Mundo Operário

GREVE PROFESSORES DE SP

Direção majoritária da Apeoesp na zona norte de São Paulo rompe assembleia de professores

Desde antes da greve, os professores organizados nos Professores Pela Base- Nossa Classe veio colocando a necessidade de organizar a luta seriamente. Isso incluia a luta contra o corte de ponto e a preparação prévia de um fundo de greve.

Simone Ishibashi

Rio de Janeiro

quinta-feira 14 de maio de 2015| Edição do dia

(Foto: APEOESP)

Ocorreu na noite de 12 de maio mais uma assembleia de greve regional na zona norte da capital de São Paulo, tendo como pauta principal o fundo de greve, devido ao corte de ponto, e o desconto salarial que passará dos 60 dias.

Desde antes da greve, os professores organizados nos Professores Pela Base- Nossa Classe veio colocando a necessidade de organizar a luta seriamente. Isso incluia a luta contra o corte de ponto e a preparação prévia de um fundo de greve. Entretanto, ao contrário dessas medidas essenciais para a deflagração de qualquer greve de maneira minimamente séria, a direção majoritária da Apeoesp, e seus braços nas distintas subsedes nada organizaram.

Desde o início todos sabiam que essa greve seria longa e dura. O governo estadual tucano nas mãos de Alckmin quer a todo custo derrotar os professores. E o PT também está desde o início do ano atacando a Educação, cortando R$ 7 bilhões de reais do orçamento federal, o que está trazendo efeitos nefastos já vistos nas universidades federais, como se vê hoje na UFRJ.

A resposta da Chapa 1 (CUT) a esse questionamento acerca da preparação da luta, e do fundo de greve como parte dessas medidas, foi de que ele sempre existiu. Entretanto, isso se revelou uma falácia. Questionada pelos professores presentes na assembleia regional sobre quais os motivos que faziam uma subsede grande como a da zona norte da capital possuir tão somente 10 mil reais para o fundo de greve, Nilcéia, membro da executiva estadual pela ArtSind, informou que o fundo de greve fora usado para reformar a casa em que a subsede está instalada. Ou seja, os recursos que deveriam ajudar os grevistas no momento em que Alckmin retira seus salários foram empregados sem controle algum dos professores em luta.

Como se não bastasse a ausência de qualquer justificativa para isso, a direção da subsede se recusou a votar que a base controlaria os recursos do fundo de greve, mediante sua apresentação assembleias regionais semanais. Mesmo tendo um amplo setor votado que essa proposta deveria ser encaminhada, a direção da subsede simplesmente implodiu a assembleia, declarando-a encerrada.

O fundo de greve deve ser uma instituição dos trabalhadores em luta. Além de ser um elemento importante para que a luta não seja derrotada pela fome e intransigência do governo, deve servir para sedimentar a solidariedade de classe entre os trabalhadores. É uma demonstração concreta de que a burocracia sindical petista está absolutamente de costas para os professores o fato de que o maior sindicato da América Latina, em várias das subsedes que dirigem, não tenha organizado absolutamente nada. E pior, quando questionada rompe a assembleia dos professores, que deveria ser a instância máxima de deliberação dos trabalhadores, evocando estatutos absolutamente alheios à luta de classes. Com isso torna-se evidente sua oposição ferrenha a qualquer tipo de democracia genuinamente de base, inclusive em suas formas mais elementares, como são as assembleias de base. Isso porque a burocracia sindical teme a organização legítima dos trabalhadores, pois isso é o elemento fundamental para questionar a utilização que fazem dos sindicatos para seus próprios interesses.

A greve passou "kilômetros" da subsede, e colocou em cheque o controle do sindicato pela Chapa 1, nenhum dos ativistas surgidos na greve tem um mínimo de confiança na burocracia e por isso o medo da direção que esse ativismo se forme como sujeito político. A direção majoritária, que controla a subsede norte, está a exemplo do conjunto do petismo na Apeoesp muito mais preocupada em derrotar esse novo ativismo de base, que derrotar o governo. Por isso negaram-se desde o primeiro dia que os comandos de greve tivessem voz nas assembleias, e integrem as comissões de negociação. Seguiram com as assembleias-comício hostis à expressão de quem faz essa greve existir, e nas quais não se discutem os temas fundamentais, com as polêmicas se restringindo aos trajetos dos atos. Nesse sentido lutar pela democracia dos trabalhadores, que passa também por colocar de pé um grande e verdadeiro fundo de greve, gerido democraticamente pelos professores, é fundamental para dar prosseguimento a essa dupla tarefa, derrotar o governo e a burocracia sindical petista.




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