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Dois mil migrantes desaparecidos no México: Enorme violação de Direitos Humanos

Segundo informações da Federação Mexicana de Órgãos Públicos de Direitos Humanos (FMOPDH), pelo menos 2 mil migrantes estão desaparecidos em território mexicano.

sexta-feira 30 de abril| Edição do dia

Segundo informado pela Federação Mexicana de Órgãos Públicos de Direitos Humanos (FMOPDH), pelo menos 2 mil migrantes estão desaparecidos em território mexicano, sem especificar o período de tempo que inclui o registro. O informe da FMOPDH se dá em meio a um aumento do movimento migratório no México, onde também se registra o recorde histórico de mais 172 mil migrantes em março, entre eles quase 19 mil menores de idade.

Esta situação se agravou diante da atual emergência sanitária e crise econômica na grande maioria do estreito centro-americano - segundo o último informe da CEPAL - se estima um aumento de até 6 pontos do PIB no déficit público e um aumento do PIB entre 5 e 15 pontos percentuais para o conjunto dos países dessa região.

Neste contexto, o discurso do Governo da Quarta Transformação (4T, de López Obrador) que afirma “garantir o respeito aos Direitos Humanos para milhares de migrantes” que cruzam o país, parece carecer de fundamentação real; milhares de migrantes deportados, sequestro massivos e massacres como o de Camargo em Tamaulipas em janeiro passado, onde 19 migrantes perderam a vida (em sua maioria de origem guatemalteca), contradizem a narrativa obradorista.

Instituições como a Comissão Nacional de Direitos Humanos (CNDH) e órgãos públicos parecem fazer coro com esse discurso “direito-humanista e democrático”, todavia, serviram para limpar a imagem do regime político, não importando o partido de situação. Uma recente investigação da mídia digital Animal Político mostra como se oculta e mantém privados diversos testemunhos sobre violação de Direitos Humanos para migrantes que permanecem em centros de detenção.
Assim, a fachada humanitária do atual governo López Obrador não pretende por nada querer se diferenciar dos governos antecessores que também mostraram seu servilismo aos interesses do imperialismo estadunidense.

E tanto para o governo da 4T quanto para o governo democrata de Joe Biden significou uma importante crise para suas gestões; a fronteira norte e sul do México a violação dos direitos de dezenas de milhares de migrantes, incluindo menores de idade, ocuparam os holofotes das mídias sem poder maquiar a evidente crise humanitária da qual são responsáveis tanto os governos centro-americanos, quanto o governo do México e a permanente política anti migrante que atravessa a Casa Branca.

A recente proposta de López Obrador de estender o programa social “Semeando vida” acaba por ser apenas um paliativo que não resolverá as condições de fome e miséria que assolam a maioria dos países centro-americanos. O programa inclui - como os planos de outros governos de seis anos - autorizar vistos temporários para os migrantes inscritos sem incluir de maneira integral nenhum direito político ou social como trabalhador.

O plano agroflorestal cujo orçamento se estima em 29 milhões de pesos por ano, não só renega à grande maioria de camponeses mexicanos e futuros trabalhadores agrícolas de origem centro americana, ao contrário, visa todo um modelo de exploração sob um salário de menos de 5 mil pesos mensais que é insuficiente para cobrir os gastos e a cesta básica de uma família média.

Longe de oferecer uma saída real para garantir os direitos de milhares de migrantes no México, se mantém o destacamento de mais de 8 mil efetivos da Guarda Nacional nas fronteiras norte e sul que controlam centenas de pontos de revisão e controle migratório, obrigando migrantes a tomar rotas mais perigosas onde milhares deles deixam de ter contato com suas famílias e se tornam alvos do narcotráfico.




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