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SANTA CATARINA

Ditadura e Corrupção: A política em SC é negócio da elite

A greve dos servidores municipais em Florianópolis se tornou tema de discussão entre a população da cidade, seja para criticar ou defender, os trabalhadores opinam sobre o 'pacotaço' do prefeito Gean Loureiro e a paralisação contra ele, mas param por aí. Quem, então, define os rumos da cidade e do estado diariamente?

quarta-feira 1º de fevereiro de 2017| Edição do dia

A disputada eleição municipal que terminou com o candidato do PMDB vencedor em segundo turno, longe de ser o povo escolhendo seu futuro foi, na verdade, a disputa entre grupos importantes pelo aparato do Estado no município. De um lado a família Amin, pela candidata Ângela Amin do PP e de outro, o já conhecido Gean Loureiro, apadrinhado de Dário Berger.

OS DESCENDENTES DA DITADURA

Ângela Amin é casada com Esperidião Amin, que foi duas vezes governador de Santa Catarina e prefeito de Florianópolis, e algumas outras vezes deputado federal, função que exerce hoje. O problema é que só podemos confiar que foi escolhido pelo voto no último cargo, já que tendo sido do Partido ARENA foi nomeado pela ditadura prefeito de Florianópolis em 1975 e 1978, e nas eleições de 1982 venceu num processo afundado em manipulação e corrupção. O ARENA foi renomeado para PDS com a repactuação do regime e, em 1993 se tornou o atual Partido Progressista - PP (sic), ou seja, é um partido descendente direto do regime militar que apenas mudou de nome mas mantém os mesmos políticos que torturaram e roubam até hoje. Prova disso foi a Emenda a um Projeto de Lei que Esperidião Amin apresentou em novembro de 2016, na qual defendia que todos os políticos com mandado fossem imediatamente perdoados por qualquer crime cometido há mais de 180 dias.

Era 30 de novembro de 1979 quando o ditador João Figueiredo estava presente na capital catarinense para conhecer o projeto de uma usina siderúrgica. A recepção ao ditador foi organizada pelo então prefeito Esperidião Amin e o governador Jorge Bornhausen, ambos do ARENA, que aconteceu no Palácio Cruz e Souza. Ao chegar na Praça XV de Novembro, foi recepcionado por uma manifestação estudantil que contava com mais de 4 mil pessoas. A Polícia Militar reprimiu, resultando em violência e 7 estudantes indiciados pela Lei de Segurança Nacional. Depois desse dia, a população presenciou semanas preenchidas por grandes manifestações com milhares, exigindo a liberdade dos estudantes e o fim do regime militar. Esperidião reprimiu com brutalidade e caçou os organizadores das manifestações, recebendo elogios da Cúpula Militar.

OS DONOS DO PEDAÇO NO REGIME (nem tanto) DEMOCRÁTICO

O atual prefeito Gean Loureiro é a continuidade de outro grupo que dirige Florianópolis há mais de década. Como já colocamos aqui no Esquerda Diário, o atual prefeito ascendeu na política com o auxílio de Dário Berger do PMDB, o nomeando para presidente da Fundação de Meio Ambiente, que anteriormente estava envolvida num caso de corrupção envolvendo construções irregulares. Que o próprio Berger teve 18 milhões de reais apreendidos por envolvimento em outro esquema e que Gean Loureiro foi citado por empresário pivô de operação que investiga o descumprimento da legislação de propaganda nas ruas da capital. Além do seu direto envolvimento com a Maçonaria.

A recente aprovação do ’pacotaço’ de ajustes na Câmara prova o total compromisso de Gean e o restante da casta política com os setores mais ricos e poderosos da cidade e do estado. O prefeito ataca os direitos trabalhistas e áreas públicas ao mesmo tempo em que aloja sua base aliada em cargos e isenta os grandes empresários que devem mais de 1,5 bilhão de reais à prefeitura de Florianópolis.

O conjunto dos trabalhadores não só de Florianópolis, mas de todo o Brasil, vive sob um regime degradado, onde nos vendem a democracia mas escondem que a Constituição de 1988 foi pactuada pelos militares e em seus pontos principais preserva os interesses dos ricos e da casta política que governou na ditadura e mantém resquícios como Esperidião Amin até hoje. A desembargadora Vera Copetti, que julgou ilegal a greve dos servidores, representa um Judiciário liderado pela Operação Lava-Jato que pretende o fim dos direitos trabalhistas e seu enriquecimento por meio das delações. Essa desembargadora, assim como todos os juízes iguais a Sérgio Moro, além de receber uma fortuna como salário, não foi escolhida pela população para exercer essa função.

É por isso que o Movimento Revolucionário de Trabalhadores, que impulsiona este portal, defende uma nova Assembleia Nacional Constituinte, imposta pela força da mobilização dos trabalhadores e da juventude, onde possamos fazer com que todo político ganhe igual a uma professora e tenham seus mandatos revogáveis, que os corruptos sejam julgados por juri popular e que cancelemos o pagamento da dívida pública para reverter os gastos estratosféricos que temos com ela hoje para as áreas essenciais à população, como moradia, emprego, saúde, educação, transporte e cultura.




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