São Paulo e também de Bolsonaro – como mais um argumento para justificar o retorno presencial inseguro das escolas. Os dados utilizados pelo Estado se referem a uma avaliação amostral aplicada a cerca de 20 mil estudantes do Ensino Fundamental II e concluintes do Ensino Médio que concluiu que levarão anos para recuperar o atraso perdido com a pandemia em Língua Portuguesa e Matemática. O que Rossiele e Dória não querem demonstrar é que essa é uma realidade que vêm se arrastando há alguns anos na Educação Básica, em razão do constante desinvestimento nesta área, através de medidas como a PEC dos gastos, que limita o investimento na saúde e Educação, e que se trata apenas de um dos últimos capítulos de história de décadas de sucateamento e precarização. Mas, além disso, a hipocrisia é gritante já que o PSDB dirige o estado de São Paulo há mais de duas décadas! E a situação de precariedade e sucateamento das escolas que já se via antes da pandemia, e que não mudou depois, é resultado desse período sob seu governo. O resultado de tais ações visam apenas manter os lucros dos capitalistas na crise que se instalou no mundo globalizado em 2008 e se agravou com o cenário pandêmico, e os efeitos podem ser sentidos não apenas na Educação, mas em outras áreas fundamentais, como na saúde.

No estado de São Paulo é infame a pressão para o retorno às aulas. Sendo que é o estado que mais concentra os números de doentes e mortos por covid-19 - mesmo com Dória e prefeitos como Covas, se apresentando como os racionais no enfrentamento da crise, a verdade é que nunca foram alternativa ao negacionismo de Bolsonaro. A aparente preocupação do governo de São Paulo pela regressão da aprendizagem estudantil não resiste a um mínimo exame de como tem sido o ensino remoto desde o início da pandemia. Os alunos não receberam acesso a equipamentos ou internet de qualidade e de graça, Doria sequer buscou garantir, de fato, o direito à alimentação desses alunos, já que sua política de auxílio-merenda era completamente insuficiente. Como se diz nas escolas “se o aluno tem fome, como é que ele pode aprender?”. Na cidade de São Paulo foi promessa de campanha de Bruno Covas (PSDB) a entrega de tablets com chips aos estudantes que não têm equipamentos ou acesso à internet. Até hoje, pouquíssimos tablets foram entregues. Veja se não é a mesma lógica que vemos, por exemplo, a recusa do governo federal, quando Bolsonaro negou os investimentos para acesso à internet gratuita aos estudantes do Ensino Básico.

Enquanto deputados alegam que os professores não querem trabalhar, no último ano as lutas não somente dessa categoria, mas dos demais trabalhadores da Educação vêm sendo árduas. Não apenas para manter o ensino remoto necessário durante a pandemia, que acaba sendo capenga e excludente pelo descaso dos governos com os alunos, mas para se manter, como podemos ver com os professores da categoria O, que passaram meses sem receber seus salários. Essa política irracional e “genocida” que se apropria de dados como dessas avaliações padronizadas que desconsideram desde as variáveis culturais, até as socioeconômicas, para justificar o injustificável que é a reabertura insegura e arbitrária das escolas. Não é de se estranhar já que além de tudo consideram as escolas como um depósito de cuidados de crianças e adolescentes, desconsiderando inclusive a saúde destes e pela manutenção dos lucros dos empresários da Educação. Ao compararem o caso do Brasil com o de outros países, são demagogicamente mentirosos, a situação pandêmica do país e de nossas escolas, jamais deveria estar em situação de comparação com países ricos. A vacinação que seria um importante passo para um possível “retorno à normalidade” está mais do que lenta, o que pode até propiciar a multiplicação de cepas cada vez mais letais do vírus - que mata os trabalhadores aos milhares todos os dias, principalmente os negros e pobres -. Portanto, a luta contra a reabertura insegura das escolas e pela permanência do ensino remoto, não é apenas uma luta pela vida dos professores e demais trabalhadores da Educação, tão pouco tem a ver com não querer trabalhar - o trabalho que já tomava parte da vida antes da pandemia a tomou por inteiro depois dela -, mas é pela vida de todos que fazem parte da comunidade escolar, de todas as famílias trabalhadoras e suas comunidades.

É até em razão dessa premissa, que nós do MRT – Movimento Revolucionário de Trabalhadores – e do Movimento Nossa Classe Educação defendemos que o retorno às aulas presenciais deve ser uma decisão de toda a comunidade escolar junto com os trabalhadores da saúde, organizados a partir de comissões de segurança sanitária com auxílio dos trabalhadores da saúde, apenas eles podem definir quando e como as aulas presenciais devem retornar. E isso deve se dar através de uma decisão mútua de toda a comunidade escolar, que conhece suas unidades e seus membros.

Qual é a alternativa contra a imposição do retorno inseguro às aulas presenciais?

A organização e a luta dos trabalhadores. A categoria dos trabalhadores da Educação já tem história de lutas - não à toa é sistematicamente atacada -, contra os governantes que temem o poder da nossa classe, mas que também detestam aqueles que os questionam. Vemos várias lutas pelo país contra os ataques que a classe trabalhadora de conjunto vem sofrendo. Dentre os exemplos, podemos citar a greve das trabalhadoras da LG e suas terceirizadas, Suntech, Bluetech e 3C contra o fechamento da planta e as demissões em meio à pandemia. As trabalhadoras e os trabalhadores da Educação no município de São Paulo e em Belo Horizonte contra o retorno inseguro das aulas presenciais, imposto pelos prefeitos Bruno Covas (PSDB) e Alexandre Kalil (PSD), a luta dos metroviários e rodoviários em São Paulo e no Distrito Federal, por vacinas, contra os cortes de direitos e por melhores condições de trabalho. Esses são alguns exemplos de focos de lutas de resistência que deveriam estar unificados.

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Portanto, se faz urgente que as centrais sindicais saiam da paralisia, em especial a CUT e a CTB, que concentram massas de professores em suas fileiras, para organizar as lutas dos trabalhadores da Educação, de forma unificada para impor as demandas não apenas dessa categoria, mas de várias que estão em luta através de paralisações e greves e que não encontram em seus sindicatos apoio para os conflitos em curso. Pois junto aos professores, esse conjunto de trabalhadores podem enfrentar a precarização que a nossa classe e seus filhos enfrentam nesse contexto de crise.

Também podemos nos aprender com as lições internacionais, como a das trabalhadoras da saúde em Neuquén na Argentina, que após uma greve de dois meses, com a estratégia da auto-organização contra as traições das burocracias sindicais e o apoio popular de várias categorias, conseguiu do governo o aumento para todos as categorias estatais. Ou mesmo a luta dos petroleiros da refinaria da Total em Grandpuits na França, que também colocaram em prática métodos de auto-organização e com o apoio de diferentes setores sociais e categorias. E agora mesmo ao nosso lado vemos os colombianos seguirem em luta mesmo barrando a reforma tributária e enfrentando uma repressão absurda de Duque!

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Somente através da mobilização dos trabalhadores, é possível impor derrotas a esse regime golpista que tem à frente Bolsonaro e Mourão, com o suporte dos militares e do STF, governadores como Dória, Leite e seus secretários, que atuam para descarregar a crise nas costas dos trabalhadores e lutar para vacina para todos, com a quebra das patentes e pela que a decisão do retorno segura às escolas esteja nas mãos dos trabalhadores. Sem esperar por 2022 como alguns setores da esquerda apostam, a hora de se unir e lutar é agora.

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